Saúde
Câncer
Hospital dedicado ao câncer mira classe AAA
Centro especializado em oncologia quer fazer frente a hospitais que já têm excelência em tratamento do câncer e atender a elite do país
Câncer
Hospital São José
Centro especializado em oncologia quer frente a hospitais que já têm excelência em tratamento do câncer e atender a elite econômica do país
Associadas numa mesma frase, as palavras "câncer" e "luxo" soam incongruentes. Mas aos olhos dos administradores do Hospital São José, ligado à Beneficência Portuguesa, não há razão para que seja assim. A instituição inaugurou em março dois andares dedicados exclusivamente ao tratamento do câncer e não esconde o seu propósito: atender pessoas de altíssimo poder aquisitivo, público conhecido como triplo A. “Percebemos essa demanda observando os vários tipos de público que já estamos acostumados a tratar: políticos, artistas ou até mesmo médicos”, diz Antonio Carlos Buzaid, chefe do Centro Avançado de Oncologia. Os hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein, que também recebem essa clientela, admitem preocoupar-se com o conforto dos pacientes, com serviços como manicure, massagista, correio e pet shop. Mas suas direções se recusam a falar em luxo.
Os serviços oferecidos no São José lembram mais um hotel que um hospital. Há concierges prontos para ajudar pacientes e acompanhantes em diversas tarefas, como fazer a reserva em restaurantes, hotéis e veículos. Estão disponíveis serviços de lavanderia, cartório e até câmbio. Se o paciente for estrangeiro, há intérpretes. Há três suítes de 75 metros quadrados. Há outros 62 leitos de 45 metros quadrados e 18 salas individuais para quimioterapia. Um novo prédio de sete andares, que será um anexo do hospital atual, com inauguração prevista para o primeiro semestre de 2013, segue a mesma filosofia.
O centro está sendo conduzido por médicos egressos do Sírio-Libanês, como o próprio Buzaid e Fernando Maluf. Buzaid foi diretor clínico do centro de oncologia do Sírio, e Maluf, chefe de residência médica. “A criação de um centro privado, dedicado unicamente à oncologia, é uma ideia inovadora”, diz Maluf, agora chefe da oncologia clínica do São José. O hospital A.C. Camargo, em São Paulo, também é especializado no tratamento do câncer, mas atende a um público amplo, incluindo pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e convênios.
Crescimento — Hoje, o câncer é a segunda maior causa de mortalidade no mundo. Entre dez e quinze anos, deve tornar-se a primeira, à frente das doenças cardiovasculares. Em razão da comprovada excelência, os hospitais gerais trabalham com sua capacidade de ocupação no limite. “Temos uma infraestrutura igual ou melhor que os outros. Um dos nossos diferenciais é o tamanho do hospital: por ser menor, é possível dar um atendimento mais individualizado, mais aconchegante”, diz Júlio Braga, superintendente do hospital.
Além de Maluf e Buzaid, Riad Younes e Marcelo Seneda também vieram do Sírio. “Estamos fazendo um recrutamento agressivo de mais médicos do país e de fora do país para montar o corpo da oncologia clinica. Ao mesmo tempo, cirurgiões que operam em outros hospitais também vão se credenciar para cuidar dos seus pacientes aqui”, diz Maluf. Explica-se o recrutamento "agressivo": médicos de renome são, eles próprios, fatores de atração de clientela e costumam ser seguidos com fidelidade por seus pacientes, onde quer que operem. Depois da chegada de Buzaid, a taxa de ocupação do hospital subiu 20% em 15 dias.
Treinamento de etiqueta — Até o fim do ano, a equipe total do hospital deve crescer de 370 funcionários para 520. Para as adaptações no centro de oncologia, foi realizado um investimento de 3 milhões de reais. Além disso, o hospital contratou uma consultoria de imagem, com um investimento de 2,5 milhões de reais em mídia. Os funcionários também passaram por treinamentos de etiqueta, comportamentais e operacionais. Foram mais 700.000 reais, além do orçamento original.
Buzaid aposta em uma adaptação rápida dos pacientes ao novo local. “Todos estão adorando. Não ouvi nenhuma reclamação. Eles sabem que a qualidade não vai mudar. Pode haver mudança na hotelaria, mas a qualidade permanece a mesma”, diz. Continue lendo a reportagem
Dois quartos para Alencar — O luxo não está ausente nos mais antigos concorrentes do São José. Sírio e Einstein incorporaram ao longo dos anos serviços requintados. O Einstein afirma que sempre houve uma preocupação em oferecer quartos grandes aos pacientes. No Sírio, se houver necessidade – como no tratamento do ex-vice-presidente José Alencar -, é possível unir dois quartos. Além disso, os dois hospitais também são capazes de atender o desejo de sigilo dos pacientes, caso estes queiram rotas alternativas em suas entradas e saídas, para evitar os olhares curiosos.
