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Times históricos: Palmeiras de 1998

Formando o time que ganharia a Copa Libertadores

Foi o time que formou base para a equipe que seria campeã da Libertadores de 1999. Logo após o vice-campeonato brasileiro, Felipão trouxe reforços e montou um time que tinha diversas opções de qualidade no banco, que jogaram diversas partidas no ano, para ganharem experiência e para aguentar o calendário brasileiro, que tinha jogos excessivos naquele ano.

Aquele time, comandado por Luiz Felipe Scolari tinha goleiros acima da média. Velloso era o titular e era constantemente cotado para voltar à seleção brasileira, enquanto, em seu banco, o talentoso Marcos buscava espaço no time de cima, aproveitando as chances que tinha, especialmente na Copa Mercosul.

Para aquela temporada, Arce foi contratado junto ao Grêmio para a lateral direita. Além de ser excelente no apoio, era fundamental em cobranças de falta, pênalti e escanteio no Verdão. Na esquerda, Júnior já ganhava os corações dos torcedores palmeirenses desde 1996, no time do ataque dos 100 gols. 

Arce era um reforço do Verdão que ia bem no apoio e com a bola nos pés – ALEXANDRE BATTIBUGLI

No miolo da zaga, o jovem Roque Júnior ganhava espaço para ser companheiro de Cléber, experiente zagueiro e já ídolo no Verdão desde as conquistas de 1993. Contudo, no meio do ano, chegaria ao time Júnior Baiano, zagueiro vice-campeão do mundo com a seleção brasileira, que chegava para ser titular.

No meio de campo craques ou jogadores de muita técnica ajudavam o Verdão. Galeano era o mais pegador do time, carregando o piano em muitos jogos do clube naquele ano. Ao seu lado, Rogério era um volante técnico. Mais à frente, com a dez, o craque do time era Alex, responsável por muitas das alegrias palmeirenses naquele ano. Ao seu lado, Zinho era a experiência que formava aquele meio de campo que, um ano depois, venceria a Copa Libertadores com o clube. 

Já no ataque, Oseás, maior contratação da história do clube até então, vinha de um bom ano de 1997 e ganhava um companheiro de ataque rápido e extremamente técnico: Paulo Nunes, que chegava do Grêmio naquela temporada junto de Arce, e o meia Arílson, que não funcionou tanto no Verdão quanto nos tempos de Tricolor.

Paulo Nunes foi reforço palmeirense em 1998 – ALEXANDRE BATTIBUGLI

O time ainda tinha jogadores da base, como os volantes Pedrinho e Taddei, os laterais Tiago Silva e Jorginho Paulista, o zagueiro Ferrugem e o volante Pedrinho. Além disso, haviam os experientes coadjuvantes, como o zagueiro Agnaldo, o volante Darci e o atacante Almir no time.

O primeiro torneio do ano foi o Rio-São Paulo, e o Verdão até começou bem. Em um grupo com Botafogo, Vasco e Corinthians, ficou em primeiro, com quatro vitórias, um empate e uma derrota, além de 12 gols pró (melhor ataque dessa fase) e oito gols contra. A única derrota fora para o Botafogo, na última rodada, em jogo na qual as duas equipes já estavam classificadas. Contra o Corinthians, uma vitória de 4 x 2, na estreia de Arce, e outra por 2 x 1.

A semifinal seria contra o São Paulo, segundo colocado do outro grupo. Após vencer a primeiro partida por 2 x 1, o Verdão perdeu a segunda por 0 x 1 e foi derrotado nos pênaltis, por 2 x 3.

Restavam nesse semestre, o Paulista e a Copa do Brasil. E o Verdão começou na segunda fase. Empatou com o Corinthians (1 x 1) duas vezes, com um golaço contra de Oséas no primeiro. Ao final da fase, ficou em segundo na chave, um ponto atrás do Corinthians, com cinco vitórias, quatro empates e apenas uma derrota, para o Mogi Mirim em casa, com um surpreendente 1 x 4.

