Foto: Lew Parrella

Prezado leitor:

Onde quer que você esteja, na vastidão do território nacional, estará lendo estas linhas pràticamente ao mesmo tempo que todos os demais leitores do País. Pois VEJA quer ser a grande revista semanal de informação de todos os brasileiros.

Há quase vinte anos, a Editôra Abril lançava sua primeira publicação, O Pato Donald, apresentando — para jovens de tôdas as idades — as estórias maravilhosas das personagens de Walt Disney.

Nos anos seguintes, com o sucesso de uma série de lançamentos (e o insucesso de alguns), crescemos e aprendemos muito. Publicações foram surgindo. Entre outras, Capricho, em 1952, Manequim, em 1959. Em 1960 — junto com a implantação da nossa indústria automobilística —, Quatro Rodas. No ano seguinte, Claudia. Em 1963, Intervalo. E, há pouco mais de dois anos, Realidade.

Agora nasce VEJA. Para fazê-la, selecionamos 100 entre 1.800 candidatos universitários de todos os Estados e realizamos um inédito Curso Intensivo de Jornalismo. Ao término do Curso, com cinqüenta dêsses moços e outros tantos jovens "veteranos", formamos a maior equipe redacional já reunida por uma revista brasileira. Enviamos editôres e redatores para o exterior a fim de observar as principais revistas congêneres em ação. Abrimos ou ampliamos escritórios regionais em tôdas as grandes cidades do País e montamos uma complexa rêde de telecomunicações para mantê-los em contato constante com a redação em São Paulo.

Para a cobertura internacional, contratamos os serviços de agências noticiosas e revistas de prestígio mundial: "Paris-Match", da França; "Newsweek", dos Estados Unidos; "Epoca", da Itália; e "Der Spiegel", da Alemanha. Finalmente, no decorrer dos últimos três meses, preparamos treze edições experimentais completas — com capa, texto, fotos e anúncios —, a fim de treinarmos para a grande jornada que hoje se inicia.

O Brasil não pode mais ser o velho arquipélago separado pela distância, o espaço geográfico, a ignorância, os preconceitos e os regionalismos: precisa de informação rápida e objetiva a fim de escolher rumos novos. Precisa saber o que está acontecendo nas fronteiras da ciência, da tecnologia e da arte no mundo inteiro. Precisa acompanhar o extraordinário desenvolvimento dos negócios, da educação, do esporte, da religião. Precisa, enfim, estar bem informado. E êste é o objetivo de VEJA.

Devemos esta revista — em primeiro lugar — aos milhões de leitores que através dos anos têm prestigiado nossas publicações. Às classes governantes, produtoras, intelectuais que reclamaram da Abril êste lançamento. Aos jornalistas, que com dedicação e espírito profissional o tornaram possível. Aos quase mil gráficos que participam, entusiàsticamente, de seu complexo esquema de produção semanal. Aos distribuidores, jornaleiros e transportadores que aceitaram o desafio de vencer as enormes distâncias nacionais na corrida até as bancas, tôda segunda-feira. E às agências e aos anunciantes que tomaram todo o nosso espaço disponível sem sequer conhecerem o projeto final da revista, numa comovedora prova de confiança. Conscientes da responsabilidade assumida ao editar VEJA, dedicamos a revista a tôdas essas pessoas. Ao Brasil de hoje e de amanhã.

Victor Civita




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