Brasileiros na História
Rogério Sampaio - Judô, peso meio-leve
- Medalha de ouro
- Barcelona 1992
Brasileiros na história
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Rogério Sampaio Cardoso (Santos, SP, 12/9/1967) chegou a Barcelona para disputar a Olimpíada, em 1992, totalmente desacreditado. As previsões apontavam Aurélio Miguel, ouro na categoria meio-pesado em Seul, quatro anos antes, e Shigueto Yamazaki Junior como os únicos judocas brasileiros com chance de subir ao pódio. No entanto, Rogério acabou vencendo seus cinco adversários no mesmo dia, em 17 minutos e 53 segundos. Em três daquelas lutas, Rogério utilizou o o-soto-gari, um dos golpes mais simples do judô, semelhante à conhecida rasteira. Com isso, conquistou o ouro na categoria meio-leve, um dos dois únicos que o Brasil trouxe daqueles Jogos. O outro foi do vôlei masculino.
Primeiro, Rogério derrotou o português Augusto Almeida por ippon, o nocaute do judô. Depois, foi a vez do sul-coreano Kim Sang-Moon, e a seguir o argentino Francisco Morales. A disputa mais difícil foi a semifinal, contra o alemão Udo-Gunter Quellmalz, ninguém menos que o então campeão mundial, derrotado por ter recebido uma advertência do juiz. Eram 22h42 em Barcelona (17h42 em Brasília) quando Rogério venceu seu último oponente, o húngaro Jozsef Csak, por uma confortável diferença de pontos.
Filho de uma família de classe média de Santos, Rogério Sampaio era uma criança hiperativa que começou a praticar judô aos 4 anos por recomendação médica. Aos 16 anos, já era campeão paulista. Seu primeiro título internacional foi o campeonato pan-americano juvenil, disputado no México, em 1985 - resultado que ele repetiria em 1987. Em 1991, foi campeão paulista e brasileiro na categoria leve. Seu irmão, Ricardo, já havia representado o Brasil na categoria dos médios, a mesma de Rogério, na Olimpíada de Seul, em 1988.
Um ano antes dos Jogos de Barcelona, Ricardo, o irmão de Rogério, cometeu suicídio enforcando-se com a faixa preta, após uma briga com a namorada. Depois de ficar dois anos e meio sem lutar em competições oficiais por desentendimentos com os dirigentes do judô, como já havia acontecido com seu amigo Aurélio Miguel, Rogério Sampaio teve que treinar 12 horas por dia durante seis meses para recuperar o tempo perdido e ir a Barcelona. Lá ganhou a medalha de ouro e a dedicou ao irmão.
O ponto forte de Rogério Sampaio era a envergadura: com 1,78 metro de altura, tratava-se do judoca mais alto entre os que estiveram em Barcelona. Quatro anos depois, Rogério Sampaio não conseguiria classificação na seletiva para Atlanta. Aos 28 anos, desmotivado e sofrendo com uma contusão, abandonou os tatames e tornou-se dono de uma academia em Santos e é técnico de judô.



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