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 24 de agosto de 2008

Você ainda vai à China


E, muito provavelmente, a trabalho. A China é hoje o terceiro destino mais freqüente para viagem de negócios e a previsão é de que, em 2020, será o primeiro, passando os Estados Unidos.

Assim, lembrei de algumas experiências vividas ao longo desses 40 dias no país e fiz a lista abaixo, com a intenção de ajudar futuros visitantes a evitar alguns dissabores:

 - Um guia de conversação de bolso, daqueles que vêm com frases básicas, é item número 1 de sobrevivência, mesmo em Pequim. Grande parte dos chineses da capital não entende o significado de palavras e expressões elementares, como “toalete”, “coffe” ou “Can I have the bill, please?”. Isso inclui garçons de restaurantes caros. E não adianta ficar nervoso.

- Não acredite quando alguém lhe disser que o vinho chinês “é bem razoável, porque está sendo produzido em joint venture com os franceses”. Não sei como andam essas sociedades (o grupo Pernod Ricard, por exemplo, desistiu faz tempo da parceria com uma vinícola do governo). Mas o fato é que o vinho chinês ainda é muito ruim. A começar pelos nomes. Que confiança inspira uma garrafa com o rótulo “Monsieur François’’?

- Na China, não existe “comida chinesa”. Os restaurantes, quase sempre, são especializados na cozinha de uma determinada região e essas cozinhas são bem diferentes entre si. A de Sichuan, por exemplo, é muito popular na capital. Deliciosa, mas invariavelmente MUITO apimentada. Às vezes, as pimentas vêm decorando o prato, fritas ou assadas. Vi um ocidental passar um momento muito difícil depois de enfiar um monte delas na boca, achando que fossem outra coisa – tomates secos, talvez?

- Diante da necessidade irrefreável de comer um spaghetti ao pomodoro, ou um filé de salmão grelhado com legumes, o melhor a fazer é ir direto a um restaurante de hotel internacional, como o Hyatt ou o Ritz-Carlton (a comida na China é muito barata e, mesmo nos grandes hotéis, os preços são bem razoáveis). Tentar matar a saudade de comida ocidental em restaurante chinês é garantia de choro e ranger de dentes.

 - Quem viaja a trabalho, em geral, não tem tempo para fazer turismo. Assim, se fosse para escolher apenas dois lugares para visitar, eu ficaria com a Cidade Proibida (um dos poucos patrimônios históricos preservados do país e que só está de pé graças a Zhou Enlai, que protegeu o lugar da sanha destruidora da Guarda Vermelha) e a região de Dashanzi, onde fica o Distrito de Arte 789 – o complexo de fábricas no estilo Bauhaus que foi transformado em um conjunto de galerias de arte, bares e restaurantes (Arte na China). Das obras exibidas ao estilo de vestir dos freqüentadores, o que se vê por lá é um sopro de originalidade em meio a uma cidade, muitas vezes, unânime demais.

- Por último, sugiro que, se for possível, o visitante faça um amigo chinês. É o melhor jeito de se desfazer de preconceitos, aprender a apreciar o peculiar humor chinês e entender alguns dos códigos da cultura do país, às vezes impenetráveis para quem olha para ele de relance.

Com isso, o blog se despede, depois de 37 dias no ar.

Foi um prazer.



Por thais oyama - 14:45 | Enviar Comentário | Ler Comentários

 20 de agosto de 2008

O "turismo" dos anfitriões e a alegria dos turistas

Freqüentado por nove entre dez estrangeiros em Pequim, o Mercado da Seda virou ponto turístico também para os chineses – que têm ido lá exclusivamente para fotografar seus exóticos visitantes.

Eric Slarsel, o rapaz da foto, estava tomando um café na varanda do SPR Café (atenção para o logo e as cores da marca: mais uma investida chinesa na linha “parece-mas-não-é’) ontem à tarde. Quando se levantou para ir embora, dois grupos de chinesas já o aguardavam com suas máquinas fotográficas em punho.

