É desagradável testemunhar derrotas quando se acredita na vitória, o que aconteceu durante a madrugada brasileira desta quinta-feira no Ginásio da Capital, em Pequim, onde o vôlei masculino voltou a perder para os russos. Mas há sempre esperança de que a equipe reencontre seu eixo ao se conversar com um jogador como o líbero Escadinha, que mais uma vez, mesmo batido por 3 sets a 1 (22-25, 26-24, 31-29, 25-19), exibiu na quadra o aguerrimento, a categoria e o entusiasmo que se espera de uma seleção dona de duas medalhas olímpicas de ouro. Aos 32 anos, Sérgio Dutra dos Santos, o Escadinha, é um ganhador. Bem antes de subir ao pódio em Atenas e no Pan carioca, ele sobreviveu como empacotador de supermercado e vendedor ambulante.
VEJA - E agora?
Escadinha - Temos que nos recuperar. Não vamos perder a confiança em nós mesmos de jeito nenhum. Ela continua grande. Neste jogo de hoje, não nos faltaram oportunidades de passar à frente da Rússia. Desperdiçamos, infelizmente. O fundamental continua sendo a classificação para a próxima fase.
VEJA - Os brasileiros se queixaram muito da arbitragem. Você acredita que ela de fato prejudicou a equipe?
Escadinha - Prefiro não responder. Não vou gastar minha energia com esses caras, não.
VEJA - Se pudesse escolher um adversário para as quartas-de-final, qual você preferia?
Escadinha - Tanto faz. Estão na outra chave Itália, Japão, Estados Unidos, Bulgária, China e Venezuela, na qual ninguém acreditava e que conseguiu surpreender contra os americanos.
VEJA - Vocês estão conseguindo acompanhar a Olimpíada?
Escadinha - É difícil. Quando não estamos na quadra, para treinar ou competir, ficamos vendo vídeos das outras partidas e estudamos os adversários. Nossa folga se resume às horas de comer e dormir. Viemos aqui para jogar e ir atrás de uma medalha. O resto é o resto.