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PIB da elite do futebol desacelera, mas atinge valor inédito: R$ 1,4 bi
22/05/2009 08:19
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Por Jadyr Pavão Júnior
Não se trata de uma colisão, mas a freada foi brusca. O crescimento da receita dos clubes da elite do futebol do Brasil sofreu uma forte desaceleração em 2008: a queda no ritmo foi de 82%, na comparação com o ano anterior. Mesmo assim, o futebol avançou pelo terceiro ano consecutivo, e acima da economia do país: 6,13% ante 5,1% do Produto Interno Bruto. Dessa forma, o faturamento dos 21 maiores times atingiu a marca inédita de 1,418 bilhão de reais. Confira o ranking abaixo.

Os números são baseados nos balanços oficiais dos clubes e não levam em conta valores de Goiás e Sport (PE), que não enviaram dados à Casual Auditores Independentes, que fez a análise. Desde 2004, a evolução do faturamento dos 21 times de ponta foi de 69,21% (veja quadro abaixo). O resultado esconde sutilezas, segundo avaliação do especialista em marketing e gestão de clubes de futebol Amir Somoggi, da Casual. A principal delas é o avanço das demais receitas frente à proveniente da venda de jogadores - tradicionalmente apontada como tapa-buraco de contas deficitárias e cartolas perdulários.
Analisados em bloco entre 2004 e 2008, os ganhos dos clubes com bilheterias e patrocínio/publicidade cresceram em média 30% e 17% ao ano, respectivamente, ante 12% da venda de jogadores. Em tese, a configuração aponta para o rico modelo europeu - apoiado fortemente em receitas de marketing, mídia e bilheteria. "Na Europa, jogador não é recurso operacional, e sua venda não entra como faturamento", explica Somoggi. "Lá, o grande negócio do futebol é a exibição do próprio futebol, e a maior estrela disso é o jogador".
Outro dado: entre 2007 e 2008, a receita com a transferência de atletas caiu 13%. Contudo, este resultado não deve ser analisado isoladamente. "A crise econômica pode ter exercido sua primeira influência no futebol na janela do inverno", diz Somoggi, referindo-se às transações no fim de 2008. Vale apontar também que, apesar da queda no ano passado, a transação de atletas deu aos cofres dos clubes cerca de 395 milhões de reais - equivalentes a relevantes 28% das receitas das equipes. Portanto, por aqui, jogador ainda é produto valioso aos times. E vendável.

Times - Engordar as receitas com bilheteria e marketing frente às obtidas com venda de jogadores pode ser desejável, mas ainda divide os clubes. Líder do ranking de 2008, o São Paulo registrou alta de 35% no faturamento com seu estádio, o Morumbi, e de 34% com a bilheteria de jogos. Isso ajudou a minimizar a queda de 16% na receita total do clube, puxada pela redução de 60% no faturamento com jogadores. Em situação similar está o arquirrival Corinthians: faturou menos com atletas (62%), mas lucrou mais com patrocínio (30%) e dobrou a bilheteria.
Do outro lado do campo, estão times como o Flamengo e Palmeiras. Os cariocas mediram alta de 200% na transferência de atletas, mas o ganho com ingressos e marketing também subiu: 45% e 26%, respectivamente. Os palmeirenses também se apoiaram na comercialização de craques (alta de 112%), embora patrocínio (+70%) e bilheteria (mais de 100%) também tenham ajudado.
Estima-se que os 21 grandes do futebol respondam por 82% do mercado brasileiro. Assim, a receita total do setor chegaria a 1,7 bilhão de reais. A despeito do faturamento crescente, é pouco provável que os resultados de 2008 retirem do fundo do poço uma parcela dos clubes – que ali se meteram por gastar seguidamente mais do que arrecadam. Em 2007, o déficit da elite nacional foi de cerca de 260 milhões de reais. Em julho, Somoggi publica sua análise levando em conta os gastos de 2008. Aí, ficará mais fácil saber se, após a freada no faturamento, houve algum grande acidente no balanço dos times.
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