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Novelas: as tramas que marcaram os brasileiros

19/01/2009 09:04

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Os noveleiros de todo o Brasil contaram as horas para acompahar o desfecho da novela A Favorita, da TV Globo, na última sexta-feira. Depois de acompanhar os 228 dias da trama de João Emanuel Carneiro, o público estava ansioso para ver a justiça ser feita com a vilã mais expressiva dos últimos tempos: Flora, interpretada por Patrícia Pillar. Antes da revelação sobre quem era a malvada da história - Flora ou Donatela -, o sucesso do folhetim estava em dúvida. A reviravolta, porém, aconteceu quando a personagem de Patrícia Pilar se revelou a assassina. A novela chegou aos 46 pontos de audiência. Os números de A Favorita seguiram uma escala ascendente. Quando Dódi foi assassinado por Flora, o pico no Ibope foi de 54 pontos, o maior índice registrado por uma novela nos últimos cinco anos.

Não é de hoje que os brasileiros nutrem uma paixão pelas novelas. Tramas famosas que de alguma forma fizeram parte da vida das pessoas foram assunto de dezenas de reportagens publicadas por VEJA. Há 40 anos, a novela do cafajeste bicão Beto Rockefeller conquistou altos índices de audiência chegando até a cair no gosto do público masculino. "Por ser fraco e humano, Beto seduziu novos espectadores, muitos jovens e maridos que só pressionavam os botões da tevê para os vídeotapes do futebol ou noticiosos", dizia VEJA na edição de 7 de maio de 1969. Segundo a revista, esse tipo de atração havia se tornado uma "epidemia nacional". Naquele ano, no horário nobre da televisão brasileira (das 18h30 às 22h), 80% dos 3,5 milhões de televisores do país estavam sintonizados em novelas. VEJA mostrou também que até mesmo o grau de utilização da rede sanitária registrou uma queda no horário de exibição dos folhetins.

Em 1972, as páginas de VEJA registraram outro feito histórico: o último capítulo de Selva de Pedra obteve audiência total em uma cidade, o Rio de Janeiro. Naquele dia, 77% das 1,158 milhões TVs cariocas estavam sintonizadas na Globo, enquanto as concorrentes, Tupi e Rio, tinham 0% de audiência. O clímax na novela de Janete Clair aconteceu quando Cristiano (Francisco Cuoco) descobriu que Simone (Regina Duarte) havia assumido a identidade de sua irmã, morta na infância. Apesar do domínio crescente da TV Globo na área, em 1973 a Tupi conseguiu retomar seu espaço e mostrar que ainda tinha potencial para tentar evitar o monopólio da emissora carioca. Com o mistério que envolve as gêmeas Ruth e Raquel, personagens de Eva Wilma, Mulheres de Areia voltou conquistar 20% da audiência no horário das oito. Na edição de 16 de maio daquele ano, VEJA explica porque a trama de Ivani Ribeiro conseguiu atrair os telespectadores que haviam abandonado o canal.

Os imprevistos vividos por Porcina, papel de Regina Duarte, e Sinhozinho Malta, interpretado por Lima Duarte, em Roque Santeiro, atraíram a atenção de 60 milhões de pessoas, atingindo o maior índice de audiência já registrado por uma telenovela da Globo. O sucesso do folhetim escrito por Dias Gomes e Aguinaldo Silva ganhou destaque e foi capa da edição de 2 de outubro de 1985 de VEJA. O texto ainda relata os bastidores da novela e dá explicações para seu sucesso. "Quem matou Odete Reutemann?" A pergunta que marcou o ano de 1988 ficou para a eternidade. Até mesmo aqueles que não acompanharam a novela Vale Tudo ficaram curiosos em saber a identidade do assassino da maléfica personagem, interpretada pela atriz Beatriz Segall. Para driblar a curiosidade dos brasileiros, os autores criaram cinco finais diferentes. O suspense era tanto que a decisão final sobre qual seria o escolhido só aconteceu alguns minutos antes do último capítulo ser exibido. "A charada promete fazer crescer ainda mais a audiência da novela. De sua estreia até agora, Vale Tudo já conquistou pontos mais altos que suas três antecessoras", disse VEJA em 21 de dezembro de 1988.

