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Chapecó é toda verde para momento histórico na Libertadores

Cidade se prepara para receber seu primeiro jogo de Copa Libertadores da América

Não é preciso procurar muito para encontrar torcedores vestidos com as cores da Chapecoense, o orgulho da cidade de Chapecó. Uma volta pela Avenida Getúlio Vargas, uma das principais do município, ou alguns minutos sentado na praça Coronel Bertaso, em frente à Catedral Santo Antônio, são suficientes para ver um mar de camisas oficiais, bermudas e bonés com o símbolo do time ou homenageando as vítimas do acidente do dia 29 de novembro de 2016.

Nos bazares, nas lojas de materiais de construção, de roupas ou de eletrônicos, não importa, sempre algum material do clube estará à venda.Chapecó é uma cidade pacata e simpática. O clube sempre foi a menina dos olhos da cidade e o carinho pela equipe cresceu após a tragédia do ano passado. De bandeiras com o sinal de luto nas janelas de casas e lojas a carros estilizados, encontra-se de tudo em Chapecó para demonstrar o amor pelo time.

O vendedor Rafael de Quadros Ortiz, de 31 anos, pouco depois do acidente resolveu comprar um Fusca. Figura carimbada no estádio em todo jogo da Chape, decidiu fazer uma homenagem: “Comprei o carro branco e coloquei uns adesivos. Resolvi colocar uma bandeira na frente, para incentivar o time.” O desejo é estilizar o carro todo e pintar as rodas de verde para fazer do automóvel um monumento aos seus ídolos.

Em um pet shop, uma bandeira da equipe com o sinal de luto. Felipe Tremea Peres, de 23 anos, comerciante, parece ter esquecido o símbolo ali. “Já devia ter tirado, né? Acho que o luto já passou.” Para ele, o melhor jeito de homenagear as vítimas do acidente aéreo é seguir em frente. “O clube tem de manter o legado que a Chapecoense tinha e continuar sendo esse clube que trabalha, que monta elencos fortes mesmo sem muito dinheiro.”

O sentimento é o mesmo de alguns membros da organizada Torcida Jovem. O estudante Maike Curzzel, de 17 anos, segue a Chapecoense onde for jogar e não esconde a ansiedade para o confronto desta noite contra o Lanús, às 19h30. Espera uma vitória e que todos saiam do estádio felizes. Ou quase todos. “Claro que estou falando da nossa torcida e não dos argentinos”, brinca. “Vamos estar lado a lado, não importa o que aconteça. Esse é o nosso dever. Temos amor ao clube”.

O casal Alison Garbin Lazaretti,  de 22 anos, e Catiane Gonçalves Pereira, de 16, também frequenta a Arena Condá em todos os jogos. Ele é sócio do clube há anos e convenceu Catiane a se associar há alguns meses. A menina não conseguiu conter as lágrimas assim que começou a falar sobre a Chapecoense. O rapaz, também emocionado, espera que o espírito de união demonstrado nos últimos anos se repita no novo grupo. “Eles estão representando bem. Incorporaram a família que era o time anterior.”

Depois de todo o sofrimento, chegou o dia de a população celebrar e homenagear aqueles que se foram e desfrutar o primeiro jogo da equipe na Copa Libertadores na Arena Condá.