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Bruno Senna: Estou em paz com o Rubinho
22/04/2009 06:49
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Por André Pontes
Ser piloto de F1 é para poucos. Alguns aspirantes à categoria de elite do automobilismo gastam fortunas que chegam a 30 milhões de dólares só para bater na porta de uma equipe e - na maioria das vezes - ouvir um "não" como resposta. Há ainda os que chegam lá, mas têm de conviver permanentemente sob a ameaça de uma guilhotina - caso do brasileiro Nelsinho Piquet, que, segundo a imprensa internacional, pode ser demitido nas próximas semanas da Renault devido aos maus resultados. Aos 25 anos, Bruno Senna parecia reunir as qualidades para superar o desafio: tem dinheiro, carrega o sobrenome do tio e tricampeão Ayrton Senna, mostrou competência nas categorias inferiores, aparenta saber lidar com a pressão e fazer marketing pessoal. Mas na hora de assinar com a escuderia Brawn, acabou preterido pelo experiente Rubinho Barrichello. Na entrevista a seguir, Bruno, que vive em Londres, falou a VEJA.com sobre os bastidores dessa decisão, que o deixou de fora da F1 em 2009, sua relação com Rubinho e da expectativa de correr em 2010. Ele também traçou uma comparação entre o seu estilo de guiar e o de Ayrton.
Você está em negociações com a equipe Force Índia, da F1? Pode fechar um contrato com eles?
Não tem nada oficial. Nós não conseguimos falar com o Vijay Mallya (dono da equipe) ainda. Como a Fórmula 1 está na Ásia, nós estamos com dificuldade de falar com o pessoal. Mas assim que eles voltarem de Bahrein (final de abril) vai ser um pouco mais fácil conversar com eles.
A mídia estrangeira diz que a escuderia Toro Rosso pode dispensar o piloto Sebastian Bourdais e contratar você para o lugar. Quais as chances disso acontecer?
Fiquei sabendo disso através da imprensa. Acho um pouco difícil de acontecer. Não sei se o Bourdais está fazendo um trabalho tão ruim para o pessoal querer se livrar dele. De qualquer forma, eu não sei se seria uma boa estratégia entrar na Toro Rosso agora. Porque eu seria comparado com o outro novato, com a diferença de que ele teve mais preparação durante os testes. Seria mais pressão para cima de mim. Óbvio que existe uma grande vontade minha de estar na Fórmula 1, mas não é bom entrar em desespero e assinar com qualquer equipe que apareça. Na Fórmula 1, é fácil entrar rápido - e sair mais rápido ainda.
De zero a cem: quais as chances de você estar no grid no ano que vem?
Essa é uma pergunta que eu gostaria de empurrar mais para a frente. Por enquanto, é difícil de quantificar coisas desse tipo. A grande dificuldade que temos neste começo de ano é que o regulamento da F1 está inconsistente sobre o que vai acontecer ano que vem em termos de equipe, investimentos etc. O importante é não estar no lugar certo na hora errada de novo no próximo ano.
Quando a Brawn optou pelo Rubinho, muita coisa foi veiculada. Qual a verdadeira história?
O Ross Brawn (dono da equipe) se sentiu inseguro de colocar um piloto novato. Ainda mais porque ele não sabia se o carro seria competitivo ou não. Por isso, ele achou que iria precisar de pilotos experientes, como o Rubinho, para passar por tudo e resolver os problemas do carro.
Como você recebeu a notícia de que o Rubinho ficaria em seu lugar?
Eu conversei com o Ross Brawn um dia antes de sair na mídia. Nós estávamos a par da situação.
Como é sua relação com o Rubinho?
É boa. Não nos vemos muito. Mas sempre que estamos juntos temos uma boa relação, assim como é com o Nelsinho (Piquet) e com os outros pilotos brasileiros. Essa disputa não mudou nada em nosso relacionamento. Ela podia ter sido com qualquer pessoa.
Que lição você tirou desse episódio?
Tudo o que venho passando desde que comecei a frequentar a F1 mais de perto está sendo um aprendizado. Ela parece uma coisa de fora, mas quando você entra percebe que é bem diferente. Apesar de ser um esporte, ela tem muita influência política em todos os sentidos. Desde nacionalidade, até dinheiro. Por isso é importante pensar bem antes de agir.
Como você lida com a pressão que o seu sobrenome carrega?
Eu sempre tive atenção de todo mundo. Normalmente a molecada começa, erra, erra e aprende. Só depois começa a chamar atenção. Meus erros foram sempre públicos e eu acabei tendo que aprender com isso. Aprendi a lidar com a pressão, com a mídia e com as pessoas. E tudo isso me preparou de uma forma diferente dos outros pilotos que chegam à F1. Eles não chegam preparados para a pressão. Óbvio que eu tenho consciência de que as pessoas vão querer me comparar com o Ayrton, mas eu tenho que ter os pés no chão. Não adianta eu entrar na onda. Nós somos diferentes e eu sei que estou fazendo um bom trabalho.
O seu capacete é muito parecido com o do Ayrton. Este marketing não pode trazer ainda mais pressão sobre você?
Eu desenvolvi esse capacete com o Sidney Mosca, que foi quem pintou o do Ayrton, e o que eu queria era fazer uma homenagem. Eu sempre gostei do capacete dele com cores da bandeira do Brasil. O resultado causou a impressão que eu queria que causasse. Todo mundo lembra do Ayrton vendo o meu capacete.
Quais as semelhanças entre a sua forma de pilotar e a de Ayrton?
Acho que o Ayrton era um pouco mais agressivo do que eu, em geral. Mas no final das contas o melhor piloto não é o mais agressivo ou o mais suave. É o piloto que se adapta melhor. Acho que o Ayrton fazia isso muito bem. Eu tento aprender com isso. Ser sempre suave com o equipamento, mas tentando tirar o máximo do carro.
Um palpite: quem será o campeão neste ano?
É difícil dizer. Temos que esperar a parte europeia do campeonato, porque é nesse momento que as equipes começam a receber mais atualizações aerodinâmicas e acredito que os carros vão se nivelar bastante. A Brawn começou muito bem, mas, com certeza, a Ferrari, McLaren, Renault e a Red Bull vão apertar o cerco.
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