Eric é o tipo que mais chama a atenção por aqui porque tem as duas coisas que os chineses mais acham curiosas: cabelos loiros e barba.

Mas não são só os chineses que estão se divertindo com os estrangeiros.

Esse satisfeito visitante pagou 7 euros para ter seus pés massageados por 45 minutos. O chineses acreditam que a massagem nos pés estimula as funções vitais do organismo, ajuda a eliminar toxinas e melhora a circulação. Além, é claro, de dar aquele alívio depois de um dia de árduas caminhadas. O serviço é oferecido em qualquer esquina da cidade, em salinhas minúsculas ou spas luxuosos. Mesmo nos lugares mais sofisticados –que oferecem chazinhos, sala individual, TV e imersão dos pés em uma infusão de ervas perfumadas -- o preço do serviço não ultrapassa os 50 euros. Especialmente indicado para viajantes recém-chegados, no pico do jet lag.



Por Giancarlo Roberto Lepiani - 08:53 | Enviar Comentário | Ler Comentários

 19 de agosto de 2008

Vergonha

Acabei de voltar do Estádio dos Trabalhadores. Estava lotado como nenhum outro evento que vi nessa Olimpíada -- teve até empurra-empurra na porta. Tudo isso para ver os argentinos fazerem gato e sapato do time brasileiro. Que vergonha.



Por thais oyama - 13:33 | Enviar Comentário | Ler Comentários


"China nunca mais"


 Fabiana Murer está neste momento preparando-se para deixar a China e, segundo ela, nunca mais voltar. A saltadora, que descobriu na final de ontem que um de suas varas havia sumido, está furiosa com a organização dos Jogos. A caminho do aeroporto, ela falou a VEJA:

VEJA: Como sua vara sumiu?
Fabiana
: Eu trouxe dez varas no meu tubo. Como ele tem a marca do meu patrocinador, eles tiraram todas elas de lá para colocar num outro tubo. Nessa transferência, uma das varas se perdeu: eram dez, viraram nove.

VEJA: Você, naturalmente, deve estar furiosa.
Fabiana: Estou muito chateada. Achei que fosse ser outra coisa, que fosse ser uma Olimpíada maravilhosa. Eles fizeram toda essa festa, tudo muito bonito e tal. Mas, aí, cometem esse erro grande, e justamente comigo.

VEJA: O que disseram a você no momento em que você notou o sumiço da vara?
Fabiana: Os chineses só diziam: "Está escrito no tubo que tem dez varas aí. Então, tem de estar aí, você tem de procurar". Eu fiquei desesperada, procurando no tubo de todas as meninas. Estava tão nervosa que pensava: "Meu Deus, será que fui eu que perdi a vara, será que fui eu que coloquei uma a menos no tubo?" Aí, pedia para os chineses procurarem lá fora e eles ficavam olhando para a minha cara, sem fazer nada. Nem sabia se eles estavam entendendo o que eu dizia. Foi desesperador.

VEJA: Você acha que poderia ter vencido se isso não tivesse acontecido?
Fabiana: Não posso dizer que teria vencido, mas a confusão foi muito grande e claro que atrapalhou. Eu era a terceira no ranking e treinei duro para esse momento. Nunca vou saber como poderia ter sido.

VEJA: Alguém lhe pediu desculpas?
Fabiana: Nada. Ninguém veio me pedir desculpas nem dar explicação. Isso é inacreditável. Em agosto, eu deveria participar de uma competição em Xangai, mas já decidi que não vou. Para a China, não volto nunca mais. 



Por thais oyama - 01:46 | Enviar Comentário | Ler Comentários

 18 de agosto de 2008

China em choque


Estava até agora no centro da cidade.

Nas  televisões dos shoppings,  bares e restaurantes, só se vê a imagem do corredor Liu Xiang -- o (ex?) herói nacional que desistiu da prova por causa da dor no tornozelo. Diante da  imagem do corredor de costas, deixando a pista, fregueses, balconistas e seguranças choram como crianças.

