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'Raj é o galã', diz o ator Rodrigo Lombardi

28/05/2009 07:00

'Raj é o galã', diz o ator Rodrigo Lombardi (Divulgação)
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Por Silvio Nascimento

Assim que Rodrigo Lombardi, na pele de Raj, entrou em cena, as paulistanas Marisa, de 72 anos, a filha Lilian, de 48, e a neta Thassia, de 19, pregaram os olhos na tela da televisão. Mulheres de três gerações diferentes imediatamente suspiraram e exibiram um brilho no olhar. Esse é o poder que Lombardi mostra todas as noites em Caminho da Índias, o de ser protótipo do homem perfeito, marido ideal, filho atencioso. "A identificação com uma pessoa do bem (Raj) não tem idade", diz com voz pausada e modéstia o ator de 32 anos, torcedor fanático do São Paulo, tirando de si o título de galã e passando-o ao personagem de Gloria Perez.

Aos 19 anos, ele foi para os Estados Unidos num intercâmbio e sonhava em ser jogador de vôlei. "Mas não cresci e então desisti." Depois de ralar bastante - foi agente de viagem, garçom e contrarregra, entre outras ocupações -, participou do grupo de teatro Tapa. Fez várias peças, como Medéia, de Jorge Takla, A Madrágora, de Eduardo Tolentino de Araújo, e Ricardo III, de Jô Soares. Em 1998, conseguiu papel em meu Pé de Laranja Lima, na Bandeirantes, e em 2002 fez Marisol, no SBT. E a vida começou a mudar ao cravar três novelas na Globo: Bang Bang (2005), Pé na Jaca (2006) e Desejo Proibido (2008). Já faz parte do primeiro escalão global, tem a agenda lotada, mas não abre mão da família. Ele concedeu a seguinte entrevista numa churrascaria no Rio, num domingo, onde estava com os sogros, a mulher, Betty Baumgarten, e o filho, Rafael, de pouco mais de um ano, enquanto esperava a chegada do padrinho do menino, o ator Marco Ricca.

O que atrai tanto mulheres de todas as idades quando você entra em cena?
O meu personagem representa a verdade, a serenidade... É o protótipo da sinceridade, sempre é a pessoa do bem, que só faz o bem e eventualmente cai nas armadilhas dos outros. E a identificação com uma pessoa de bem não tem idade.

Que faixa de idade você acredita que mais fica sensível com isso?
Eu fiquei impressionado com a abordagem das mulheres entre 40 e 45 anos. Realmente fiquei surpreso, são as que mais me param nas ruas, que vêm falar comigo, fazer algum comentário.

E por quê?
Acho que elas estabelecem uma relação entre o modo de vida ocidental e o indiano. A Índia é um país com uma história fantástica, antiga, e que preserva uma série de preceitos culturais muito importantes na formação das pessoas. Há uma aura na sociedade indiana que atrai: a de praticar o bem. Como vivemos num mundo imediatista, acho que elas o comparam com a "paciência" indiana e talvez acreditem que a visão dos indianos leva a uma vida melhor. Creio que isso serve para os mais velhos, que já têm mais experiência e por isso fazem comparações.

Como você encarou o crescimento do personagem?
Existe essa impressão de que o personagem cresceu de repente, porque não me viam como protagonista. Mas não é bem assim. Fui chamado para esta novela para ser protagonista, para ser uma das pontas do triângulo, isso já estava previsto. Então não é uma surpresa.

O que você tem em comum com o personagem?
Muita coisa. Mas acho que principalmente a tranquilidade. Esse ritmo de vida mais calmo. Sou um cara mais desacelerado, mais tranquilo, apesar da correria atualmente. Mas aprendi com o personagem e também confirmei outras coisas, como fazer o bem apesar de qualquer coisa.

O que você está deixando de fazer por causa do Raj?
Tudo. Acordo, tomo café, que nem é meu costume, mas estou me forçando a isso. Saio de casa e meu filho ainda está dormindo. E quando volto, ele já está dormindo. Praticamente só trabalho. De segunda a sábado.

E você encara isso na boa?
Olha, no começo chorei muito por isso, mas agora, não. Sei que isso tem data marcada para acabar. E penso só no trabalho, agora sou só trabalho. Tenho amigos que reclamam que não retorno as ligações, família, enfim, realmente é difícil, mas preciso me concentrar. Se fosse parar para pensar na vida pessoal agora, deixaria de dormir. E não posso me dar o luxo de não dormir quando tenho de trabalhar tanto. As gravações não têm hora, é preciso sempre estar pronto para fazer as cenas, porque obedecem ordem de cenário.

Você assiste à novela?
Quando chego a tempo em casa, assisto. É muito importante para corrigir algo, acertar uma cena mais à frente. E também para entender o ritmo da trama, dos outros núcleos, enfim, para saber a "música" da novela, e ter uma noção geral da história, pois gravamos por cena e em núcleos diferentes. Por exemplo, em um momento quem está crescendo na trama é o meu "irmão", o Caio Blat. Isso quer dizer que não adianta eu querer me superar, dar 110%, porque o momento é outro. Assim como na vida, não podemos e não conseguimos dar o máximo o tempo todo, é preciso ter equilíbrio. 

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