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Pesquisa do IBGE confirma que obesidade é epidemia no Brasil

Mantido o ritmo de crescimento do número de pessoas acima do peso, em dez anos o país terá se igualado aos Estados Unidos

Por: Lucila Soares e Cecília Ritto - Atualizado em

Assento para obesos em estação de metrô de SP
Assento para obesos em estação de metrô de SP(VEJA.com/VEJA)

Além de se constituir em problema pelos riscos decorrentes do sobrepeso em si - como doenças do coração e diabetes - o sobrepeso é causado por uma alimentação pouco saudável

Nos últimos 35 anos, o Brasil passou por uma impressionante transformação. Completou a transição de país rural para sociedade urbana e industrial, deixou para trás índices vergonhosos de mortalidade infantil e analfabetismo e, depois que conseguiu domar a inflação, nos anos 1990, consolidou um aumento substancial da renda da população. Esse conjunto de fatores permitiu reduzir drasticamente o histórico problema da desnutrição no Brasil. E resultou numa impressionante mudança no padrão físico do brasileiro. Desde 1974, quando foi feita a primeira pesquisa familiar que registrou peso e altura dos entrevistados, a população tornou-se mais alta. O déficit de altura entre crianças declinou da faixa dos 30% para menos de 10%. Nesse mesmo período, o brasileiro ganhou peso. Muito peso.

Clique aqui para ver o infográfico sobre a obesidade no país

E é aí que a boa notícia começa a dar lugar à preocupação. O déficit de peso atinge hoje menos de 5% da população - o que é um indicador social positivo da maior relevância. Mas o excesso (ou sobrepeso, como preferem dizer os médicos) e a obesidade explodiram. A Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que em todas as regiões do país, em todas as faixas etárias e em todas as faixas de renda aumentou contínua e substancialmente o percentual de pessoas com excesso de peso e obesas. O sobrepeso atinge mais de 30% das crianças entre 5 e 9 anos de idade, cerca de 20% da população entre 10 e 19 anos e nada menos que 48% das mulheres e 50,1% dos homens acima de 20 anos. Entre os 20% mais ricos, o excesso de peso chega a 61,8% na população de mais de 20 anos. Também nesse grupo concentra-se o maior percentual de obesos: 16,9%.

O IBGE segue os parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS) na conceituação de sobrepeso (Índice de Massa Corporal superior a 25%) e obesidade (IMC superior a 30%). Calcule aqui o seu índice de massa corporal.

São números que dão ao fenômeno contornos de epidemia. Mantido o ritmo atual de crescimento do número de pessoas acima do peso, em dez anos elas serão 30% da população - padrão idêntico ao encontrado nos Estados Unidos, onde a obesidade já se constitui em sério problema de saúde pública. O Ministério da Saúde constatou a mesma tendência no rastreamento telefônico que faz para monitorar fatores de risco para doenças crônicas. A explicação está principalmente no padrão de consumo alimentar. A POF de 2002/2003 mostrou que as famílias estão gradualmente substituindo a alimentação tradicional na dieta do brasileiro - arroz, feijão, hortaliças - por bebidas e alimentos industrializados, como refrigerantes, biscoitos, carnes processadas e comida pronta. Tudo mais calórico e, em muitos casos, menos nutritivos.

Ou seja, além de se constituir em problema pelos riscos decorrentes do sobrepeso em si - como doenças do coração e diabetes - o sobrepeso é causado por uma alimentação pouco saudável. Para agravar o quadro, a prática regular de exercícios físicos está longe de fazer parte dos hábitos do brasileiro. Pesquisa de 2008 mostrou que apenas 10,2% da população com 14 anos ou mais tem alguma atividade física regular. Quando forem divulgados os dados relativos ao consumo das famílias na POF de 2008-2009, será possível analisar em detalhes como está evoluindo o padrão alimentar no Brasil.

Esse conjunto de pesquisas é um instrumento da maior importância para a formulação de políticas de saúde pública. A obesidade é um desafio mundial, pelo que representa de redução na expectativda de vida e nos custos dos serviços de saúde. Em 2004, a Assembléia Mundial da Saúde - que é a instância deliberadora máxima da Organização Mundial da Saúde - chamou a atenção para esse risco e editou o documento chamado Estratégia Global em Alimentação, Atividade Física e Saúde. Nele, os governos de todos os países se comprometem a implementar políticas que estimulem padrões saudáveis de alimentação e de atividade física.

A pesquisa do IBGE ouviu 188 461 pessoas entre 2008 e 2009.

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