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 08 de agosto de 2008

A festa que tocou nossos corações


É uma evidente distorção dizer que, como os desfiles das escolas de samba para quem não gosta de Carnaval, todas as festas de abertura olímpica se parecem. Elas de fato são sempre longas e às vezes exageradamente espetaculosas. Têm alguns quadros monótonos. O desfile das delegações, então, depois que a do Brasil passa, parece interminável. Chega a cansar um pouco ver tantos cartolas barrigudos, sejam da Rússia ou do Togo, falando ao celular e dando tchauzinho. E os atletas, então, que não param de tirar fotos e acenar para as equipes de TV?

E vêm Santa Lucia, Chade, Ilhas Cook, Ilhas Salomão, Kiribati, Estados Federados da Micronésia e outros países que não precisamos ter vergonha de não saber apontar no mapa, sucedendo-se numa ordem alfabética para nós mais maluca do que a do jogo do bicho, no qual o avestruz aparece antes da águia e o veado precede a vaca. Ficamos sabendo ao acompanhar a transmissão que Hong-Kong, que faz parte da China, compete separadamente, enquanto a Grã-Bretanha é considerada uma nação só - embora, nas eliminatórias para a Copa do Mundo, Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte tenham suas próprias seleções. Não deixa de ser engraçado.

Mas, com tudo isso, que festa bonita os chineses fizeram. Aquela contagem regressiva, no início da cerimônia, deve ter sido a mais emocionante que alguém criou desde a subida da Apolo XI para levar o homem à Lua. E o hino arrepiante? E aquele globo que ora mostrava a Terra, ora os atletas competindo? E aquela menininha de vestido vermelho cantando? E a pomba iluminada que se transformou no Ninho do Pássaro? E o ginasta Li Ning içado no ar para acender a tocha? E os magníficos fogos de artifício, especialidade inigualável dos inventores da pólvora?

Em meio a um calor sufocante, sem brisa, Pequim foi hoje o centro do planeta e sintetizou, na sua tocante celebração, as esperanças de vivermos num mundo melhor.

Agora, às medalhas.



Por Carlos Maranhao - 14:03 | Enviar Comentário | Ler Comentários



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Comentários

marcelo - nao senti a menor emoçao. acho que foi a pior abertura que vi. detalhes perfeitos mas o todo frio e burocratico

 
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