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'Dating apps': paquera anda devagar no Brasil
Apresentação dos aplicativos SpeedDate (esq.), I-DATE, Dating DNA, SKOUT (Divulgação)
Em janeiro, a Apple anunciou que mais de três bilhões de aplicativos haviam sido "baixados" em sua loja virtual, a Apple Store. Os programas - de baixa complexidade e capazes de realizar atividades tão diversificadas como o cálculo da quantidade de carne necessária para um churrasco e a atualização dos dados sobre o clima - estão disponíveis a usuários de iPhone e iPod Touch gratuitamente ou mediante pagamento que varia entre 0,99 e 900 dólares. Nada mais natural que, nesse ambiente, proliferassem aplicativos de relacionamentos, os dating apps.
Utilizando-se de recursos de geolocalização que os smartphones oferecem, os aplicativos cruzam dados de usuários a fim de facilitar a busca pelo parceiro "ideal". É o caso de programas de SpeedDate, o mais popular no Brasil, e o Match.com. Originalmente projetados para a web, as ferramentas ganharam versões simplificadas para plataformas móveis e se tornaram referência na Apple Store. Outros desenvolvedores passaram a criar aplicativos desvinculados de sites - como SKOUT, iDate, iFlirt, iMate e Grindr.
No Brasil, a paquera via aplicativos para celulares anda devagar. Embora seja possível encontrar pessoas cadastradas por aqui, o contato nem sempre é fácil. A razão é simples: os serviços ainda não têm número de usuários suficiente para garantir a felicidade de todos - ou ao menos acenar com a promessa de uma cara-metade. Confira o teste realizado por VEJA com quatro leitores.
Para Ricardo Longo, diretor-geral e fundador da FingerTips, empresa paulista desenvolvedora de aplicativos para smartphones, o crescimento no número de usuários em programas de encontros móveis está diretamente relacionado à base de aparelhos em atividade no país. "Os celulares são caros e os planos 3G, de troca de dados, pouco acessíveis à população de menor renda", explica Longo. "O mercado pode se tornar mais favorável a partir do momento que a base de celulares aumentar e a infra-estrutura melhorar."
Bruno Ancona Lopes, presidente da agência de engajamento digital Foreplay, faz uma comparação para iluminar a questão. "O Facebook só passou a ter graça para mim depois que boa parcela dos meus amigos e contatos aderiu. Nesses novos apps, como os de dating, temos a sensação de estar em uma cidade fantasma, onde as coisas parecem promissoras, mas ainda não são."
Há outro fator a desanimar a vida dos paqueradores de celular: programas voltados exclusivamente para a paquera são considerados constrangedores por muita gente. "Trata-se de uma questão cultural. Nos Estados Unidos e na Europa, as pessoas não se importam em convidar um parceiro potencial para sair através de um aplicativo. Já no Brasil, quando solteiro, você pede para um amigo lhe apresentar alguém", completa Lopes.
(Por Renata Honorato)







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