O orgulho chinês não poderia ter sofrido golpe mais duro nessa Olimpíada.



Por thais oyama - 07:15 | Enviar Comentário | Ler Comentários

 17 de agosto de 2008

Arte na China

Em fevereiro de 1989, a China se preparava para a sua "primeira grande exibição de arte moderna organizada por artistas chineses", como o evento foi anunciado na ocasião. "China: Avant Garde" pretendia revelar para o mundo uma geração de jovens artistas que, ainda sob os ecos do maoísmo, produzia quase na clandestinidade. O evento foi um marco, de fato, mas não pelos motivos que se esperava. Na noite da abertura, uma das artistas, Xiao Lu, disparou dois tiros de pistola contra a instalação "Diálogos", que ela havia montado com o namorado, Tang Song, e que era formada por duas cabines telefônicas ocupadas por um manequim.

A atitude era parte de uma performance que hoje beiraria a banalidade. As autoridades chinesas, no entanto, não acharam graça nenhuma na história: a polícia invadiu a galeria, prendeu Xiao Lu e seu namorado e fechou a exibição. Quatro meses depois, ocorreu o massacre da Praça da Paz Celestial. Foi assim que o cenário das artes plásticas na China mergulhou mais uma vez na escuridão.

Só no início da década, com o crescimento da economia, e o investimento de galeristas estrangeiros, surgiu Dashanzi. A área, que era um imenso parque industrial decadente de Pequim, foi ganhando um estúdio após o outro até virar o epicentro das artes plásticas do país. Suas antigas fábricas no estilo Bauhaus (obra de engenheiros da ex-Alemanha Oriental) se transformaram em quase cem galerias, bares, restaurantes e lojas de design.

Mas Dashanzi ficou cara. E, para alguns artistas, um pouco "establishment" demais. Então, alguns resolveram se mudar para um bairro um pouco mais ao leste.

O bairro chama-se Chaochangdi e é muito interessante. Como Dashanzi, é uma área de fábricas antigas e restauradas. Embora o entorno residencial seja horrível – cimento e mais cimento nas ruas estreitas, com uma fileira de bares de portas quebradas e casas minúsculas caindo aos pedaços— é visível que está se transformando em velocidade chinesa. E ainda não tem hordas de turistas nem lojinhas vendendo bugigangas, como Dashanzi.

No sábado à tarde, só numa das ruas de Chaochangdi havia três exposições abrindo ao mesmo tempo, em três imensas galerias, uma delas projetada pelo artista plástico e arquiteto Ai Weiwei. Entre os presentes, muitos chineses jovens, muitos artistas e alguns visitantes estrangeiros.

Uma das exposições que vi era uma coletiva de dois chineses e um japonês: Chen Sahoxiong, Gimhongsok e Tsuyoshi Ozawa. Misturava fotografia, vídeos e algumas instalações bem-humoradas que faziam referência aos Jogos. No trabalho chamado "Medalhas", um exemplo do espírito olímpico do trio:

Dessa vez, ninguém segura os artistas chineses.



Por s - 09:39 | Enviar Comentário | Ler Comentários

 15 de agosto de 2008

O homem da tocha

Já havia visto a pasta de dente “Clest”, vendida numa desorientadora embalagem azul e vermelho e, outro dia, encontrei uma loja de fast-food batizada de “King Duck Fried” . Na semana passada, fui a um shopping center perto do hotel onde estou hospedada e havia lá uma loja de roupas femininas chamada “Zahara” – o logo, claro, era igualzinho ao da cadeia espanhola.

Desde o início dos anos 2000, o governo chinês, não exatamente por vontade própria, divulgou que passaria a apertar o cerco contra os falsificadores de mercadorias. Nas escolas, os professores agora ensinam que cópias são “desprezíveis e ilegais”. Como se trata de um conceito novo na China, principalmente os mais velhos continuam comprando DVDs piratas – ainda que, algumas vezes, escondido dos filhos.

