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Em apoio a treinadora demitida, Cristiane se aposenta da seleção

Atacante criticou a CBF por demissão de Emily Lima e falta de apoio às mulheres: "Já não tenho mais forças"

A controversa demissão da técnica Emily Lima da seleção brasileira feminina de futebol já começa a criar suas primeiras consequências. Nesta quarta-feira, a atacante Cristiane anunciou a decisão de se aposentar da equipe. Aos 32 anos, deixou claro que a decisão da CBF de mandar embora a treinadora foi a gota d’água para sua opção.

“É a decisão mais difícil que tomei na minha vida profissional até hoje. Falei com minha família, com meus amigos, escutei vários pedidos para que eu pensasse, mas eu não vejo outra alternativa por todos os acontecimentos e por coisas que já não tenho forças para aguentar. Hoje, se encerra meu ciclo na seleção brasileira”, anunciou em seu Instagram.

Cristiane postou um longo desabafo na rede social por meio de 11 vídeos. Nele, escancarou sua chateação com a forma com que a CBF tem conduzido o futebol feminino nos últimos anos e criticou a decisão da entidade de demitir Emily, após somente 10 meses de trabalho, ignorando, assim, a opinião das atletas. “De 26 jogadoras do grupo, 24 assinaram uma carta pedindo que ela ficasse”, revelou. “Foi bem difícil para mim quando essa comissão foi mandada embora. Ficamos sem entender, porque todas as outras comissões que passaram ficaram muito mais tempo, conseguiram um ciclo todo de trabalho e esta não teve a oportunidade.”

Dias após a demissão de Emily, a CBF anunciou o retorno de Vadão, que havia sido dispensado no ano passado após a quarta colocação nos Jogos do Rio. “A minha decisão não é por conta da comissão do Vadão, de maneira alguma, porque eu inclusive conversei com ele antes disso. Ele pediu para que eu ficasse, conversou comigo, falou da minha importância no grupo”, explicou.

A atacante fez críticas à verba destinada pela CBF à modalidade, inclusive a taxa paga às jogadoras, e revelou ter batido de frente com dirigentes em diversas oportunidades. “Cansei de ouvir de diretor que nós só sobrevivemos por causa de dinheiro do masculino. Já que isso acontece, por que não criam um plano para que possamos depender de nós mesmas?”, questionou.

Por fim, Cristiane fez críticas diretas ao presidente da entidade, Marco Polo Del Nero. “É muito fácil bater no peito na televisão e dizer que dá todo suporte que a gente precisa, sendo que tem muita coisa errada. Se há pessoas que não querem trabalhar, há outras que querem. É futebol feminino, mas praticamente não tem mulher. São coisas que a gente não entende.”

(Com Estadão Conteúdo)