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NOVE E NOVE
O homem já está correndo os 100
metros
em menos de dez segundos
Para que se tenha uma boa idéia do que significa correr 100 metros em
menos de dez segundos, basta dizer que êste é pouco mais que o tempo necessário
para a leitura corrente desta frase. E, no entanto, três negros americanos,
Charlie Greene (24 anos), Ronnie Ray Smith (20) e Jim Hines (21), correram
os 100 metros em 9"9 no dia 21 de junho, duranteas provas do campeonato
americano, em Sacramento, Califórnia. Mas o nôvo recorde até hoje não
foi homologado pela Federação Internacional de Atletismo Amador. O que
não é novidade.
Não é possível! Quando o sul-africano Reginald Walker marcou
12"2 em 1909, a Federação não reconheceu seu tempo porque a comissão
homologadora considerou que "o ser humano não pode atingir esta velocidade".
Quando o alemão Ketterer fêz 10"1 em Viena, em 1911, seu recorde
também não foi registrado. Jesse Owens, em 1936, nas Olimpíadas de Berlim,
foi obrigado a correr 10"2 três vêzes para ser, oficialmente, o recordista.
(E então, disse aos jornalistas que nenhum homem correria em menos de
dez segundos, antes das Olimpíadas de 1986.) Em 1960 o alemão Armin Hary
fêz 10" cravados, mas provaram que a pista tinha um declive
de 12 centímetros. Hary fêz 10" mais duas vêzes,
no mesmo ano, até valer. O recorde de Hary tem sido considerado
"a barreira do possível", desde 21 de junho de 1960.
Nestes oito anos, seis atletas igualaram seu tempo. No dia em que o recorde
fêz oito anos, seis atletas correram em 10" e três fizeram
9"9, com vento favorável de 2,8 quilômetros por hora,
inferior ao limite máximo permitido (3 km/h). Antes, no mesmo dia,
Hines já havia feito 9"8, mas o vento soprava forte a seu
favor. A nova marca "continua sendo investigada" e é
provável que siga a tradição: não vai ser
registrada. Mas é possível que a barreira dos dez segundos
caia no México durante as Olimpíadas.
Porque é possível Os técnicos dizem isto por três motivos:
1. Descobriu-se o "ponto ótimo" para o
desenvolvimento humano da velocidade, que é o ponto de
equilíbrio entre a largura da passada e a fôrça do
impulso. Isto é, qual o máximo de impulso que a perna
de trás pode dar ao corredor sem que a abertura da
passada oponha resistência. Êste ponto varia mas
permite passadas de até 3 metros;
2. as pistas do México (como as de Sacramento) são
de "tartan", uma substância sintética que é
mais dura que a pista de terra e mais flexível que a de
concreto. Ela "prende menos a passada" e não
é tão cansativa;
3. a altitude do México torna o ar rarefeito, o que diminui o atrito
e a resistência do ar. Além disto, a gravidade também se torna um pouco
menor. O recorde brasileiro dos 100 metros rasos já tem onze anos e é
do carioca José Teles da Conceição, que em 1957 marcou 10"2, o mesmo
tempo de Jesse Owens 21 anos antes. Nesse ano, outros quatro brasileiros
correram em menos de 11": Armando Silva (Flamengo, 10"5), João
Pires Sobrinho (Flamengo,10"6), e Isoel Rosa Santos (Flamengo, 10"8).
Agora, só dois estão correndo a menos de 11": Anauí A. dos Santos
(Flamengo, 10"7) e Admilson Chitarra (Lavras, 10"8).

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