Saúde
Cirurgia plástica
Próteses francesas devem ser retiradas, diz Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética
Segundo a entidade, não há motivo para pânico. Apesar disso, afirma que as mulheres devem trocar a prótese o mais breve possível
Prótese de silicone: relatório do FDA afirma que as próteses são seguras, mas que há chances de complicações em até 10 anos (Thinkstock)
A Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps, na sigla em inglês) recomendou nesta terça-feira, em nota oficial, que todos os implantes mamários de silicone PIP sejam trocados imediatamente para evitar riscos futuros à saúde, mesmo que não haja nenhum sinal clínico de ruptura.
No mês passado, o governo francês afirmou que pagaria os custos da remoção dos implantes feitos pela Poly Implant Prothèse (PIP) em todas as mulheres do país que os utilizam. A decisão se baseou em dados que apontam um risco maior de rompimento do produto e o uso de silicone não homologado.
O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), José Horácio Aboudib, discorda da decisão da sociedade internacional. "Não é sensato. Todas as mulheres devem procurar seus médicos para saber se há ruptura e, nesse caso, efetuar a remoção e a troca", afirma. "Caso a prótese esteja em bom estado, basta realizar exames periódicos para garantir que ela não se rompeu."
Aboudib aponta que o gel da prótese pode ser de um tipo não homologado - ou seja, não aprovado para uso médico -, contudo o revestimento é constituído por uma substância segura, similar à de outros implantes, o que diminui o risco de problemas.
Planejamento — O presidente eleito da Isaps, o brasileiro Carlos Uebel, diz que não é preciso que haja uma "correria" para a retirada. "De qualquer forma, as mulheres devem trocar a prótese no prazo mais breve possível", afirma Uebel, cirurgião em Porto Alegre. "Não há motivo para pânico, mas convém programar a substituição", reforça.
Ele sublinha que os dados obtidos até agora não confirmam a relação com o câncer. "Mesmo assim, o porcentual de rupturas das próteses PIP é muito alto", pondera Uebel. Segundo a nota da Isaps, "a taxa de ruptura desses implantes parece ser cinco vezes mais alta quando comparados com outros implantes".
O mastologista José Luiz Pedrini, vice-presidente nacional da Sociedade Brasileira de Mastologia, diz que a entidade ainda não chegou a um consenso sobre o assunto - que será discutido em reunião com o governo brasileiro na próxima semana.
Entretanto, ele diz que indicaria pessoalmente a retirada dessas próteses para evitar riscos futuros à saúde. "É muito mais barato o custo de trocar essa prótese agora que o de um tratamento para câncer ou outra infecção que esse silicone industrial pode causar", diz.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que mantém a mesma orientação: mulheres com essas próteses devem procurar seus médicos para uma avaliação.
O Ministério da Saúde também mantém essa orientação e diz que avaliará caso a caso. E informou que a posição sobre o assunto será discutida na próxima semana, quando representantes das sociedades médicas de mastologia e de cirurgia plástica se reunirão com o ministério e com a Anvisa para debater um protocolo que definirá a maneira de agir em caso de rompimento dessas próteses.
Procurado , John Arnstein, da EMI Importação e Representação, empresa responsável pela distribuição do produto no Brasil, disse que preferia não comentar a declaração da Isaps, pois não tinha tomado conhecimento oficial da nota.
O caso — Na semana passada, o governo francês deciciu recomendar a retirada preventiva das próteses mamárias devido a possibilidade de rompimento e os riscos à saúde. Estima-se que 30.000 mulheres utilizaram implantes da marca PIP.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) cancelou o registro das próteses mamárias da empresa francesa PIP. Além do cancelamento do registro, a Anvisa determinou o recolhimento das próteses que ainda estão em posse da importadora do produto. Foram importadas, ao todo, 34.631 unidades — 24.534 foram comercializadas. Segundo a Anvisa anunciou em comunicado, as 10.097 próteses restantes serão recolhidas.
O fundador da PIP, Jean-Claude Mas, de 72 anos, é investigado na França judicialmente por "fraude com agravante" e "homicídio culposo". Na sexta, o jornal francês Nice-Matin revelou que Mas participa de uma nova sociedade para a exportação de próteses com baixo custo essencialmente à América Latina.
A imprensa britânica revelou que a taxa de ruptura das próteses PIP é muito mais elevada que o estimado. Outra reportagem de uma rádio francesa divulgada na terça informou que um aditivo para combustíveis foi detectado no gel das próteses mamárias defeituosas.
(Com Agência Estado)





Comentários
Paola
São notícias como essas que geram pânico em todas as pacientes. Basta ler o título da manchete! Na realidade, existem 4 fábricas de implantes mamários na França. Eram 5 fábricas até que a PIP foi fechada em março de 2010. Os implantes mamários fabricados pelas outras quatro fábricas continuam sendo fabricados e comercializad(..)
10.01.2012
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Fatima Sabino
Quando comecaram a serem vendidas e implantadas as proteses PIP no Brasil?
07.01.2012
Ana Lúcia
Aham, o governo francês pagará para as mulheres de seu país substituírem as próteses problemáticas. E no Brasil, onde muitas mulheres passam a vida economizando para conseguir realizar o sonho deste procedimento, quem arcará com as despesas? Quem é o responsável pela aprovação dessas próteses no Brasil? Quais os critérios ut(..)
04.01.2012
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