O fato é que, apesar das declarações em contrário, o país continua fazendo vista grossa para a pirataria e a cópia descarada.

A marca abaixo, por exemplo, lembra alguma coisa?

Pois é o logo da Li Ning, uma cadeia de artigos esportivos muito popular na China. Seu dono é o ex-ginasta campeão escolhido para andar pelas paredes do Ninho de Pássaro e acender a tocha olímpica na cerimônia de abertura da Olimpíada.

O bem-relacionado senhor Li Ning tem perto de 4 mil pontos de venda da marca espalhados pelo país. E pensar que a Adidas pagou 80 milhões de dólares para ser a principal patrocinadora dos Jogos.



Por thais oyama - 11:27 | Enviar Comentário | Ler Comentários

 13 de agosto de 2008

Bom apetite, Chen Ruolin


Estava prestigiadíssima a primeira final do salto ornamental, ontem, no Cubo D'Água. Pelo menos duas dezenas de líderes do Partido Comunista Chinês foram ver o "Dream Team" da China arrasar, acompanhados de suas mulheres e filhos (únicos, claro, porque quem desobedece a política vigente e tem mais de uma criança não só paga multa como deixa de ser um quadro confiável).  A supremacia da China nos saltos ornamentais já dura quatro Olimpíadas. Ontem, Chen Ruolin, junto com sua parceira, Wang Xin, ganhou o primeiro ouro no salto sincronizado em plataforma de 10 m.

Chen Ruolin (à direita, na foto) é a número um no ranking mundial da categoria. Aos 16 anos, ela mede 1,42 m e pesa 30 quilos. As informações constam da sua ficha no Comitê Olímpico Chinês. Em fevereiro, quando ganhou a Copa do Mundo de Saltos Ornamentais de Pequim, ela declarou que, caso saísse vencedora da Olimpíada, a primeira coisa que faria seria jantar. Para manter seu peso de passarinho e orgulhar a China, a adolescente dorme de barriga vazia há um ano.  "Às vezes, fico com muita fome, mas só estou autorizada a tomar água. Então, digo para mim mesma: vou me segurar até a Olimpíada". Sua parceira de saltos é ainda mais magra: pesa 28 quilos.

  



Por thais oyama - 08:42 | Enviar Comentário | Ler Comentários

 11 de agosto de 2008

A arte do ilusionismo

A China não inventou a prestidigitação, feito atribuído aos egípcios. Mas, assim como a Índia e a antiga Pérsia, sempre foi mestra na arte de fazer algo parecer ser o que não é. A famosa mágica das argolas chinesas, por exemplo, aquela em que aros se entrelaçam misteriosamente, sem que nenhum deles pareça estar rompido, continua um clássico.

Dos tempos imemoriais até hoje, três exemplos de como os chineses adoram um truque:


1.
Recentemente, o Washington Post revelou que o anúncio em que o superstar chinês Liu Xiang aparece ao lado dos pais dizendo que gosta de  tomar uma certa marca de leite é apenas metade real.

O casal sorridente que aparece ao lado do atleta é, na verdade, uma dupla de atores. A agência justificou o, huum, recurso dizendo que os pais de Liu Xiang não quiseram participar da foto porque são “muito tímidos”. Mas acrescentou que eles “aprovaram totalmente o conceito” do comercial.

2. Na festa da cerimônia de abertura da Olimpíada, enquanto as 91 mil pessoas da platéia, dignitários estrangeiros incluídos, suavam tal e qual mulas no verão, o presidente Hu Jintao parecia estranhamente fresco.

Pois o jornalista da BBC James Reynolds descobriu o motivo. Ao visitar a tribuna de honra antes do início da cerimônia, ele teve a curiosidade de dar uma espiada por debaixo da mesa em que ficariam o presidente e seus acompanhantes. O  que viu lá? Aparelhos de ar-condicionado portáteis, um para cada autoridade chinesa, escondidos sob a toalha. Lula, que quase derreteu na cerimônia de tanto suar, vai morrer de raiva quando souber.

