09/10/2009 19:43
Por CecÃlia Araújo

Imagine a seguinte cena: diante de um computador, uma garotinha de quatro anos não se intimida. Ela ainda não foi alfabetizada, mas consegue copiar de um pedaço de papel, letra por letra, o nome da boneca Barbie. Coloca tudo ali no campo de pesquisa de um site de buscas e pronto: encontra o que procura e vai brincar on-line. Não é raro pais e mães assistirem a isso com uma mistura de admiração e surpresa. Estamos falando de meninos e meninas que conjugam os verbos deletar, digitar e clicar desde muito cedo. Não é qualquer brinquedo, portanto, que vai agradar crianças com essa desenvoltura tecnológica. Para deslocar a atenção que os pequenos dedicam a videogames e outros jogos eletrônicos, além de celulares e computadores, os passatempos têm de ser muito, muito, muito sedutores. Se há algumas décadas bonecos e miniaturas eram puramente contemplativos, a geração high-tech agora pilota carros de controle remoto que se transformam em helicópteros e cuida de bonecas que nadam quando mergulhadas na água ou crescem, como se fossem de verdade.

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"O brinquedo espelha o que a sociedade vivencia na moda, na cultura, na tecnologia", diz Aires Leal Fernandes, diretor de marketing da Estrela. A emancipação da mulher, a aglomeração nos centros urbanos e o aumento da violência são fatores que ajudam a determinar a forma como a tecnologia é incorporada ao mercado dos passatempos infantis. "Crianças confinadas, solitárias e cada vez mais bombardeadas por diversas mÃdias e informações compõem um novo público cada vez mais difÃcil de agradar", admite. Neste ano, a Estrela colocou no mercado 182 novos produtos. Para o ano que vem, a previsão é que esse número supere 200. Até linhas já consolidadas tiveram de se adaptar à nova demanda. "O Autorama, por exemplo, que é um clássico dos anos 60, foi todo retrabalhado. Hoje, ele produz sons de carros de Fórmula 1 de verdade e simula situações de colisão. Se um deles queima a largada, toca uma sirene e o guiador perde o controle do carro". Outro exemplo é a boneca Susi. Antes estática, agora se movimenta e possui diferentes funções.
CecÃlia Aflalo, coordenadora do Guia do Brinquedo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), lembra que há alguns anos as variações das brincadeiras entre crianças de diferentes classes e localidades eram muito menores. "Minha geração, por exemplo, passava grande parte do tempo brincando na rua. Agora, as crianças não precisam mais sair de casa para brincar. Ficam entretidas com objetos tecnológicos, como a televisão, o computador e o videogame." Nas grandes cidades, avalia CecÃlia, essas questões são mais visÃveis. No interior, o acesso a brinquedos industrializados e tecnológicos ainda é menor, e as crianças preservam por mais tempo a essência e a espontaneidade de brincar. "O ideal seria balancear um pouco dos dois lados", pontua.
Criança internauta é mais inibida? - A tecnologia facilita a vida dos pais, muitas vezes agitada e sem tempo para brincar com os filhos. Porém, segundo pesquisadores, o isolamento social promovido pelos jogos eletrônicos pode acabar inibindo o desenvolvimento psicológico dos pequenos. "O brinquedo deveria ser uma atividade social, ao contrário do que propõem os jogos eletrônicos e de computador, que deixam a criança isolada. Ao jogar videogames, por exemplo, ela só interage com personagens virtuais", reflete Yara Grottera, diretora da Bureau Kids, que analisa tendências relacionadas ao público infantil.
Em pesquisas realizadas com grupos de crianças, Yara percebeu que a capacidade de se relacionar é diferente entre as "internautas" e aquelas que fazem do brincar uma atividade social. "As crianças que não possuem limites para jogar no computador ou ficar na frente da TV têm uma inibição maior no grupo. Elas geralmente não sabem se defender e observam mais que atuam. Precisam de estÃmulo para conversar e só falam quando estão acostumadas com tema. Caso contrário, preferem ficar caladas, pois não têm a prática do se expor e suas consequências, como receber crÃticas, por exemplo", relata.
Segundo Aires Leal Fernandes, da Estrela, é papel também da indústria de brinquedos buscar alternativas para fazer com que as crianças socializem. "Uma aposta são os jogos de tabuleiro e os cartonados, que possuem a vantagem de promover encontros. Depois do ano de 2000, o crescimento da procura por esses jogos tem sido progressivo", revela. Apesar da ausência de pesquisas formais que comprovem, Fernandes acredita que o aumento da procura chega a ser de 5 a 8% ao ano.
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Singing in the rain
Zumbilândia, Invictus, Nine
e O Fim da Escuridão
Insensatez
Educação de quarto mundo
As séries médicas de maior sucesso na TV
As trocas de moedas no pais nas últimas décadas