Cléber dava segurança à zaga do Verdão – RICARDO CORREA

Na semifinal, contra o São Paulo, duas derrotas: 1 x 2 e 1 x 3, e eliminação no Estadual.

Na Copa do Brasil, no entanto, a história foi outra. A estreia no torneio foi contra o CSA-AL, nas Alagoas. Com vitória de 1 x 0, gol de Zinho, o time teve que jogar a partida de volta, em que Arce deu show. Com dois dele e um de Cléber, o Verdão avançou da fase preliminar para a primeira fase com vitória de 3 x 0.

O rival na primeira fase era o Ceará. Na primeira partida, Paulo Nunes fez 1 x 0 para o Palmeiras, mas Édson Vieira empatou aos 45 do segundo tempo, forçando o jogo da volta.

No jogo da volta, show palmeirense, com dois de Zinho, dois de Paulo Nunes, um de Chris e outro de Alex, o Verdão fez 6 x 0 e despachou o rival. Nas oitavas de final, viria o primeiro grande desafio. No Rio, o Fogão vencia por 2 x 0, até que Chris, marcou o gol palmeirenses que salvaria o time. No Palestre Itália, com um gol de Agnaldo aos 14 do segundo tempo, o Palmeiras fez 1 x 0 e ficou com a vaga. Para muitos, aquela vitória foi um sinal de que o Palmeiras seria campeão do torneio.

Nas quartas de final, o primeiro jogador seria fora de casa, contra o Sport, e com gols de Paulo Nunes e Oséas, o Verdão se classificou. No jogo da volta, em casa, Almir fez 1 x 0 para o Palmeiras, mas Jackson, que um ano depois viria ao Verdão, empatou o jogo que acabou em 1 x 1.

Velloso dava segurança ao gol palmeirense – RICARDO CORREA

Na semifinal, um clássico. O Santos seria o rival. No primeiro jogo, em casa, empate por 1 x 1, com Oseás empatando na segunda etapa e Cléber sendo expulso (Narciso foi pelo lado do Santos). Na Vila Belmiro, logo com dois minutos, Viola fez 1 x 0 para o Santos. Contudo, ainda no primeiro tempo, Oséas empatou para o Verdão. Na segunda etapa, Darci virou para o Verdão e deixou o clube próximo da vaga. No fim do jogo, Argel ainda empatou a partida, mas o Palmeiras estava na final.

Juninho, Roque Júnior, Agnaldo e Galeano comemoram a Copa do Brasil – EDUARDO MONTEIRO

E a decisão seria contra o Cruzeiro, rival com quem teria grandes embates naquele ano. No jogo de ida, no Mineirão, Fábio Júnior, carrasco do Verdão naquele ano fez o único gol do jogo, em vitória de 1 x 0. 

Na volta, em jogo no Morumbi com mais de 45 mil torcedores, o Palmeiras fez um jogo duro contra os mineiros e abriu o placar com Paulo Nunes na primeira etapa. O jogo iria para os pênaltis, mas quase nos acréscimos, Oséas marcou o gol espírita que deu o título ao Verdão.

Zinho ergueu a Copa do Brasil em 1998 – ALEXANDRE BATTIBUGLI

Já campeão da Copa do Brasil, o Verdão foi para a disputa do Brasileiro sem grandes responsabilidades, e priorizando mais a Copa Mercosul, em sua primeira edição, para dar treino aos jogadores do elenco.

Mesmo assim, na primeira fase, com 23 jogos, venceu 14, empatou três e perdeu seis, ficando um ponto atrás do Corinthians, em segundo lugar. Foram ainda 46 gols pró (melhor ataque) e 32 contra.

Nessa fase, o Palmeiras venceu o Corinthians (3 x 1), o São Paulo (2 x 1) e perdeu para o Santos (0 x 1). O clube chegou a liderar por oito rodadas e só passou em segundo porque empatou com o América-RN, na última rodada, por 1 x 1, e viu o Timão ultrapassá-lo.

Júnior Baiano foi um dos reforços palmeirenses de 1998 – ALEXANDRE BATTIBUGLI

Com o resultado de classificação, o Verdão se classificou às quartas de final contra o Cruzeiro, em três jogos. 

