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Genética
Para Vaticano, célula sintética é 'motor muito bom, mas não é vida'
A criação da primeira célula viva dotada de um genoma sintético abre caminho para a fabricação de organismos artificiais (Reprodução Science)
O jornal do Vaticano L'Osservatore Romano, ao referir-se nesta sexta-feira à criação da primeira célula viva dotada de um genoma sintético, afirmou: "É um motor muito bom, mas não é a vida". O jornal publica na primeira página a descoberta científica e confia ao pediatra Carlo Bellieni a tarefa de fazer o primeiro comentário oficial da Santa Sé.
Trata-se de "um trabalho de engenharia genética de alto nível", mas "na realidade, a vida não foi criada", só "houve uma substituição em um de seus motores", escreveu o médico. "Mais além das proclamações e das manchetes, foi conseguido um resultado interessante que pode ter aplicações e regras, como acontece com tudo o que toca o coração da vida", afirma.
Ao destacar que "a engenharia genética pode trabalhar para o bem", entre outras questões no tratamento de "enfermidades cromossômicas", o médico pede "muita precaução". "As ações sobre o genoma podem - e o desejamos - curar, mas entram num terreno muito frágil no qual o entorno e a manipulação desempenham papel que não deve ser subestimado", destaca Bellieni. "O DNA não é um motor do qual se muda um êmbolo, mas uma parte do ser vivo no qual estímulos inoportunos, embora realizados com boa intenção, podem 'apagar' os genes de forma inesperada", explica, recordando as preocupações com "os possíveis desenvolvimentos futuros dos organismos geneticamente modificados".
Pesquisa - A criação da primeira célula viva dotada de um genoma sintético foi revelada nesta quinta-feira, abrindo o caminho para a fabricação de organismos artificiais, segundo os autores da pesquisa realizada nos Estados Unidos.
O trabalho, que deverá entrar para a história como um dos maiores (e mais polêmicos) feitos científicos da biologia moderna, foi capitaneado pelo sempre audacioso (e polêmico) Craig Venter, cientista americano que ajudou a sequenciar o genoma humano, dez anos atrás.
Nesta pesquisa, Venter pegou o genoma sequenciado de uma bactéria, fez uma cópia "sintética" desse genoma, transplantou essa cópia para o corpo de uma célula inerte (sem DNA), e essa célula passou a ser viva, funcionando e multiplicando-se como se fosse a bactéria original.
(Com AFP e Agência Estado)







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