Variedades
« voltarQuadrinhos
Desenhista brasileiro indicado ao Oscar dos HQs nos EUA
09/04/2009 09:37
![]() |
Por Maria Carolina Maia
O Brasil vai concorrer de novo ao Eisner Awards, o mais importante prêmio dos quadrinhos americano. E de novo com o paulista Gabriel Bá, desta vez o único quadrinista nacional a disputar o chamado "Oscar das HQs". No ano passado, Gabriel Bá e o irmão gêmeo, Fábio Moon, conquistaram três troféus na San Diego Comic-Con, a convenção do segmento em que é celebrada a premiação: de melhor série limitada (por The Umbrella Academy, uma parceria de Bá com o roqueiro Gerard Way, vocalista da banda My Chemical Romance), de melhor HQ digital (por Sugar Shock, de Moon com Joss Whedon) e de melhor antologia (pela revista 5, que ainda consagrou o também brasileiro Rafael Grampá e os americanos Becky Cloonan e Vasilis Lolos).
Neste ano, Bá disputa três categorias do prêmio, que será entregue em 24 de julho: melhor capista (tanto por Umbrella Academy como por Casanova), melhor desenhista (Umbrella Academy) e melhor álbum gráfico - republicação (Umbrella Academy: Apocalypse Suíte). Confira a lista completa de indicações no site da premiação. Umbrella Academy é composta de dois números - cada número da série tem seis histórias e o primeiro, que venceu o Eisner no ano passado, é de 2007.
Fábio é convidado oficial do evento, onde vai dar palestra. Premiados com o Jabuti 2008 pela adaptação em quadrinhos de O Alienista, conto de Machado de Assis, e convidados a discutir quadrinhos numa mesa específica da Festa Literária Internacional de Parati (Flip) deste ano, os irmãos gêmeos vivem o melhor momento da carreira.
Abaixo um bate-papo com Gabriel Bá.
VEJA.com - Além do Eisner, em 2008 a série The Umbrella Academy levou os prêmios Harvey e Scream Awards. Depois de tantas conquistas, a nova indicação ainda surpreende?
Bá - Ah, a indicação me surpreendeu, sim, eu nunca espero que aconteça. Mas acredito que desta vez eu não levo. Como desenhista, vou concorrer com Guy Davis, que é muito bom. E, como capista, disputo com o James Jean, o grande campeão dos últimos anos.
Mas o Umbrella aparece quatro vezes na lista de indicados ao Eisner 2009, uma delas até com o James Jean, que você citou e que ilustrou uma capa da série. Esse reconhecimento mostra o potencial da obra. Como foi trabalhar com Gerard Way?
Acho que essas são as melhores páginas que eu já fiz. Mas, também, foi um trabalho que exigiu muito de mim, porque era preciso todo um esforço para entender o que o Gerard queria dizer. A parceria com o meu irmão é um pouco diferente, nós temos um vocabulário comum, é mais fácil. Já com o Gerard, é preciso sempre reinterpretar o texto que ele me passa. Eu tenho que entrar na cabeça dele e deixar que ele entre na minha. Mas existe diálogo, ele recebe numa boa as minhas colocações. Se eu acho que alguma coisa não funciona ou não está clara, eu proponho mudanças. Ele pode discordar ou sugerir uma terceira coisa. Vence quem tem o melhor argumento.
A série conta a história de crianças adotadas por um homem que queria fazer delas super-herois, e explora as relações possíveis entre esses personagens. Ela já foi comparada ao universo X-Men?
O Grant Morrison, o escritor escocês de quadrinhos, disse que o Umbrella são os “X-Men for the cool people” [“X-Men para gente bacana”]. Dá mesmo para comparar. Os personagens do Umbrella seguem um pouco o estereótipo dos super-herois. O líder tem um quê de Super-Homem, por exemplo, e há um personagem que lembra o Batman, porque é mais sombrio e descontente com o mundo. São pessoas na faixa dos 30 anos, com poderes especiais e crises humanas – nesta segunda fase, há personagens deslumbrados com o sucesso como super-heroi e há o vazio existencial do líder.
Está mais fácil fazer quadrinhos no Brasil, hoje?
