Em fevereiro de 1989, a China se preparava para a sua "primeira grande exibição de arte moderna organizada por artistas chineses", como o evento foi anunciado na ocasião. "China: Avant Garde" pretendia revelar para o mundo uma geração de jovens artistas que, ainda sob os ecos do maoísmo, produzia quase na clandestinidade. O evento foi um marco, de fato, mas não pelos motivos que se esperava. Na noite da abertura, uma das artistas, Xiao Lu, disparou dois tiros de pistola contra a instalação "Diálogos", que ela havia montado com o namorado, Tang Song, e que era formada por duas cabines telefônicas ocupadas por um manequim.

A atitude era parte de uma performance que hoje beiraria a banalidade. As autoridades chinesas, no entanto, não acharam graça nenhuma na história: a polícia invadiu a galeria, prendeu Xiao Lu e seu namorado e fechou a exibição. Quatro meses depois, ocorreu o massacre da Praça da Paz Celestial. Foi assim que o cenário das artes plásticas na China mergulhou mais uma vez na escuridão.
Só no início da década, com o crescimento da economia, e o investimento de galeristas estrangeiros, surgiu Dashanzi. A área, que era um imenso parque industrial decadente de Pequim, foi ganhando um estúdio após o outro até virar o epicentro das artes plásticas do país. Suas antigas fábricas no estilo Bauhaus (obra de engenheiros da ex-Alemanha Oriental) se transformaram em quase cem galerias, bares, restaurantes e lojas de design.

Mas Dashanzi ficou cara. E, para alguns artistas, um pouco "establishment" demais. Então, alguns resolveram se mudar para um bairro um pouco mais ao leste.
O bairro chama-se Chaochangdi e é muito interessante. Como Dashanzi, é uma área de fábricas antigas e restauradas. Embora o entorno residencial seja horrível – cimento e mais cimento nas ruas estreitas, com uma fileira de bares de portas quebradas e casas minúsculas caindo aos pedaços— é visível que está se transformando em velocidade chinesa. E ainda não tem hordas de turistas nem lojinhas vendendo bugigangas, como Dashanzi.
No sábado à tarde, só numa das ruas de Chaochangdi havia três exposições abrindo ao mesmo tempo, em três imensas galerias, uma delas projetada pelo artista plástico e arquiteto Ai Weiwei. Entre os presentes, muitos chineses jovens, muitos artistas e alguns visitantes estrangeiros.
Uma das exposições que vi era uma coletiva de dois chineses e um japonês: Chen Sahoxiong, Gimhongsok e Tsuyoshi Ozawa. Misturava fotografia, vídeos e algumas instalações bem-humoradas que faziam referência aos Jogos. No trabalho chamado "Medalhas", um exemplo do espírito olímpico do trio:

Dessa vez, ninguém segura os artistas chineses.
Bourbon Açuruá - A Arte Chinesa de maior relevancia do periodo comunista, é Art Pop do Andy Warhol, pintando retratos do Mao, contribuindo para o culto à personalidade.
Abreu - Hehe! Não sei porque, mas não gostei da arte exibida... muito feia, inexpressiva. "Sei lá, compreende?"
claudio vasques f.neto - ThaísA visão das suas matérias nos mostra uma realidade da China que passa despercebida .Arte em China,ótima informação.