Times históricos: o Coritiba de 1985

Time foi campeão contra um surpreendente Bangu

Há 32 anos, o Coritiba conquistava seu mais importante título da história. O Campeonato Brasileiro veio em uma final inesperada contra o Bangu, surpresa daquele ano.

O Coritiba era formado por jogadores de qualidade, que juntos fizeram o time brilhar. O goleiro era Rafael Camarotta, experiente e grande nome da parte defensiva do clube. O grande símbolo daquele time. 

A defesa era formada por André, Gomes, Herlado e Dida. Gomes e Herlado eram os homens fortes da zaga, sendo que Gomes tinha mais o estilo xerifão. André era forte na marcação, enquanto Dida era bom na frente e atrás, com muita velocidade, habilidade e qualidade na marcação.

O meio de campo tinha Almir na marcação e forte pegada no meio do campo, como típico volante, enquanto Marildo era a referência do meio de campo daquela equipe. Já Toby fazia a ligação entre o meio de campo e o ataque daquele time. 

Já no ataque, um trio de muita qualidade. Lela era o ídolo. Rápido e habilidoso, o pai de Alecsandro e Richarlyson, era o craque do time. Já Índio era o centroavante, homem de referência e artilheiro do time. Apesar da seca de 16 jogos seguidos sem marcar naquele ano, ajudou a equipe a se recuperar e vencer o Brasileiro. Por fim, também habilidoso, estava Édson, outro atacante do trio. Contudo, Édson ficou lesionado em parte do torneio e foi substituído por Paulinho, que deu conta do recado.

Lela era o craque do Coritiba em 1985 – NICO ESTEVES

O treinador era Ênio Andrade, que montou uma equipe vencedora com jogadores que era desacreditados por muitos. Fez o time se transformar em campeão com domínio do time dentro e fora de campo.

O Campeonato Brasileiro foi o primeiro torneio jogador, no começo do ano. E após um turno ruim, o time surpreendeu no returno, vencendo-o.

O time estreou no torneio vencendo o São Paulo por 3 x 1 em casa, com dois gols de Índio. Fez o mesmo diante do Cruzeiro, com vitória por 2 x 1, com dois de Índio, em casa, mas perdeu para Bahia e Vasco como visitante. Em seguida, empatou em casa, sem gols com o Goiás. Depois perdeu em casa para o Flamengo (0 x 1) e foi goleado pelo Internacional, em Porto Alegre, por 0 x 4. Depois perdeu para a Portuguesa em São Paulo, até voltar a vencer diante do Náutico, em casa, por 2 x 0, novamente com gol de Índio. Com derrota de 0 x 1 para o Santos, fora de casa, na última rodada, o time terminou o turno em oitavo no grupo A, com apenas dois clubes atrás.

Nas primeiras quatro rodadas, o treinador do time foi Dino Sani, que deixou o clube após derrota por 0 x 3 para o Vasco. Dirceu Küger assumiu interinamente no empate contra o Goiás e, daí em diante, Ênio Andrade assumiu o Coxa.

No returno, no entanto, o time brilhou. A estreia foi contra o São Paulo, no Morumbi, com vitória de 1 x 0, com gol de Heraldo. Na partida seguinte, no Mineirão, contra o Cruzeiro, uma vitória de 3 x 2, com dois gols de Índio colocou o time paranaense novamente na disputa. Em casa, contra o Bahia, uma derrota de 1 x 2, com gol de Lela, parecia derrubar as pretensões do clube, mas o time se recuperou. Em casa, contra o Vasco, empatou sem gols contra. No Serra Dourada, fez 2 x 0 no Goiás, com gols de Lela e Vicente, um dos substitutos de Édson.

Rafael, goleiro do Coritiba em 1985 – RODOLPHO MACHADO

A partida seguinte era decisiva, no Maracanã, contra o Flamengo. Com um gol de Marildo, o Coxa venceu e entrou na briga. O empate em 0 x 0 contra o Internacional e derrota para a Portuguesa por 0 x 2, ambas em casa, o time do Coritiba seguiu na cola da vaga. Após perder para o Náutico, no Arruda, por 0 x 2, a vaga quase escapou, mas em vitória no Couto Pereira, de 2 x 1 contra o Santos, Lela e Vavá colocaram o Coritiba em primeira lugar, com cinco vitórias, dois empates e três derrotas. A vaga veio após empate do Guarani em casa em 1 x 1 com o Internacional, deixando o clube com um ponto a menos. 