3. Ontem, fui ver o Brasil ganhar de três sets a zero do Egito, no vôlei. O estádio estava com dois terços da sua lotação, mas os torcedores de verdade deviam ser só metade, descontando os policiais à paisana e a obrigatória claque de voluntários que os chineses escalam para cobrir os buracos da arquibancada em todos os jogos. Pude vê-los mais de perto.

A animação era contagiante, como se pode ver. Os estudantes, aposentados e donas-de-casa que formavam a claque “torciam”, metade para o Brasil e metade para o Egito, segundo as orientações de uma voluntária-chefe e do telão.

Quando a voluntária-chefe saía para ir ao banheiro ou tomar um chazinho, a claque aproveitava para descansar. Os times podiam fazer a mais sensacional das jogadas que ninguém se manifestava. Sem o comando do chefe, pareciam desligados da tomada.



Por thais oyama - 07:35 | Enviar Comentário | Ler Comentários

 08 de agosto de 2008

O espetáculo da China


Os chineses deram um show. A cerimônia de abertura foi espetacular. A ausência de Spielberg acabou sendo um presente para a China:  Zhang Yimou estava magistral.Quem viu seus filmes reconheceu na cerimônia vários dos truques do diretor -- como no final apoteótico do acendimento da tocha olímpica, em que um atleta caminha flutuando pelas paredes do ginásio à maneira de "Hero", na cena  da  luta de espadas sobre um lago. A  abertura com os  tambores é o meu momento preferido.

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 O calor infernal que fazia dentro do Ninho de Pássaro (hello, projetistas do Herzog & de Meuron!) maltratou Lula. O presidente suava em bicas e abanava-se o tempo todo. Estava tão desconfortável que foi embora do estádio assim que a delegação brasileira terminou de desfilar. Já o presidente Bush parecia estar se divertindo. Engatou conversinhas animadas com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, ao seu lado, e, mesmo durante a passagem das mais de 200 delegações, a parte mais tediosa da cerimônia, ficou olhando tudo de binóculo -- interessadíssimo.

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A  Rússia foi ovacionada no desfile da sua delegação. Putin teve de acenar muito para a platéia (sem sorrir, porque, pelo jeito, não sorri nunca).  Logo em seguida, entrou a equipe dos Estados Unidos. Nova ovação. Só que, desta vez, misturada com vaias.

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Dinastias imperiais, rota da seda, as grandes invenções... Quando se pensou que uma cronologia da história da China estava por vir, vupt: a cerimônia passou direto para a China atual. Mas não tinha acontecido alguma coisa importante em 1949?



Por thais oyama - 19:00 | Enviar Comentário | Ler Comentários

 07 de agosto de 2008

Chegou o dia

São exatamente oito horas da manhã do mui aguardado dia 8/08/2008. O céu de Pequim está cor de chumbo, mas a meteorologia já avisou que, ao menos, não vai chover. Tanto melhor, já que o Ninho de Pássaro não tem cobertura (os chineses desistiram na última hora de fazer o teto retrátil que constava do projeto original).

Estaremos na cerimônia de abertura. Mais tarde, conto como foi.



Por thais oyama - 21:09 | Enviar Comentário | Ler Comentários

 06 de agosto de 2008

Torcida muito organizada

Eu não assisti ao jogo Brasil x Alemanha, em Shenyang. Mas, do Brasil, me contaram que a platéia era muito curiosa. Metade torcia para o Brasil e a outra exata metade torcia para a Alemanha --  sendo que quase todos pareciam ser chineses. Além disso, cada um dos lados usava camisetas perfeitamente iguais e gritava frases idênticas.

Humm. Acho que já vi isso antes (ler nota abaixo, “Ódio aos Voluntários”).

Alguém tem um palpite?



