CBF e STJD punem Vasco: São Januário está interditado

Clube ainda pode perder até 25 mandos de campo e pagar multa. No último sábado, confronto entre torcedores e policiais terminou em morte

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) puniu rapidamente o Vasco pelos confrontos entre torcedores e policiais militares no clássico diante do Flamengo, no último sábado, em São Januário. A entidade informou na tarde desta segunda-feira que o estádio do Vasco está proibido de receber partidas com presença de torcida. Pouco depois, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) foi além e anunciou a interdição de São Januário.

A resolução da CBF assinada pelo presidente Marco Polo Del Nero já tinha efeito imediato. Pouco depois, o STJD também se manifestou e confirmou punição ao estádio. O tribunal e acatou o pedido da promotoria de interdição de São Januário até que seja revisto o plano de segurança do local. Além disso, o clube carioca poderá perder até 25 mandos de campo, além de estar sujeito a multas que podem chegar a 350.000 reais.

A interdição imposta pelo STJD é válida até que a corte analise o caso, em julgamento ainda sem data marcada. Mas, com a determinação da CBF, mesmo que o Vasco consiga reverter a liminar da Justiça desportiva, o clube só poderá jogar em casa sem a presença de sua torcida.

O clube é acusado de infringir o artigo 213 e seus incisos I (desordem), II (invasão) e III (lançamento de objetos), parágrafo 1º do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). A pena máxima prevista por infração a cada um dos incisos é de multa que varia de 100 a 100.000 reais, além da perda de até 10 mandos de campo – no caso do inciso II, a Procuradoria considerou que houve apenas tentativa de invasão, e nesse caso a pena máxima cai pela metade.

A Procuradoria do STJD também denunciou o clube por infração ao artigo 211 do CBJD (deixar de manter o local que tenha indicado para realização do evento com infraestrutura necessária a assegurar plena garantia e segurança para sua realização), cuja pena máxima é multa de 100.000 reais.

Além da esfera esportiva, o São Januário corre o risco de ser interditado pela Justiça comum. No início da tarde, o Ministério Público do Rio de Janeiro entrou com ação de interdição no Juizado Especial do Torcedor.

A confusão entre torcedores teve início logo após a derrota do Vasco por 1 a 0. Torcedores entraram em confronto com policiais, depredaram parte do próprio estádio e ameaçaram jogadores e jornalistas presentes. Três torcedores foram baleados e um deles morreu.

Abaixo, a resolução da CBF:

Resolução da CBF que determinou a suspensão de partidas com torcida em São Januário

Resolução da CBF que determinou a suspensão de partidas com torcida em São Januário (CBF/Divulgação)

Eurico: ‘Nada vai prejudicar o Vasco’

O presidente do Vasco, Eurico Miranda

O presidente do Vasco, Eurico Miranda (Celso Pupo/Folhapress)

Mais cedo, antes da decisão da CBF, o presidente do Vasco, Eurico Miranda, convocou uma entrevista coletiva para comentar os incidentes de sábado. Ele afirmou que o julgamento do incidente violento é precipitado. “A precipitação está ocorrendo de todas as partes: da imprensa, da Polícia Militar, do Ministério Público. Ninguém mais do que eu quer que as coisas sejam devidamente apuradas, que as coisas sejam investigadas. Esses julgamentos antecipados normalmente levam e induzem a erro”, disse.

O presidente também rebateu a nota divulgada pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, que responsabilizava o clube mandante pela revista de torcedores na entrada da partida. “A PM justifica da maneira dela, a PM pode até nem fazer a revista, alegando falta de contingente, mas ela é responsável por esta revista. Quando ela não tem contingente e pede que seguranças façam a revista, ela tem que supervisionar a revista”, afirmou.

Eurico ainda aproveitou para afirmar que o clube tomou providências para que o clássico acontecesse com segurança. Além disso, disse que acreditava em um ato premeditado, e que o clube estaria preparado para qualquer decisão definida pelo STJD.

“É preciso que fique claro que nós tomamos todas as providências. Não sei se mudaria algo, mas sugeri que o jogo fosse com torcida única, mas a PM não quis acatar esse pedido. Não estou dando explicações, mas quero dizer que alguns fatores contribuíram para isso. É grupo político. Normalmente isso é financiado por alguém, que visa desestabilizar o futebol. Nada do que pretendem fazer para tumultuar o futebol, vão conseguir. Estamos preparados. O tribunal deve agir e nada vai prejudicar o Vasco”, completou.

 

Comentários

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  1. Marcos Borges Viana

    Pouco me importa se fecharem todos, absolutamente todos os campos e estádios de futebol pois é um esporte que não me interessa. O que me incomoda é a busca da saída mais fácil de punir uma pessoa jurídica como se esta, representada por umaforma de associação esportiva ou instalação predial fossem DOTADOS DE VONTADE. Crimes tem que ser atribuídos a um ou vários agentes. Não sendo capazes de individualizar o agente generalizam e incentivam novos atos pela impunidade habitual, pactuara entre indecentes e irrestritamente ampla, randomicamente parafraseando.

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