Não é fácil fazer quadrinhos no Brasil. Mas as pessoas estão começando a descobrir e a acreditar que o esforço vale a pena. Tem muita gente investindo em narrativas longas, que não são da tradição brasileira, composta de tirinhas e de pequenas histórias de humor. Temos uma nova safra de artistas, gente que não trabalha com humor e que leva mais a sério a profissão. Os artistas estão cheios de vontade, produzindo, e o aumento da produção é essencial para um aumento da qualidade. O profissionalismo só vem assim. Um autor só melhora quando produz, produz, produz. Em vez de termos muitos autores, é melhor termos autores que produzam muito.
E a visibilidade da produção nacional no exterior, você acredita que tenha aumentado com os prêmios e indicações conquistados?
Na verdade, acho que não fez muita diferença. Lá fora, dão mais importância para o trabalho do que para a origem do artista. Se o Brasil tivesse um volume de artistas com projetos que chamassem a atenção, seria diferente. Como eu e o Fábio trabalhamos em projetos mais pessoais, acho que chamamos atenção para nós. Esse é um caminho mais arriscado e longo, é fato, mas era o que queríamos fazer. Trabalhar no mercado de super-herois é um pouco mais fácil. Se você for bom e entregar os trabalhos no prazo, vão continuar te chamando. Mas aí você é mais uma peça da máquina.
Quais são os próximos projetos?
Eu terminei a sexta e última história da segunda fase do Umbrella. Além disso, eu e o Fábio estamos desenhando uma minissérie chamada 1947, que é do universo do personagem Hellboy, de autoria do Mike Mignola. E estamos escrevendo e desenhando juntos uma série nossa para o Vertigo, o selo adulto da DC Comics. Se chama Day Tripper, como a música dos Beatles, se passa no Brasil e é sobre um cara que quer ser escritor, mas trabalha num jornal, escrevendo obituários. É uma história cotidiana, como nos livros dos 10 Pãezinhos. E é tudo o que eu posso contar agora.
Mais notícias
- (16/06/2009) • Gente | Capas com Gisele Bündchen vendem pouco
- (15/06/2009) • Gente | Gisele passeia por São Paulo
- (15/06/2009) • Música | Susan Boyle cobra R$ 25.000 por minuto
- (15/06/2009) • Copa das Confederações | Itália vence os Estados Unidos
- (15/06/2009) • Gente | Usher oficializa pedido de divórcio
- (15/06/2009) • Suíça | Diploma de Einstein é vendido por 536.000 reais
- (15/06/2009) • Gente | "Ainda amo Demi Moore", diz Bruce Willis
- (15/06/2009) • Vaticano | Bento XVI condena o tráfico de seres humanos
- (15/06/2009) • França | Tarzã vira personagem de exposição em museu
- (15/06/2009) • Esporte | NBA: a taça vai para Los Angeles
- (14/06/2009) • Livros | Haroldo de Campos, o concretista barroco
- (14/06/2009) • Gente | Sinal vermelho na moda
- (12/06/2009) • Fórmula 1 | FIA garante 13 equipes em 2010. Ferrari não confirma acordo
- (12/06/2009) • Gente | Cristiano Ronaldo comemora com Paris Hilton
- (12/06/2009) • Gente | Malauí: Madonna adota a segunda criança
- (11/06/2009) • Eliminatórias da Copa de 2010 | Argentina faz pacto contra o Brasil
- (11/06/2009) • Morte de Carradine | Legista descarta a hipótese de suicídio
- (11/06/2009) • Europa | Michel Platini critica o valor pago por Cristiano Ronaldo
- (11/06/2009) • Futebol | Jogadores da seleção brasileira já estão na África
- (11/06/2009) • Futebol | Cristiano Ronaldo, o craque dos 260 milhões de reais
CONTEXTO
|
Especial |
|
Perguntas & Respostas |
|
Em profundidade |
|
Em Profundidade |
|
Perguntas & Respostas |
|
Televisão |
|
Galeria de imagens |
|
Galeria de fotos |
|
Os mais vendidos |
|
Galeria |
COPYRIGHT ©
Editora Abril S.A.
Todos os direitos
reservados











