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Jogos clássicos do tabuleiro migram para tablet e celular

Estrela e Grow preparam o lançamento de aplicativos do Banco Imobiliário e War, entre outros. Estratégia foi bem-sucedida entre companhias do exterior

James Della Valle
Tabuleiros: Estrela está pronta para digitalizar seus maiores sucessos

Tabuleiros: Estrela está pronta para digitalizar seus maiores sucessos (Reprodução/VEJA)

Clássicos do tabuleiro como Banco Imobiliário e War marcaram a infância de muita gente com mais de 30 anos, mas, com o tempo, viraram apenas boa lembrança em reuniões entre amigos. Por outro lado, quem tem menos de 30 anos pode até conhecer esses títulos em versões para internet, mão dificilmente os têm como favoritos. Campeãs de outros tempos nos jogos de tabuleiro, as empresas Estrela e Grow querem mudar essa história: planejam repetir o velho sucesso no novo formato – aplicativos para smartphones e tablets.

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Prestes a completar 75 anos, a Estrela deve ser a primeira a lançar seus produtos mais famosos em plataformas móveis. "Temos várias grifes, jogos que são verdadeiros ativos para a companhia. Eles têm um potencial muito grande no mundo digital", diz Aires Fernandes, diretor de marketing da companhia.

A empresa conta com mais de 400 produtos em sua linha, mas não é difícil descobrir quais deles serão escolhidos para a migração. De acordo com Michel Lent, vice-presidente de estratégia do Grupo .Mobi, produtora responsável pela criação dos aplicativos para a Estrela, os primeiros títulos a entrar no mercado serão o Banco Imobiliário, o Jogo da Vida e o infantil Pula Macaco. "A nossa ideia é colocar esse projeto no ar até o fim de maio", diz. Para facilitar a comercialização dos produtos, os desenvolvedores do projeto – batizado Estrela Digital – estão criando uma loja virtual, que vai adotar uma moeda própria. "Ela funciona como uma 'mesada' dos pais para os filhos, que terão crédito para usar em jogos", diz Lent.

Divulgação/.Mobi

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As atrações da Estrela Digital devem ficar disponíveis primeiro para o iOS, sistema operacional do iPhone. Em seguida, vão se expandir para o sistema Android, do Google. "Queremos montar um ambiente multiplataforma integrado, que permita à familia se reunir na sala para jogar. Tablets e smartphones vão conversar com Smart TVs, por exemplo", diz João Carvalho, sócio-diretor de negócios da .Mobi. "Além dos dispositivos móveis, queremos marcar presença também nas redes sociais."

A Grow ainda mantém seu projeto virtual sob relativo sigilo. Mas é certo que a empresa o apresente até o fim do ano. "Estamos conduzindo estudos de viabilidade, com o objetivo de minimizar riscos para o negócio. Mas os primeiros jogos saem ainda em 2012", diz Gustavo Arruda, gerente de marketing da empresa.

Os fãs do tabuleiro

Alexander Tadeu, 30 anos, publicitário
"Esses jogos marcaram minha infância. As partidas de Banco Imobiliário sempre acabavam com alguém jogando o tabuleiro para o alto. Se eles chegarem aos tablets, vão precisar de um modo multiplayer."

Tathiana Trocoli, 27 anos, fisioterapeuta
"Essa é uma ótima forma de fazer com que as pessoas voltem a usar os jogos clássicos de forma moderna. Com certeza, os apps vão resgatar uma grande diversão e conquistar um público novo."

A companhia já debutou no mundo virtual. Desde 2006, mantém contrato de licenciamento com o portal Gametrack, que explora na internet a fama de jogos como Super Trunfo, War e Imagem em Ação. "O portal arca com os custos de desenvolvimento e manutenção e nos paga royalties. Acompanhamos o desenvolvimento dos produtos para garantir a fidelidade ao original", diz Arruda. Os resultados mostram que a migração do tabuleiro para o virtual vale a pena: por mês, o site registra mais de 250.000 partidas entre jogadores. Os jogos da Grow como War e War 2 são responsáveis por 40% daquela audiência.

Para Delmar Galisi, coordenador do curso de design de games da Universidade Anhembi Morumbi, a movimentação virtual das gigantes do tabuleiro deve animar o mercado local de games. "Elas têm um capital muito grande junto ao público", diz Galisi. Esse capital deve ser ainda potencializado pela nostalgia entre os mais velhos. "Sem dúvida, quem cresceu atravessando noites em partidas de Banco Imobiliário ou War vai se interessar pela nova roupagem dos jogos."

Se fizerem bem a migração para o ambiente virtual, as empresas brasileiras podem seguir os passos bem-sucedidos da americana Hasbro – responsável pela criação do título Monopoly, um dos mais jogados no mundo, disponível para iOS e Android. No iPad, o Monopoly ocupa o posto de número 47 no ranking de aplicativos pagos mais acessados. É um feito, uma vez que há milhares de opções.

Já a companhia francesa Days of Wonder – criadora de títulos como Ticket to Ride, onde usuários competem recriando linhas históricas de trens, e Small World, baseado na conquista de territórios – descobriu que o mundo virtual pode abrir espaço para seus antigos produtos. Segundo Mark Kaufmann, vice-presidente de vendas e marketing da companhia, depois do lançamento de títulos virtuais, a empresa registrou alta nas vendas de seus jogos de tabuleiro. "A presença nos dois ambientes faz com que um produto alimente o outro, o que nos permite melhores resultados nos dois mundos", diz o executivo. Certamente, é o cenário com que sonham Estrela e Grow.

Seis jogos antigos que já ganharam – ou vão ganhar – versões digitais

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1. Banco Imobiliário

Pode ser considerado uma inspiração para os jovens administradores. Criado em 1935, o jogo é um dos mais populares no Brasil e já sofreu diversas alterações com o passar dos anos – ganhando até versões simplificadas. Ele é baseado na compra e venda de propriedades localizadas em bairros nobres de Rio e São Paulo, por exemplo, como Leblon e Morumbi. A especulação imobiliária pode fazer com que uma partida dure horas, dependendo da capacidade de negociação dos jogadores. O Banco é tão influente que ganhou edições temáticas relacionadas ao Bob Sponja e aos Simpsons. Até o fim deste ano, deve aparecer em tablets e smartphones.

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