Jade: rivalidade com Daiane e Daniele - VEJA.com

Variedades

« voltar

Entrevista

Jade: rivalidade com Daiane e Daniele

13/04/2009 13:12

Reuters
LINKS RELACIONADOS

Por André Pontes

Aos 17 anos, Jade Barbosa - uma das maiores ginastas brasileiras de todos os tempos - vive uma situação inusitada: não tem salário e não sabe qual é sua real condição física. Afastada do esporte desde os Jogos Olímpicos da China, em 2008, devido a uma necrose no punho direito, ela promete assim mesmo voltar à atividade em agosto, durante o Campeonato Brasileiro de ginástica. A contusão, que a impediu de cumprir as sessões diárias de treinos de sete horas, teve um desdobramento feliz, contudo: sobrou tempo para conhecer Lucas Affonso, seu primeiro namorado. Na entrevista a seguir, Jade fala da rivalidade com as colegas Daniele Hypólito e Daiane dos Santos, da fama de chorona, das obstáculos financeiros e da alternativa criada a eles: a venda de camisetas através de seu site oficial.

VEJA.com - Como está seu punho?
Jade - Está melhorando. Estou esperando o médico ver os exames. Mas fisicamente melhorou.

ReutersVEJA.com - Por que o Flamengo, clube em que você treina, não ajuda no seu tratamento médico? Qual é sua relação com o clube?
O Flamengo só ajuda com a fisioterapia e cede o espaço para eu treinar: não ganho salário, só uso o espaço.

VEJA.com - Você não recebe um salário hoje como atleta profissional? Qual a ajuda da Confederação Brasileira de Ginástica? Vocês recebem algo para defender o Brasil?
Não, estou sem salário. Não recebo nem pelo Flamengo, nem de patrocinador ou da CBG. Quando vou defender a seleção, as únicas coisas que ganho são as passagens de ida e volta, alimentação e estadia.

VEJA.com - Quer dizer que nos Jogos Pan-Americanos e Olimpíadas você não ganhou nada?
Exato. Só estadia, comida e passagem.

Veja.com  Por isso que seu pai teve um atrito com a CBG? Ele já foi solucionado?
Ainda não foi resolvido. Na verdade, o problema é que eu me machuquei em janeiro de 2008, treinando na CBG para as Olimpíadas, e até hoje eles não me ligaram para saber como estou. Faltou um pouco de respeito deles com a minha pessoa.

ReutersVEJA.com - Como você se sustenta?
Na verdade, nós, eu e meu pai, vivemos do que juntamos de patrocínio lá atrás. Eu não ganho nada hoje em dia.

VEJA.com - O patrocinador não vai atrás de você ou você é cara para eles?
Não é que sou cara, mas eles pedem algo absurdo para mim. Eles esquecem que sou atleta. Eu não posso ficar indo várias vezes para eventos. É diferente ser um artista e um atleta. Eu tenho minha carga horária de treino, uma vida muito restrita.

VEJA.com - Vender camisetas está ajudando? Quem teve esta idéia?
Sim, começou a fluir. A camiseta é para ajudar no meu dia-a-dia. Na alimentação, transporte. Enfim, para ajudar na vida de atleta, pois estou sem receber nada. A idéia partiu do meu pai.

VEJA.com - Você faz planos para o futuro? Vai fazer faculdade?
Eu quero fazer algo ligado a esporte, mas ainda não decidi. Este ano vou prestar vestibular, mas ainda estou indecisa. Só vivi de ginástica, então fica difícil fazer uma escolha. Como atleta, eu pretendo competir até a próxima Olimpíada pelo menos. Mas não penso em ser treinadora: já passei muito tempo dentro do ginásio. Quero ficar longe dele.

VEJA.com - O que faz quando não está treinando?
Ou estou estudando ou passeando. Se tiver sol, vou à praia de manhã, depois almoço com minha família ou com meu namorado e em seguida vou ao shopping ou ao cinema. Não fico muito em casa, não gosto de ficar em casa. Estou sempre saindo. Agora, que não estou treinando tão forte quanto antes, dá mais tempo de namorar. Mas ele também é atleta, então nos vemos mais nos fins de semana. Nos conhecemos em dezembro do ano passado no Flamengo e estamos namorando há dois meses. O Lucas (Affonso) é um ano mais novo que eu.

VEJA.com - Gosta de ler, ir ao cinema? Quais são suas obras favoritas?
Gosto de cinema e gosto de ler, mas faz muito tempo que não paro para ler. Não tenho tido tempo. Eu estava lendo a série do Crepúsculo agora, mas é bem de adolescente.

ReutersVEJA.com - Você e ginastas como Daniele Hypólito e Daiane dos Santos são amigas ou existe rivalidade?
Eu acho que existe rivalidade, mas também um pouco de amizade. Até porque tem competição por equipe e temos que estar bem unidas. Parece estranho para as pessoas que vêem do lado de fora, mas para a gente é normal. Nos conhecemos há muito tempo, então cria amizade.

VEJA.com - Você sempre passa a imagem de uma pessoa emotiva. A fama de "chorona" a incomoda?
Não me importo mais, porque realmente eu sou uma pessoa emotiva. Se eu estiver triste, eu choro, se estiver feliz, eu choro. É uma maneira diferente de me expressar. As pessoas já estão acostumadas.
 

Publicidade

Mais notícias

CONTEXTO

Galeria de imagens

Kaká

Galeria de fotos

Clive Owen

Os mais vendidos

Trechos de livros

Publicidade
Publicidade

COPYRIGHT ©
Editora Abril S.A.

Todos os direitos
reservados