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Em julgamento nos EUA, Marin culpa Del Nero por ‘decisões’ da CBF

Defesa do ex-dirigente que vive em prisão domiciliar em Nova York afirmou que Del Nero, então vice, já atuava como presidente da CBF

O advogado de defesa de José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), buscou distanciar o dirigente da acusação de recebimento de propina em contratos relacionados à Copa do Brasil, Copa Libertadores e Copa América. Ao Tribunal Federal do Brooklyn, nos Estados Unidos, a defesa do dirigente disse que quem tomava as decisões na entidade era Marco Polo Del Nero, então vice-presidente e atual comandante da CBF.

“Marin sempre estava com Del Nero. Era Del Nero quem tomava as decisões. Marin estava fora, estava à margem”, disse o advogado Charles Stillman. O advogado comparou a corrupção no futebol internacional a um jogo de futebol infantil do qual Marin não participou. “Ele era como o jovem do lado de fora do campo, colhendo margaridas e olhando ao redor enquanto outros estavam correndo a pleno vapor”, disse.

Além de Marin, estão sendo julgados Juan Ángel Napout, ex-presidente da Conmebol e da Associação Paraguaia de Futebol, e Manuel Burga, ex-presidente da Federação Peruana de Futebol. Os três são os primeiros a ser julgados desde que procuradores dos EUA revelaram um caso de corrupção contra dirigentes do futebol ao redor do mundo, há mais de dois anos.

Das 42 pessoas acusadas por procuradores americanos na investigação sobre a Fifa, 24 se declararam culpadas e duas foram sentenciadas até o momento.

O procurador-assistente dos EUA, Keith Edelman, disse a membros do júri que os três homens foram parte de uma conspiração para aceitar propinas de empresas de marketing esportivo em troca de lucrativos direitos de marketing para torneios de futebol, incluindo a Copa América e Copa Libertadores.

“Os acusados trapacearam o esporte para encher seus bolsos com dinheiro que deveria ter sido gasto para beneficiar o jogo, não a si mesmos”, disse Edelman. O dinheiro desviado poderia ter sido gasto por organizações de futebol para construir campos, comprar equipamentos e financiar equipes femininas e ligas jovens, completou.

Nenhum dos advogados dos ex-dirigentes negou haver corrupção no esporte internacional, mas todos disseram a membros do júri que seus clientes não participaram. “Este caso não é sobre a Fifa”, disse a advogada de Napout, Silvia Piñera. “Isto é sobre um homem, Juan Ángel Napout, e sua luta por justiça.”

Piñera disse a membros do júri que o caso contra Napout vai se apoiar em testemunho de Alejandro Burzaco, ex-chefe da companhia de marketing esportivo Torneos y Competencias. Burzaco, segundo Piñera, “fez um doce acordo com o governo e começou a contar histórias” após ser condenado.

O advogado de Burga, Bruce Udolf, também disse esperar que procuradores se apoiem em testemunhas participativas que podem ser motivadas a “se tornar surpreendentemente muito criativas” para evitar a prisão.

Marco Polo Del Nero segue como presidente da CBF, mas jamais viajou para o exterior depois que os escândalos de corrupção no futebol mundial foram deflagrados, em maio de 2015, na Suíça.

Os presidentes da CBF, José Maria Marin, e da federação paulista, Marco Polo Del Nero, em audiência pública sobre a Copa de 2014, na Câmara

José Maria Marin (ao fundo) e Marco Polo Del Nero, em 2013 (Sérgio Lima/Folhapress/VEJA)