Com isso, o Coritiba passou para a segunda fase. O Coxa classificou-se no Grupo G, contra Sport, Joinville e Corinthians. O Coxa empatou fora de casa contra o Sport por 1 x 1, com gol de Marildo. Em casa, contra o Corinthians, vitória por 1 x 0, com gol de Lela. Contra o Joinville, novamente em casa, vitória por 2 x 1, com gols de Lela e Dida. O time ficou na liderança com cinco pontos, mas estreou no returno perdendo para o Corinthians por 0 x 1 no Morumbi. Fora de casa, contra o Joinville, o Coxa venceu por 1 x 0, gol de Lela. Por fim, em jogo que valia vaga, um empate em 0 x 0 contra o Sport em casa levou o time para as semifinais. O rival seria o Atlético-MG, enquanto na outra semifinal, Bangu e Brasil de Pelotas se enfrentavam.

No primeiro jogo, no Couto Pereira, com mais de 33 mil pessoas, o Coritiba venceu por 1 x 0, com gol de Heraldo. No jogo da volta, no Mineirão, com mais de 64 mil torcedores, um empate em 0 x 0 levou o Coxa à final do Campeonato Brasileiro.

O rival seria o Bangu, que vencera os dois jogos contra o Brasil de Pelotas e poderia decidir a final, em jogo único, em casa. 

Coritiba comemora o título Brasileiro – RODOLPHO MACHADO

No dia 31 de julho de 1985, o Maracanã recebeu 91.257 torcedores para apoiar o Bangu, que saiu atrás. Índio voltara a marcar, com um gol aos 25 do primeiro tempo. O Bangu empatou dez minutos depois, com Lulinha.

Com o empate, o jogo foi para os pênaltis. O Bangu converteu os cinco primeiros e o Coxa também, com Índio, Marco Aurélio, Édson, Lela e Vavá. Vavá fez a última cobrança, quando o jogo estava em 5 x 4 para o Bangu, mas ele bateu no meio do gol e manteve o sonho vivo para o time paranaense. O jogo foi para as cobranças alternadas. Ado cobrou a primeira para o Bangu e chutou para fora, no canto contrário ao de Rafael. Gomes cobrou o último para o Coxa, no cantinho, garantindo a conquista do Brasileiro pelos paranaenses.

No Campeonato Paranaense, o time do Coxa estreou na Taça Curitiba, logo após o Campeonato Brasileiro, em junho de 1985. A Taça Curitiba era o Grupo A do torneio, apenas com clubes da capital No turno, o Coxa foi muito mal. Perdeu para o Atlético-PR por 0 x 1 como visitante, empatou em casa com o Pinheiros (2 x 2 ) e em casa contra o Colorado, perdeu (0 x 1).

Índio e Édson comemoram gol na final do Brasileiro contra o Bangu – RODOLPHO MACHADO

No returno, o time empatou com o Colorado fora de casa com empate por 1 x 1. Já em casa, contra o Atlético-PR, venceu a primeira, por 3 x 1. Já o jogo contra o Pinheiros, como visitante, foi cancelado pois o Pinheiros já estava em primeiro, com um ponto-extra garantido na próxima fase. Com isso, o time foi apenas terceiro e ficou sem ponto-extra na fase seguinte.

No primeiro turno, com seis vitórias, dois empates e três derrotas, com 16 gols pró (melhor ataque) e oito gols contra, o time foi terceiro colocado, dois pontos atrás de Atlético-PR e Pinheiros. O Atlético-PR foi campeão do turno e se garantiu no quadrangular final.

No returno, o Coxa foi muito mal e ficou em 8° lugar, com três vitórias, cinco empates e três derrotas, com oito gols pró e seis contra. Como o Atlético-PR também foi campeão do returno, três pontos à frente do Coritiba, o time garantiu o título paranaense.

Assim, ao final do torneio, o Coritiba foi terceiro colocado, com 25 pontos, cinco a menos que o campeão Atlético-PR e o vice Pinheiros, que tinha o ponto-extra. O artilheiro do torneio foi Índio, do Coritiba, com dez gols.

Coritiba, campeão brasileiro de 1985 – Gomes, Heraldo, Almir, Rafael, André e Dida; Lela, Marildo, Índio, Toby e Édson – RODOLPHO MACHADO