Saúde
São Paulo
Obediência à lei surpreende fiscais
Música alta, rodas de amigos bebendo em torno de mesas de bares, dançando em pistas de boates e nenhum sinal de fumaça de cigarro no ar. A obediência à nova lei paulista que proíbe fumar em ambientes públicos fechados surpreendeu o pessoal do Procon que fiscalizou vários locais na Zona Sul na primeira madrugada de vigência da lei. "É um forte indício da aceitação da lei e resultado da orientação que demos no último mês aos donos de estabelecimentos", afirma Roberto Pfeiffer, diretor-executivo da Fundação Procon-SP. "Mas isso não significa afrouxamento ou possibilidade de a fiscalização deixar de ser ostensiva."
Ao final da madrugada, 213 estabelecimentos haviam sido vistoriados na cidade e três autuados. No interior e nas outras cidades da região metropolitana, foram vistoriados 674 estabelecimentos e oito autuados. Para Aldeone Fernandez, subgerente da primeira casa vistoriada na capital, a vigência da lei não foi suficiente para afetar o movimento. "Muita gente não está gostando, mas 100% estão acatando."
A lei foi criada sob a justificativa de que a fumaça do cigarro faz mal à saúde, mas os frequentadores da noite paulistana são unânimes em dizer que ela traz outro benefício, o de se livrar do odor que o cigarro deixa na roupa. "Vou economizar com lavanderia", diz Rafael Martins, gerente de TI. "Achei uma excelente iniciativa. As pessoas não são obrigadas a respirar a fumaça do cigarro, além de ter a vantagem de voltar para casa sem cheiro do cigarro", disse a ginasta Daiane dos Santos, na porta de uma casa noturna. "Acho ótimo. O cigarro incomoda e deixa mau cheiro na roupa", reforça a médica Patrícia Lobo.
Apesar de concordarem com a lei, os fumantes dizem que gostariam de ter lugares mais apropriados para tragar à vontade. Segundo a consultora de recursos humanos Paula Tamura, "esses ambientes propiciam mesmo problemas respiratórios, mas deveria haver lugares para fumar que não fosse a rua, ao relento". "Acho que a lei é boa, mas deveria ter área de fumante dentro da festa para não sermos excluídos", reclama o médico Nicolas Vergetis.
Alguns fumantes também questionaram a falta de treino dos funcionários dos bares. "Não é porque fumo que sou obrigado a saber todos os detalhes da lei", diz o comerciante Ricardo Santini, que alegou ter sido expulso de um bar, na Zona Oeste, por ter acendido um cigarro no banheiro.
O proprietário de um bar na Zona Sul, Marco Antonio de Almeida, diz não saber como conciliar a lei municipal do silêncio - que limita a permanência dos frequentadores nas calçadas até a 1h da manhã - com a lei estadual antifumo. "Acho que meia dúzia de pessoas aqui em baixo conversando e fumando vai me criar problema com o Psiu" - nome do programa que fiscaliza a lei do silêncio. "Acho que o ideal é não deixar ninguém sair para fumar. Minha ideia é fazer um mezanino, mas não sei se pode."





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