02/11/2010 - 17:36
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Artigo

'Quem paga a conta da maconha?'

Para Carlos Salgado, a liberação da maconha vai aumentar número de usuários

Carlos Salgado*

 

Carlos Salgado

 

Quando a sociedade abdica do controle restritivo sobre uma substância ou droga de abuso, o número de usuários cresce. E é claro que todos pagamos a conta. Basta observar o que se passa com o tabaco e o álcool. Segundo levantamento da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), metade da população brasileira não bebe, mas divide a conta através da sobrecarga ao sistema público de saúde. Também de acordo com a Senad, um quarto dos brasileiros fuma e os outros três quartos dividem mais esta conta.

Os números atuais de usuários regulares de maconha ainda são da ordem de um dígito apenas (segundo levantamento da Senad, 8,8% dos brasileiros já consumiram maconha alguma vez na vida). Parece um índice baixo, mas já é relevante pelo impacto em desempenho e problemas de saúde produzidos. Qualquer medida legislativa ou em políticas públicas que acrescente glamour ou percepção de benignidade à maconha vai expandir o número de usuários.

A valorização apressada de potenciais usos terapêuticos da maconha acaba aliando-se aos esforços de ampliação do número de usuários. Como médico e como presidente da Abead (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas), sou sempre favorável a quaisquer esforços científicos para a ampliação de recursos terapêuticos, mesmo envolvendo a pesquisa com drogas que podem causar dependência, como a maconha. Contudo, também sou favorável ao zelo pelo prestigio da ciência, valorizando a divulgação de resultados maduros e confiáveis.

Os achados relativos a potenciais benefícios do uso da maconha e de seus derivados merecem atenção, mas também parcimônia na divulgação como verdades científicas clinicamente úteis. Pensando neste panorama de interesse geral da comunidade, quem dos leitores está disposto a dividir mais esta conta, a dos potenciais novos usuários de maconha?

* Carlos Salgado é psiquiatra e presidente da Abead (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)

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Tito

A realidade diz o contrário: O estado ao "proibir", abdica de qualquer controle sobre o produto. Locais onde regulamentaram de alguma forma o uso, ou ao menos discriminaram, tiveram baixas em número de usuários e dependentes, assim como diminuiram muito o consumo de outras drogas, essas sim mais pesadas.

16.11.2010

rafael

Quem vai pagar a conta serão os próprios usuários pois a legalização não vai vir sem uma pesada taxação sobre a propria substância. esse seu sofisma para a defesa da não descriminalização é quase ultrajante... como não será um produto de grande necessidade sofrerá pesadas taxas (assim como o cigarro), então não há que fala(..)

05.11.2010

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felix lozano

eu acho que os consumidores de alcool e tabaco já pagam a sua conta com os impostos sobre istos produtos. Com a maconha va a acontecer a mesma coisa e ainda va a baixar el custo policial de controle tanto dos traficantes como dos consumidores. Realmente vai ser bom para o governo.

04.11.2010

Alvaro

A conta da saúde deve ficar mais cara, isto é fato, mas o preço social que se paga com essa proibição é muito mais alto. Quantos jovens e adultos já sofreram alguma consequência negativa dessa ilegalidade? Os usuários de tabaco e álcool estariam satisfeitos se tivessem que arrumar suas drogas na boca de fumo ou na mão de um (..)

03.11.2010

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André Castiel

A conta do tráfico e do crime organizado é significativamente maior e atinge os menos favorecidos. O detalhe é que quem paga a conta hoje, paga calado e no meio do fogo cruzado entre polícia e traficantes.

03.11.2010

edson noronha

Os cientistas deveriam fazer uma vaquinha para pagar a conta gorda que surgirá com a liberação da maconha. Quem não conhece o exemplo inglório da Holanda?

03.11.2010

carlos

Os mesmos que pagam a conta do tráfico, da criminalidade, das balas perdidas, da economia paralela. Os mesmos que tem sons e carros roubados para serem trocados por drogas. Os mesmos que pagam por uma segurança privada duas vezes maior que a oficial, devido à enomre quantidade de armas sofisticadas compradas com o lucro do t(..)

02.11.2010

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Erik Neves

Artigo da Lancet, muito pertinente: http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(10)61462-6/fulltext

02.11.2010

mitidiero

Quem nos pode dar informes verdadeiros é quem já viveu e saiu do sonho da " maconha " Até

02.11.2010

Julio Cezar de Melo Borges

Caro senhor Salgado, por mais que o álcool e o tabaco sejam liberados, o seu uso nao é encorajado pela sociedade. É um direito do indivíduo, e nao do estado, escolher que drogas (se alguma) melhor lhe convém ao uso pessoal. O estado tem sim o direito e o dever de informar a populacao, sobre os provávéis riscos do uso dessas (..)

02.11.2010

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Pedro Moreira

Certamente a "glamourização" do uso da maconha não é desejável. Pior que isso, não seria honesto com a população. Entretanto, precisamos discutir se os danos causados pelo narcotráfico não estão saindo mais caros social e economicamente do que um leve aumento no número de consumidores da droga. Hoje o mercado clandestino - q(..)

02.11.2010

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Alfredo Cardozo da Silva

Só não entendi a comparação da maconha com o álcool e o tabaco, os problemas causados são diferentes nas 3 substâncias. Sou a favor da legalização, plantio e uso recreativo da cannabis. Não conheço ninguém que tenha algum tipo de problema de saúde pelo mesmo. Ao mesmo tempo, já perdi diversos amigos para o álcool e cigarro. (..)

02.11.2010

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Eric Rocha

Acredito que esta questão da liberação da maconha é muito difícil de colocar em debate, devido a falta de conhecimento de muitas pessoas... Eu vejo lados positivos para a sociedade e lados negativos. O lado negativo é a sobrecarga ao sistema público de saúde e o lado positivo é a baixa do trafico... Desde que a produção seja(..)

02.11.2010

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Rodrigo

É certo que alguém iria arcar com mais essa despesa pra o estado. E claro, seriamos nós. Porém, com a proibição qual a cota que pagamos? Liberar a maconha e manter o controle, não iria erradicar o problema do tráfico... seria ingênuidade pensar desse modo. Mas seria um passo. Seria tirar uma das armas do "Mal" e usar para o (..)

02.11.2010

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