Por thais oyama - 14:13 | Enviar Comentário | Ler Comentários

 05 de agosto de 2008

Céu claro, nuvens escuras


Um dia depois do atentado que matou dezesseis policiais em Xinjiang, Pequim amanheceu aparentemente tranquila e com um resplandecente céu azul -- o que deve eliminar, ao menos por ora, a hipótese de o governo baixar novas medidas para diminuir a poluição. Ainda assim, há algumas nuvens escuras pairando sobre a capital da China. Basta olhar o movimento nas ruas, hotéis e restaurantes. A três dias do início dos Jogos, o que se nota é uma espantosa falta de turistas na cidade. Logo depois que China foi confirmada anfitriã da Olimpíada, o governo anunciou que deveria receber 2 milhões de visitantes. Neste ano, o número já havia baixado para 500 mil. Há duas semanas (quando já estavam em vigor diversas medidas que, com o objetivo de aumentar a segurança, acabaram dificultando a entrada de estrangeiros no país), o jornal inglês The Guardian perguntou ao Escritório de Turismo de Pequim se a cidade não estava recebendo menos visitantes do que o esperado. O funcionário entrevistado recusou-se a responder a pergunta, dizendo que "o governo não irá comentar nenhuma notícia negativa". Diante do atual silêncio das autoridades em relação ao assunto, é de se supor que os números não sejam nada bons para a China.



Por thais oyama - 12:55 | Enviar Comentário | Ler Comentários

 04 de agosto de 2008

Ódio aos voluntários

Primeiro, você simpatiza com eles: são sorridentes, dedicados e estão muito orgulhosos por servir a China na qualidade de voluntários da Olimpíada. Você fica admirado e acha isso uma coisa bonita.

Depois, você começa a enjoar de vê-los por todo lugar e sempre às dúzias. O governo diz que eles são cem mil, mas a impressão que dá é que há pelo menos um milhão deles: com seus uniformes azul e amarelo, os voluntários chineses estão nas ruas, no aeroporto, nos hotéis, nos centros de imprensa, nos arredores dos ginásios e em cada centímetro da Vila Olímpica – sempre em grupo, sempre sorridentes, sempre inúteis.

Faça a eles uma pergunta básica: “Onde fica o Cubo de Ouro?”. Eles olharão para você com os olhos arregalados e dirão: “Ouro?”. Você tenta de novo: “Onde fica o Ninho de Pássaro?”. Os mesmos olhos espantados e a indagação no lugar da resposta: “Pássaro?” (quando os chineses não entendem uma pergunta,  por algum motivo tendem a repetir a última palavra que ouviram). É desesperador.

Os voluntários chineses não apenas têm uma imensa dificuldade para compreender o inglês mais básico: também não carregam mapas ou guias, não sabem informar os horários de nada e quando informam, informam errado. Podem ser sorridentes, dedicados e amar a China, mas não servem para nada. Ou melhor, servem para fazer volume. Na Vila Olímpica, todo país participante dos Jogos tem direito a uma cerimônia de hasteamento da bandeira (sempre encerrada com a apresentação de um grupo de crianças chinesas que canta doces canções). Hoje de manhã foi a vez do Brasil e da Coréia do Norte. Para não correr o risco de deixar os países sem platéia, os organizadores convocaram os voluntários --que, comandados por uma voluntária-chefe que sinalizava a hora de aplaudir e ficar em pé-- cumpriram a função de preencher os buracos da arquibancada.



Por thais oyama - 08:00 | Enviar Comentário | Ler Comentários


O Ninho de perto


No fim de semana, fui pela primeira vez conhecer o Ninho de Pássaro e o Cubo D’Água.
Já havia visto tantas fotos dos dois ginásios, de tanto ângulos diferentes, que não achava que fosse me surpreender.

Pois fiquei de boca aberta.

