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Balanço mostra crescimento constante de dívida do Corinthians

Sem poder contar com dinheiro de bilheteria, pois precisa pagar o Itaquerão, líder do Brasileirão acumula dívidas de mais de 470 milhões de reais

Corinthians é o líder isolado do Brasileirão e vive fase espetacular dentro de campo, mas não tem muito o que comemorar quando olha para seu balanço financeiro. A situação é cada vez mais grave e a dívida total do clube já chega a 472 milhões de reais. Só nesta temporada o déficit aumentou em 46,5 milhões de reais e a tendência do quadro é se agravar até dezembro.

O clube tem atrasado pagamentos de luvas e comissões para empresários e chegou até a postergar, por alguns dias, o pagamento do salário dos atletas. A diretoria decidiu não negociar – por enquanto – seus principais jogadores, o que ajuda o técnico Fábio Carille, mas dificulta ainda mais as finanças, já que não consegue arrecadar recursos relevantes de outras formas. Somou apenas 8,9 milhões de reais na venda de jogadores até junho desde ano, contra 144 milhões de reais em 2016.

A falta de recursos faz com que algumas negociações fiquem emperradas, como as de Pablo e Emerson Santos. O Corinthians acertou com o Bordeaux a compra de Pablo, mas tentou parcelar em 54 vezes os cerca de 3 milhões de reais referentes à comissão do empresário. O agente esperava receber a quantia de uma vez ou, no máximo, até fevereiro de 2018, quando chega ao fim o mandato do presidente Roberto de Andrade.

Emerson Santos tem contrato com o Botafogo até dezembro e o clube carioca quer uma compensação financeira para liberá-lo antes. O Corinthians tenta emprestar um jogador ou conseguir a liberação gratuita.

“Tivemos atraso de salário por seis dias e não atrasamos direitos de imagem em nenhum dia porque acabamos com isso no Corinthians. Jogadores recebem pela CLT. Sim, de fato existem atrasos no pagamento de luvas e comissão para os que chegaram agora, como o Gabriel. Mas estamos conversando e negociando as dívidas. Não queremos que isso aconteça, mas temos de saber lidar com esse problema”, disse o presidente do time no começo de julho.

Arena e patrocínio são vilões

Apesar da boa fase, time não tem patrocinador principal (Marcello Fim/Raw Image/Folhapress)

Algo já esperado, mas que impacta nas contas, é o fato de a bilheteria em jogos na arena não chegar aos cofres alvinegros. Todo o valor vai para o fundo criado com o objetivo de pagar o o Itaquerão. Desde a fundação da arena, em 2014, mais de 123 milhões de reais de renda líquida foram direto para a quitação da obra. Neste ano, já foram arrecadados cerca de 23 milhões de reais nas partidas do time em casa.

Outro renda que poderia ajudar as finanças seria a de patrocínio master, mas o clube não consegue achar parceiros que paguem o que ele considera aceitável. Em abril, a Caixa Econômica Federal deixou de exibir sua marca no espaço nobre da camisa alvinegra e 30 milhões de reais anuais pararam de entrar nos cofres. O clube e o banco chegaram a negociar uma renovação, mas o Corinthians não aceitou receber menos pelo espaço.

Assim, a maior renda obtida até junho foi de 84,5 milhões de reais, vinda da cota de TV. No total, o futebol já deu um prejuízo nesta temporada de 17,8 milhões de reais, quase o mesmo valor do déficit causado pelo clube social e pelo esporte amador, que é de 17,6 milhões de reais.

(com Estadão Conteúdo)