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Quadrinhos: história para gente grande

05/05/2009 18:09

Por Maria Carolina Maia

História em quadrinhos é coisa de criança, certo? Errado. Com espaço crescente nas livrarias, nos catálogos de editoras e também no cinema, onde inspira um filão de blockbusters, as HQs atraem um público cada vez maior e parecem até desafiar a crise econômica mundial: só na rede de livrarias Saraiva, a venda de obras do gênero subiu 40% no primeiro trimestre deste ano. "Vivemos um momento de produção de HQs sem paralelo na história", diz o editor André Conti, da editora Companhia das Letras, que neste mês estreia o selo Quadrinhos na Cia., dedicado exclusivamente à chamada nona arte. Confira: especialistas indicam 12 obras fundamentais de HQs para você ler.

O selo não representa a primeira incursão da editora no segmento, mas é uma espécie de atestado do bom momento. Dois exemplos: Maus, obra-prima de Art Spielgman que conquistou o prêmio Pulitzer de literatura em 1992, vendeu 15.000 exemplares; Santô e os Pais da Aviação, do paulistano Spacca, 30.000 - números bem superiores à média do mercado editorial nacional. Devido ao bom desempenho, a partir de agora, os títulos em quadrinhos deixam de fazer parte do catálogo juvenil da editora para ganhar espaço próprio.

O Quadrinhos na Cia. sai com quatro títulos: Nova York, reunião de quatro livros de Eisner, O Chinês Americano, premiado trabalho de Gene Luen Yang, Jubiabá, adaptação do romance homônimo de Jorge Amado feita por Spacca, e Retalhos, do americano Craig Thompson. No forno, estão Jimmy Corrigan, o Garoto mais Esperto da Terra, de Chris Ware, que está sendo traduzido pelo escritor Daniel Galera, e Cachalote, uma parceria entre Galera e o ilustrador Rafael Coutinho.

As razões para a expansão dos quadrinhos são diversas, segundo agentes do mercado. Nem todas parecem satisfatoriamente elucidadas, porém. Entre elas, estão a explosão das graphic novels (romances gráficos, na expressão cunhada por Will Eisner, mestre da área), e a invasão dos gibis japoneses. Além disso, leitores que no passado compravam revistinhas nas bancas com o dinheiro do pai agora se abastecem sozinhos. Há ainda influência dos sucessos de cinema baseados nas HQs, realimentando o gênero.

"O espaço dos quadrinhos nas livrarias hoje é maior do que foi nos anos 80, quando houve uma certa euforia no segmento, dissipada já na década seguinte", afirma Rogério de Campos, da editora Conrad. A empresa é uma especialista no assunto: criada em 1993, investiu a fundo no gênero a partir de 1999, e agora 80% de seu faturamento vem daí. "No início, dava um trabalho enorme explicar para as livrarias que obras como as do cartunista Robert Crumb (de Fritz the Cat e Mr. Natural) não deveriam ficar entre os títulos infantis", lembra Campos. "Agora, estamos vivendo o melhor momento da história dos quadrinhos", complementa.


 

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