Eles são extraordinariamente mais bonitos e impactantes ao vivo. O Cubo D’Água exige uma certa distância para ser apreciado: a visão do enorme quadrado de bolhas azuis contra o céu lembra uma gigantesca nascente brotando da terra. Mas quando se olha a obra muito de perto, perde-se a noção do conjunto e as lindas “bolhas d’água” viram pedaços de plástico azul.

Já o Ninho de Pássaro é magnífico também de perto. Suas colunas entrelaçadas – muito maiores e mais altas do que eu imaginava— têm a imponência do aço e a delicadeza, bem, de um ninho de passarinho mesmo. Ou, mais precisamente, de um ninho de andorinha, como imaginou Ai Weiwei, autor da idéia do projeto e um dos mais importantes artistas contemporâneos da China. Quando escurece, o estádio fica ainda mais lindo: a parte de baixo irradia uma luz vermelha que dá a impressão de que o Ninho está em chamas. Na foto, eu e o Mario Sabino, redator-chefe da VEJA, embasbacados com o ginásio dos chineses.



Por Giancarlo Roberto Lepiani - 07:13 | Enviar Comentário | Ler Comentários

 01 de agosto de 2008

Hoje, só amanhã

Um amigo já havia me dito que escrever um blog é ter de dar satisfação. Entao, faço com prazer: hoje não tem post.  É fechamento da revista e nós, os enviados especiais de VEJA à China, estamos finalizando as primeiras reportagens que preparamos aqui. Leiam no fim de semana. E não deixem de acompanhar o blog do Carlos Maranhão, que estréia na segunda-feira. Maranhão, para quem não o conhece,  é diretor da Veja S. Paulo e da Veja Rio. Já cobriu sete Copas do Mundo e está na sua quarta Olimpíada. Promete mandar notícias quentinhas daqui -- sobre os Jogos e seus bastidores.

 



Por thais oyama - 10:32 | Enviar Comentário | Ler Comentários

 31 de julho de 2008

Meu primeiro pato laqueado


Estava louca para experimentar --e tive uma estréia em grande estilo: foi no Bianyifang, uma casa no centro de Pequim que serve o prato há mais de 600 anos. Há duas maneiras de prepará-lo: assando a ave diretamente no fogo de lenha tirada de árvores frutíferas, como tamareiras e pessegueiros (o que, dizem, dá a ela um perfume delicioso e um sabor ligeiramente defumado) e no forno à lenha bem quente, de maneira que o pato fica dourado e crocante por fora, e macio e saboroso por dentro. Foi este último que eu comi. Ele vem à mesa com cabeça e tudo (quando chega, não resta dúvida de que é um pato), para, em seguida, ser destrinchado com rapidez e elegância pelo chef diante dos fregueses. Dizem os chineses que esse processo, quando realizado com maestria, produz 108 filés, mas ninguém na mesa contou. Come-se embrulhando os pedacinhos de carne -- junto com tiras de cebola, pepino e cebolinha-- numa panqueca bem fininha, que depois é mergulhada em um molho de soja denso e agridoce. Imprescindível acrescentar ao recheio umas lascas da pele brilhante, lisa e quebradiça – a melhor parte da história. A combinação dos sabores da carne tenra e úmida com pedaços da pele suculenta e crocante, mais o molho ligeiramente adocicado, é um deleite.

 Mas o prazer tem seu preço. Cem gramas de pato laqueado contém: 380 calorias, 30 gramas de gordura e 80 mg de colesterol. Perto dele, nossa feijoada vira coisa de criança.



Por thais oyama - 11:25 | Enviar Comentário | Ler Comentários

 30 de julho de 2008

Lost in translation

A China tem se esmerado na tentativa de apresentar ao mundo sua “olimpíada-mais-do-que-perfeita”. Faz parte desse esforço o trabalho de um time de voluntários cuja tarefa é varrer das ruas as placas com más traduções em inglês. Algumas são muito engraçadas. Tanto que já existem sites dedicados a elas. As fotos abaixo são de um deles.

