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Produção ignora crise e sonha com 'salto' em 2009
05/03/2009 07:00
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| Glória Pires e Tony Ramos em cena de 'Se Eu Fosse Você 2' |
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Por Maria Carolina Maia
A exclusão de Última Parada 174 da lista de candidatos ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 2009 e o desempenho morno das produções nacionais nas bilheterias no ano passado parece não ter desanimado o mercado cinematográfico brasileiro. De acordo com estimativas do diretor-presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine), Manoel Rangel, a produção local respondeu por pouco mais de 10 milhões de entradas, algo entre 11% e 12% de todos os ingressos comercializados no país em 2008. Nos cálculos de Rangel, se 2009 continuar como começou - com o recorde de Se Eu Fosse Você 2, o filme mais visto desde a chamada "retomada", com 5.324.387 espectadores -, a fatia verde-e-amarela pode chegar a 15% da bilheteria total. (Clique aqui para conferir os campeões de bilheteria da retomada.)
Produtores, distribuidores e especialistas no assunto também estão otimistas, e alguns esperam até mesmo um "salto" na participação brasileira de mercado neste ano. "Eu tenho certeza de que vai crescer, devido ao elenco de produções que vai entrar em cartaz", aposta Maurício Ramos, produtor da VídeoFilmes, a empresa dos irmãos Walter e João Moreira Salles. "Acho que a gente pode superar significativamente a performance do ano passado. Podemos dar um salto", diz. Roberto Berliner, diretor da produtora TV Zero, que prepara longa sobre a ex-prostituta Bruna Surfistinha, faz coro. "O mercado está em plena expansão, e o cinema nacional tem muito espaço para crescer junto ao público."
Hits - Bruno Wainer, diretor-geral da Downtown Filmes, distribuidora focada em filmes brasileiros, vai mais longe. "Talvez este seja o melhor ano do cinema nacional desde a retomada." Responsável pela distribuição de Meu Nome Não É Johnny, o campeão nacional de 2008, a Downtown Filmes cresceu mais de 300% em número de ingressos vendidos no ano passado, em relação a 2007. Já o roteirista e diretor Paolo Gregori é mais cauteloso, e acredita que 2009 não será diferente de 2008. "Acho que o desempenho do cinema nacional vai se manter no mesmo patamar dos últimos dois anos, e pode ser que a receita caia com a crise."
Mesmo que as previsões otimistas se concretizem, a performance nacional ainda ficará distante do desempenho de 2003, quando a participação brasileira foi de 21%, o auge da retomada. Aquele foi o ano de Carandiru (4,69 milhões de entradas), Lisbela e o Prisioneiro (3,17 milhões), Os Normais (2,99 milhões) e Maria, Mãe do Filho de Deus (2,33 milhões), entre outros. "Ao menos seis filmes fizeram mais de 1,5 milhão de espectadores cada em 2003", afirma Rangel, da Ancine. No ano seguinte, conta ele, a fatia caiu a 14,5%, e, de 2005 a 2008, ficou entre 10% e 12%.
Baixinhos - Em 2008, o cinema nacional teve um único hit – Meu Nome Não É Johnny, com 2,16 milhões de pagantes, contra a dupla Tropa de Elite (2,42 milhões) e A Grande Família, o Filme (2,03 milhões) em 2007. Os campeões de bilheteria Xuxa e Renato Aragão não contribuíram para o bolo geral com o peso de costume.
Xuxa em um Sonho de Menina, longa que chegou ao circuito comercial no final de 2007, saiu de cartaz em 2008 com 210.000 espectadores. Já O Guerreiro Didi e a Ninja Lili, de Renato Aragão, teve público de cerca de 329.000, muito aquém do patamar que costumava alcançar, de 1 milhão, pelo menos, segundo Rangel. "O ano passado foi o primeiro em que Xuxa e Didi tiveram um desempenho muito aquém do habitual", reconhece. Os dados ainda devem sofrer alteração quando forem computados os ingressos do programa Vá ao Cinema, pelo qual a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo distribuiu entradas para sessões nacionais.
Mesmo com a crise financeira mundial, a bilheteria nacional como um todo teve um mês de dezembro "excepcional", de acordo com Rangel. Em todo o ano, conta, o mercado brasileiro geral - tanto filmes nacionais como estrangeiros - cresceu 2% sobre 2007. Foram 89,53 milhões de ingressos vendidos, sem contar os do programa Vá ao Cinema, ante 88,586 milhões no ano anterior. A renda total cresceu um pouco mais, cerca de 3%, de 706 milhões para 727,8 milhões de reais.
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