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Editoras e livrarias se preparam para chegada da Amazon
A cadeia de produção e distribuição do livro deverá ser afetada pela entrada da empresa americana no mercado. E promete reagir
O Kindle: plataforma de leitura e negócios da Amazon (Divulgação)
O primeiro passo da Amazon no Brasil será oferecer ao mercado local 5.000 livros em formato eletrônico em língua portuguesa. Será um importante incremento, uma vez que a Saraiva, maior rede de livrarias do país, e a Cultura, a mais bem equipada do ponto de vista de acervo, oferecem cerca de 3.000 títulos em português cada – além de aproximadamente 230.000 em outras línguas. Mas a Amazon poderá dar escala ao processo. Em sua loja virtual, estão à disposição de consumidores nada menos do que 950.000 e-books. A velocidade em que essa evolução se processará aqui dependerá em boa medida da decisão dos editores, detentores dos direitos de publicação das obras já editadas no país.
Leia mais: Amazon está chegando ao Brasil. E não vai vender só livros
No Brasil, a empresa americana negocia com diversas editoras. É o caso de empresas de peso como Record, Objetiva e Ediouro. O objetivo das conversas é convencer as brasileiras a entrar de cabeça em seu sistema: em outras palavras, vender seus livros a partir de sua loja virtual, no formato compatível com o leitor Kindle. Alguns frutos desse trabalho já estão pendurados na árvore da Amazon. Segundo Newton Neto, diretor da Singular Digital, braço da Ediouro para operações eletrônicas, cerca de 120 e-books da editora já estão disponíveis na livraria americana.
Os editores brasileiros garantem que o negócio interessa. Mas, na prática, são cautelosos e evitam tratá-lo como tábua de salvação do segmento editorial local. "Levamos muito a sério as novas tecnologias", diz Roberto Feith, presidente da Objetiva. "Mas a internet, e suas variantes, se configura apenas como mais um canal de vendas", completa o executivo. Sérgio Machado, presidente da Record, sintetiza o impasse entre as partes. "Estamos conversando, mas ainda não encontramos um modelo de parceria que nos pareça satisfatório."
Nos bastidores, comenta-se que as editoras preparam um acordo: não liberar para venda na Amazon seus bestsellers (ou candidatos a), principal fonte de receita do setor. Além disso, Objetiva, Record, Sextante, Intrínseca, Rocco e Planeta articularam, em uma espécie de joint venture, a criação de uma empresa responsável pela digitalização de obras e sua distribuição a livrarias: a DLD. É uma tentativa de dominar parte do processo digital.
O modelo de parceria é de fato um dos pontos-chave do trabalhoso processo de migração do papel para o meio eletrônico. Nos Estados Unidos, onde o negócio, é claro, está mais avançado, a Amazon iniciou a operação fixando o preço de "capa" do produto final, pagando um percentual aos editores a cada venda. A intenção da gigante era forçar preços baixos e insuflar o incipiente segmento de livros eletrônicos. O modelo vigorou entre 2007 e 2010, quando a Apple lançou o iPad e a venda de e-books em sua loja virtual. Na proposta de Steve Jobs, os editores determinavam os preços, ficando a loja com a comissão de 30%. A novidade caiu como uma bomba entre as editoras americanas, que pediram a revisão de seus contratos.
A Amazon teve de ceder. E agora adota uma política similar à da Apple. O contrato, contudo, não exige exclusividade. Assim, quando as obras em português caírem definitivamente na loja da Amazon, poderão eventualmente ser encontradas em concorrentes.
Se a vida dos editores está sendo sacudida pela brisa da Amazon, a dos livreiros deve enfrentar um furacão. Ao inaugurar um escritório e uma operação dedicados ao Brasil, a Amazon, um titã que fatura 34 bilhões de dólares ao ano, passará a concorrer diretamente com as empresas estabelecidas aqui. "Acredito que as grandes livrarias estão preparadas para essa nova realidade. Mas as pequenas certamente sofrerão com isso", diz Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).
Saraiva e Cultura já dão como certa a entrada da empresa americana na disputa pelo leitor local. Para contra-atacar, miram no formato de livro digital vendido pela Amazon, só compatível com o leitor de e-books da marca, o Kindle. As livrarias brasileiras apostam em um formato eletrônico chamado ePUB, reconhecido por um grande número de plataformas, como tablets, celulares e computadores que rodam, entre outros, com sistemas da Apple e do Google (Android).
"Estamos criando novos modelos para a distruição digital de conteúdo. Um deles é o livro-aplicativo, que pode ser baixado na Apps Store, da Apple, e, em breve, na versão Android", diz Sergio Herz, presidente-executivo da Cultura. A Saraiva vai no mesmo caminho. E aposta no aumento da oferta de obras. "Estamos trabalhando duro para aumentar nosso acervo em língua portuguesa", afirma o presidente da companhia, Marcílio Pousada.
Atualmente, em consequencia de um acordo firmado entre editoras e livrarias, um e-book custa, no Brasil, 20% a menos do que um livro impresso. Espera-se que a chegada de um protagonista do setor, a Amazon, ajude a derrubar ainda mais esses preços.







Comentários
Marcello Levy
Ainda bem que a Amazon insere a versatilidade no mercado editorial, ao incluir muitas midias. O profissionalismo deles abre grandes lucros tambem para pequenas editoras, dentro da alta procura e retorno percentual de visitas que, com a vantagem do e-book como alternativa, finalmente vai satisfazer os clientes com algo alem d(..)
26.07.2011
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Patricia Seibel
Sou responsavel pela venda de eBooks da editora Kogan Page, em Londres. Ha algumas informacoes incorretas no artigo. 1) a Amazon-Kindle nunca fixou o preco de capa. Este sempre foi estabelecido pelas editoras. A Amazon-Kindle, por sua vez, tinha e tem (por meio de modelo "wholesale") liberdade para fixar o preco final ao con(..)
23.05.2011
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Oscar Silva
Ótima notícia. Espero que os livros daqui para frente sejam realmente acessíveis para os brasileiros...
21.05.2011
gabriella
Meu Deus a Amazon vem com tudo e tecnologia é a tendêcia que mais fica mais prefiro ler meus livros da forma antiga que eu adorooo. Com minhas paginas grifadas... Por muito tempo existem os livros e nenhuma modernidade derrubou, creio eu que vai diminuir as vendas mas não vai acabar... Se isso suceder onde vão ficar as essen(..)
21.05.2011
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Paulo Magalhães
Mesmo com a inserção da tecnologia eletrônica no campo editorial, ainda assim o sabor de abrir um livro tradicional e lê-lo, não pode-se dizer que ficará obsoleto.
21.05.2011