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Música

Consumidor de vinil busca qualidade única e repertório extenso

05/02/2009 11:28

Mario Rodrigues
Sebo Jovem Guarda, loja de discos usados na Mooca, em SP

A crescente procura por discos de vinil começou a ser registrada pelas lojas e gravadoras só nos últimos anos, mas a demanda pelos velhos "bolachões" sempre existiu. Num documentário de 2004, A Resistência do Vinil, o diretor Eduardo Castro entrevistou pessoas que juram fidelidade ao long play (LP). "Muitas vezes é paixão, coisa de colecionador - além, claro, da nostalgia e da poesia de não jogar o passado fora, de preservar momentos em que éramos menos frios", afirma ele.

Muitas são as razões que garantiram a sobrevivência do LP no mercado. O gosto pelo chiado característico do formato, o prazer de cultivar um hábito raro, a admiração pela arte das capas e o costume de garimpar preciosidades são algumas delas. "Sempre que vou a São Paulo, vou às lojas de discos usados do centro da cidade. Para mim, é uma satisfação ficar algumas horas procurando álbuns que nunca serão relançados", diz Charles Gavin, dos Titãs.

De acordo com o baterista, grande parte do livro 300 Discos Importantes da Música Brasileira, produzido e organizado por ele, é composta de álbuns inéditos no formato digital. Gavin não se diz fã incondicional do vinil, mas reconhece ter milhares em casa. Sua última contagem, há alguns anos, indicou 6.000 unidades. Desde então, assustado, parou de contabilizar. Castro tem uma cifra mais modesta, 70, mas já chegou a ter em casa mais de 1.500 LPs, número reduzido pelas trocas de endereço.

'Chiadinho' - Para ele, o som do vinil é um grande atrativo, por ser mais "orgânico e encorpado". "O CD e o MP3 são muito sintéticos", opina. As razões elencadas pelo documentarista são parecidas com aquelas que Cleberson Aquino, gerente da loja virtual do Sebo do Messias, escuta dos clientes com que trava contato. "Os compradores falam que o vinil tem outra linguagem, que as capas são bem trabalhadas, que o chiadinho parece mais vivo e humano."

Um fator que também pesa a favor dos vinis - pelo menos no caso dos usados - é o preço. O Sebo do Messias vende LPs a partir de 1 real. Quando se trata dos desejos de um colecionador, porém, a questão perde toda a relevância. Recém-chegado a um sebo, o disco Cilibrinas do Éden vale pelo menos 400 reais. Primeiro álbum da cantora Rita Lee depois de sair da banda Os Mutantes, o disco nunca foi lançado oficialmente e acaba de ganhar uma versão pirata de estimadas 1.000 cópias, metade em vinil, metade em CD.

Cuidados - O jornalista Ciro de Oliveira, de 59 anos, tem uma coleção formada por 20.000 discos, entre vinis tradicionais e 78 rotações, em sua casa, em Campo Grande. "Eu comecei a colecionar em 1970, dois anos depois de estrear em rádio, onde fazia bastante uso de vinil", conta ele. "Quando começaram os CDs, todos os meus amigos e amigas que compravam CDs me davam seus bolachões." Para os que querem se aventurar no mundo dos LPs, Ciro dá dicas de como cuidar do vinil. "Limpo os meus de vez em quando. É preciso tirar a poeira. Tem que lavar com sabão neutro e esponja macia, e depois enxugar com uma toalha também macia."

(Por Maria Carolina Maia)