Brasileiros na História

MAria Lenk - Natacção

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Maria Emma Hulda Lenk-Zigler (São Paulo, SP, 15/1/1915) jamais ganhou uma medalha olímpica para o Brasil. Ainda assim, foi ela quem começou a história da natação brasileira. Maria Lenk tinha só 17 anos quando foi para os Jogos de Los Angeles, em 1932, a primeira mulher sul-americana a competir numa Olimpíada. Além disso, ela foi também a primeira a praticar o nado borboleta em uma prova olímpica, e possivelmente em todo o mundo, além de ter sido a primeira atleta do país, incluindo homens, a baixar os recordes mundiais nos 200 e 400 metros peito, em 1939.

Filha de alemães que imigraram para o Brasil em 1912, Maria aprendeu o idioma de seus pais lendo a revista Der Schwimmer, sobre natação. Começou a nadar aos 10 anos para curar uma pneumonia dupla. Dava suas braçadas no Rio Tietê, em São Paulo. Aos 15 anos, já praticava a natação como esporte. Em uma de suas leituras, ela conheceu, por meio de ilustrações, o estilo criado por um americano chamado Higgins: o butterfly (borboleta, em português). Embora não houvesse nada que ferisse as regras do esporte em movimentar os braços também por fora da água, apenas em 1951 a Federação Internacional de Natação reconheceria este quarto estilo. Até então só se praticava os nados costas, livre e peito.

Maria Lenk foi campeã sul-americana dos 100 e 400 metros livre, 100 metros costas e 100 e 200 metros peito. Aproximou-se bastante do recorde mundial e olímpico dos 200 metros peito e chegou a superar o recorde dos 100 metros. Mas o feito, conseguido no dia 29 de março de 1936, na piscina do Fluminense, no Rio, não foi homologado na Confederação Brasileira de Desportos (CBD). Pena, pois aquele seria o primeiro recorde mundial conseguido por um atleta brasileiro. Em 1939, Maria Lenk finalmente teve seu recorde reconhecido. No dia 11 de outubro, na piscina do Botafogo, fez os 400 metros peito em 6min15s8, tornando-se o primeiro atleta sul-americano, entre homens e mulheres, a bater um recorde mundial de natação.

Além dos Jogos de Los Angeles, em 1932, nos quais era a única mulher da delegação em meio a 124 homens – 81 atletas e 43 treinadores e dirigentes —, Maria Lenk participou também dos Jogos de Berlim, em 1936. Acabou eliminada ainda na primeira rodada de classificação dos 100 metros e chegou às semifinais dos 220 metros nado costas, classificando-se em 7º lugar, com o tempo de 3min17s7/10. Só não teve uma participação maior na história olímpica por causa da interrupção dos Jogos, em função da Segunda Guerra Mundial. Ainda assim, Maria entrou para a história do esporte com seus títulos e seu pioneirismo. Em 1988, ela foi a única brasileira convidada a imprimir suas mãos e pés no cimento do International Swimming Hall of Fame, o Hall da Fama da natação, na Flórida, Estados Unidos.

Maria Lenk possuía uma característica especial, diagnosticada pelos médicos: enquanto os pulmões de um ser humano normal conseguem acolher de 2,5 litros (mulheres) a 4,5 litros de ar (homens), os de Maria Lenk armazenavam cinco litros. Quando parou de nadar, após 12 anos nas piscinas, Maria Lenk passou a dar aulas de Educação Física. Foi co-fundadora da Escola de Educação Física e Desportos da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de professora catedrática e diretora daquela instituição. Escreveu mais de dez livros, alguns considerados pioneiros na ciência esportiva.

Aos 69 anos, Maria Lenk resolveu reiniciar a carreira de atleta. Conquistou novos títulos e bateu recordes na faixa dos 80 anos. Atualmente, aos 89, divide-se entre suas duas residências em Albuquerque, no Novo México, Estados Unidos (onde ainda nada pelo New Mexico Masters) e no Rio de Janeiro. Até hoje, ela costuma nadar algumas horas diariamente, sempre entre as 7 e as 11 da manhã, e ainda disputa campeonatos nacionais e internacionais entre veteranos, todos na faixa etária acima dos 85 anos, como ela. “Devo à natação uma boa parte da minha longevidade”, acredita Maria Lenk, que é autora de um livro não por acaso intitulado Longevidade e Esporte, lançado em 2003.

Repercussão nacional e internacional

“Maria Lenk, recordista mundial”
(Revista Sport Illustrado, Rio de Janeiro, 19/10/1939)

Bibliografia Longevidade e Esporte
(Maria Lenk, edição da autora, 2003)

 

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