No primeiro jogo, Fábio Júnior abriu o placar, Oséas empatou, mas Marcelo Dijian fez 2 x 1 para o time mineiro, em casa. Na partida de volta, Paulo Nunes fez 1 x 0 para o Palmeiras, Djair empatou e Júnior Baiano, de falta, no fim do primeiro tempo, fez 2 x 1 e deu vantagem de empate ao Palmeiras no terceiro jogo, que também seria no Palestra Itália.

Contudo, em 33 minutos, Marcelo Ramos marcou duas vezes e deixou o Cruzeiro em vantagem. Almir e Paulo Nunes empataram para o Verdão, mas aos 43 do segundo tempo, de novo ele, Fábio Júnior, deu a classificação ao Cruzeiro. No jogo, Arce e Rogério foram expulsos no lado palmeirense e Valdo pelo lado cruzeirense.

Contudo, naquele semestre, o Palmeiras se concentrava na Copa Mercosul, que seria uma espécie de treino para a Libertadores do ano que vem. Por isso, Luiz Felipe Scolari fez o seguinte rodízio. Nos jogos em São Paulo, jogaria um time misto, cheio de reservas, enquanto nos jogos fora, a equipe titular entraria em campo. E deu muito certo.

Na estreia, no Morumbi, o São Paulo fez 2 x 1 no Independiente-ARG, de virada, com gols de Magrão e Almir. No segundo jogo, no Centenário, em Montevidéu, vitória palmeirense por 5 x 0, com gols de Oséas, Magrão (2), Tiago Silva e Juliano. Em Santiago, contra a Unvierdidad de Chile, vitória por 2 x 1, com gols de Roque Júnior e Alex.

O returno da fase de grupos começou com jogo na Argentina, contra o Independiente, e vitória do Palmeiras por 3 x 0, com gols de Paulo Nunes e Alex (2). Em São Paulo, o Palmeiras fez 3 x 1 no Nacional-URU, com gols de Rogério e Arílson (2). O clube encerrou sua participação na fase de grupos no Palestra Itália, com vitória de 1 x 0 sobre a Universidad de Chile, com gol de Almir.

A partir das quartas de final, o Verdão jogador apenas com o time titular. Em São Paulo, contra o Boca, vitória por 3 x 1, com gols de Almir, Arílson e Magrão, sendo que os dois últimos saíram do banco. Em La Bombonera, empate por 1 x 1, com gol de Alex para o Palmeiras.

Alex fez os dois gols da vitória de 2 x 0 sobre o Olimpia-PAR na semifinal. No jogo de volta, em Assunção, o Palmeiras venceu por 1 x 0, gol de Oséas.

A final seria disputada até um dos clubes somar quatro pontos. E a decisão seria novamente contra o Cruzeiro. Na ida, no Mineirão, primeira derrota do Palmeiras no torneio, por 1 x 2, com Roque Júnior marcado pelo Verdão e Fábio Júnior fazendo o da vitória aos 45 do segundo tempo.

No jogo de volta, no Palestra Itália, o Palmeiras fez 3 x 1 no Cruzeiro. Fábio Júnior abriu o placar para a Raposa, mas Cléber, Oséas e Paulo Nunes viraram para o Verdão, que levou a disputa para o terceiro jogo. E o título veio com um gol em jogada de falta, de Arce, aos 17 do segundo tempo.

Naquele ano de 2010, o Verdão chegou a vencer dez partidas seguintes e mostrava que seria uma equipe muito forte em 1999. 

Dos 71 jogos oficiais de 1998, foram 42 vitórias, 13 empates e 16 derrotas, com 136 gols pró e 86 contra.

PALMEIRAS CAMPEÃO DA COPA DO BRASIL DE 1998 – Velloso, Agnaldo, Neném, Rogério, Roque Júnior, Júnior, Cléber, Cris e Marcos; Almir, Pedrinho, Darci, Oséas, Galeano, Paulo Nunes, Alex, Zinho e Arilson – Alexandre Battibugli