A estreia de Tieta, baseada na obra de Jorge Amado, trouxe novas esperanças para a audiência da Globo, que já estava desgastada com as tramas usuais. A edição de VEJA de 6 de setembro de 1989 afirmou que o lançamento da novela era o "melhor presente que os espectadores do horário das 8 poderiam receber depois de meses de agonias passadas diante de sua antecessora, Salvador da Pátria". Com menos de três semanas no ar, a novela prometia agradar o público por consagrar a "beleza nordestina", encontrada nos sucessos Roque Santeiro e Gabriela. No início dos anos 1990, a guerra pela audiência tomou conta das emissoras brasileiras. Acostumada a reinar no mundo das telenovelas, a Globo viu seu império ameaçado com a popularidade crescente de Pantanal, da Rede Manchete.

O fenômeno foi avassalador: a emissora carioca chegou a ocupar o terceiro lugar na audiência e reagiu fazendo alterações em sua programação do horário nobre. Do dia para noite, Cristiana Oliveira se transformou na selvagem e sensual Juma. A batalha entre as as emissoras e o sucesso do folhetim mereceu destaque nas páginas de VEJA de 9 de maio de 1990. No ano seguinte, a Globo enfrentou o mesmo problema - desta vez, porém, com a novela infantil Carrossel. Em sua edição de 6 de junho de 1991, VEJA mostrou como os 20 pontos de audiência atingidos pelo folhetim mexicano comprometeram o ibope do Jornal Nacional e obrigaram a emissora a reformular a novela O Dono do Mundo. Na ocasião, a revista registrou que nunca antes na história da Globo alguma atração havia batido de frente com os carros-chefes de sua programação.

A novela, que tinha a bela professora Helena, a riquinha e metida Maria Joaquina e o pobre negro – que queria ser branco - Cirilo, foi responsável por dar um baque na emissora carioca. "No horário das 8, são os filhos que têm o direito de xingar, gritar brigar e espernear para assistir o programa de sua preferência", dizia a reportagem. Em 1995, apostadores de todo o Brasil deram seu palpite sobre a identidade do assassino da novela A Próxima Vítima. Depois de 150 horas de mistério, a trama global conseguiu sustentar o suspense e a audiência – que atingia até 60 pontos – e chegou ao fim sem que os espectadores tivessem alguma prova concreta contra o responsável pela morte de onze pessoas. Nomes de suspeitos como o de Carmela, Alfredo, Juca, Nina e até a "bonitona do Morumbi" eram ouvidos em supermercados, restaurantes e rodas de conversas.

O grande desfecho permaneceu desconhecido até o último minuto. "Nenhum dos atores saberá quem é o culpado antes da gravação. Num procedimento inédito, o nome do assassino será soprado pelo diretor Jorge Fernando no ouvido do detetive exatamente na hora de solucionar o grande mistério", dizia a reportagem de 1 de novembro de 1995. Os anos 2000 também tiveram tramas marcantes. Em 10 de janeiro de 2001, o sucesso de Laços de Família, de Manoel Carlos, mereceu destaque e foi capa de VEJA. Diariamente, cerca de 32 milhões de pessoas acompanhavam a novela das oito. A cena que mais chocou os brasileiros foi a que a Camila, personagem da atriz Carolina Dieckman, teve que raspar a cabeça por conta de uma leucemia.

Dois anos mais tarde, os temas polêmicos tratados em Mulheres Apaixonadas fizeram com que a novela batesse um novo recorde: 35 milhões de espectadores. Na edição de 9 de julho de 2003, VEJA mostra como assuntos como violência doméstica, lesbianismo e alcoolismo garantiram à novela de Manoel Carlos uma média de 50 pontos de ibope (com picos de 58). Apesar de números altíssimos registrados pelas novelas globais, o grande recorde atual de público aconteceu durante a novela Senhora do Destino. As intrigas entre a mocinha Maria do Carmo (Suzana Vieira) e a vilã Nazaré (Renata Sorrah) foram assistidas por 45 milhões de pessoas. Segundo reportagem de VEJA de 9 de fevereiro de 2005, a cada 100 televisores, 80 estavam ligados na novela. Adesão assim aconteceu somente cinco anos depois, com o sucesso tardio da novela A Favorita.

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