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De fato, ainda é muito complicado para os chineses, mesmo da capital, lidar com essa língua tão diferente. Na maioria das vezes em que um estrangeiro entra em um táxi, principalmente diante de hotéis, o motorista nem sequer se dá ao trabalho de olhar para ele. Vai logo estendendo a mão para trás para pegar o celular que sabe que lhe será oferecido. É a maneira mais prática que os forasteiros que não dominam o mandarim encontraram para se deslocar na cidade: pedem a ajuda de um chinês caridoso que, via celular, informa ao motorista aonde o estúpido estrangeiro deseja ir. Há outra coisa curiosa sobre os táxis de Pequim. Toda vez que desço de um, ouço uma gravação com o seguinte alerta: “Por favor, não se esqueça de verificar se esqueceu o que levou”.

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Há algum tempo, o People’s Daily, jornal oficial do Partido Comunista da China, publicou na sua versão on line, em inglês, uma matéria que dizia que , com a ajuda de um voluntário americano, professor da Universidade de Pequim, muitas placas incorretamente traduzidas para o inglês já estavam sendo corrigidas para a Olimpíada. E citava o exemplo do Dongda Anus Hospital –graças ao voluntário americano, hoje conhecido como Dongda Proctology Hospital.



Por thais oyama - 13:28 | Enviar Comentário | Ler Comentários

 29 de julho de 2008

Pobre Liu Xiang


Não invejo Liu Xiang.

Ele virou herói nacional depois de conquistar em Atenas a primeira medalha de ouro olímpica da história da China no atletismo. Ao quebrar o recorde mundial nos cento e dez metros com barreiras, destruiu também o mito de que os chineses não teriam vocação para esportes que requerem força física.

Desde então, foi homenageado com uma cadeira no Conselho Consultivo Político do Povo Chinês e apertou várias vezes a mão do presidente Hu Jintao em pessoa.

Mas, em fevereiro deste ano, Liu Xiang sofreu uma lesão em um dos tendões.

E, no mês passado, teve sua marca superada pelo cubano Dayron Robles.

Enquanto isso, os jornais chineses publicam manchetes dizendo que “Liu Xiang carrega as esperanças da nação”. Uma pesquisa na internet aponta que o que a maioria dos chineses mais deseja nessa Olimpíada é que Liu Xiang traga outra medalha de ouro para a China. E o seu treinador declara que vai fazer “de tudo” para que o atleta vença, já que oficiais do governo disseram a ele que se Liu Xiang não vencer nessa Olimpíada, “todos os seus feitos anteriores não terão mais significado”.

 Na semana passada, um colunista do China Daily, jornal que pertence ao governo chinês, saiu em socorro do atleta. No texto, intitulado “Muita pressão não é bom”, ele criticou colegas da imprensa e até os tais oficiais (sem citá-los) que pressionaram o atleta. Terminou o texto conclamando os chineses a "alegrar-se com Liu se ele ganhar e consolá-lo se ele perder". Qualquer que seja o resultado, diz o autor, "ele continuará sendo o nosso orgulho.”

Liu Xiang, boa sorte para você.



Por thais oyama - 08:00 | Enviar Comentário | Ler Comentários

 28 de julho de 2008

O céu de Pequim

Voltei a Pequim hoje de manhã e o assunto na cidade é um só: os índices de poluição que teimam em não baixar. Depois de as autoridades da capital tirarem mais de 2 milhões de carros das ruas, paralisarem oito mil canteiros de obras e transferirem duzentas fábricas da capital, o ar da cidade -- a 11 dias da abertura da Olimpíada-- está assim:

Há quatro dias não se vê a cor do céu por aqui. O governo deve anunciar um plano de emergência nas próximas horas. Enquanto isso, todo mundo dá palpite. Um especialista em meio-ambiente propôs que as autoridades tirassem 90% dos carros das ruas e só deixassem circular os que tivessem placas terminando com o número oito.

Os chineses estão nervosos.



Por thais oyama - 09:29 | Enviar Comentário | Ler Comentários
 
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