Segundo Nelson Hamerschlak, chefe do setor de oncologia do Einstein, o hospital está sempre em reformas para melhorar as instalações. “Estamos nos adequando aos padrões do M.D Anderson (um dos maiores centros de oncologia do mundo, localizado no estado do Texas, nos EUA). “Vamos ter mais conforto, quartos maiores, área de enfermagem reestruturada e alterações para consultórios de equipes multifuncionais”, conta. Continue lendo a reportagem
“Primeiro o paciente procura qualidade do tratamento, depois ele vai olhar coisas como a instalação física ou quartos grandes. Ninguém discute que isso é importante e que todos os hospitais fazem um esforço para ter uma hotelaria que agrade”, diz Paulo Hoff, diretor executivo do Centro de Oncologia do Sírio-Libanês. "Mas nossa missão não é tratar o paciente triplo A. É tratar todos aqueles que nos buscam. E temos feito esforços nesse sentido, inclusive para ampliar o acesso ao hospital", acrescenta.
O atendimento diferenciado já é realidade desses hospitais há algum tempo. Ao chegar no quarto, o paciente responde uma série de questões sobre preferências, desejos e hábitos, que vão desde o jornal que ele lê até o número de travesseiros que costuma usar. Para atender a todas as necessidades, os hospitais ainda têm convênios com serviços de manicure, cabeleireiro, massagista, correio, lavanderia, pet shops, entre outros. O Einstein, por exemplo, tem parceria com a doceria Kopenhagen e com o salão de cabeleireiros Jacques Janine. Segundo Claudio Lottenberg, presidente do Einstein, o hospital foi o primeiro do Brasil a utilizar o serviço de hotelaria hospitalar. ”Sempre acreditamos nesse tipo de conforto e suporte. Fizemos isso a vida inteira”, afirmou Lottenberg. “Mas você não faz a medicina só com aparelho, estrutura física ou humana. É preciso juntar esses elementos e construir uma base”.
A cura, mas sem luxo
A criação de um centro especializado em oncologia somente é inédita se levada em consideração o enfoque no atendimento classe A. Em São Paulo, o Hospital A.C Camargo é destaque para o tratamento de pacientes com câncer e atende tanto pacientes de convênio como os do Sistema Único de Saúde (SUS). Sem quartos espaçosos, entradas privativas ou serviços de hotelaria de luxo, o A.C Camargo oferece tratamento de ponta aos pacientes, que podem se submeter a exames de última geração e ainda participar de pesquisas clínicas.
Segundo Ademar Lopes, diretor do Hospital A.C Camargo, o hospital formou mais de um terço dos oncologistas espalhados pelo Brasil, América do Sul e América Central. “Temos mais de mil trabalhos publicados nos últimos dez anos em revistas internacionais de grande impacto”, diz. “Esse é um diferencial muito forte. Os hospitais particulares têm mais dificuldade de fazer pesquisa”, afirma.
De acordo com Lopes, o hospital tem um departamento de oncogenética, que se destina ao estudo de tumores hereditários, responsáveis por 10% dos cânceres. “Nosso hospital tem um banco de tumores, com mais de 30.000 amostras guardadas, que fornece uma estrutura de pesquisa. É o primeiro banco de tumores do país”.












Comentários
xlz
em Francisco Beltrão ha um hopital que atende pacientes de cancer pelo sus e que não esta credenciado ainda...alguém poderia explicar pq??
18.04.2012
renata
cancer combina com esperança de cura. prolongamento da vida. a sensibilidade do paciente a flor da pele. ele pede apenas que lhe deem esperança e acrescentem dias a mais em sua existencia.
05.11.2011
adriana
prefiro : a cura , sem luxo ,
07.05.2011
ricardo tussolini
Podemos notar que,de todos os hospitais citados na reportagem, o que possui um maior numero de atendimentos é justamente o pioneiro, A.C Camargo.Alem de possuir tecnologia de ponta, abrange a toda uma população independente de qualquuer coisa, afinal o cancer não escolhe classes e nem raças, e ter uma instituição aferecendo (..)
03.05.2011
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roberto andrea maffessoni
QUEREM VER ESSE SUPER HOSPITAL DA CLASSE AAA QUEBRAR? É SÓ PROIBIR DE ATENDER POR CONTA DO CONTRIBUINTE A TODOS OS FIGURÕES E POLITICOS DO BRASIL. PRONTO TÁ QUEBRADO. E POR CONTA MANDEM SER ATENDIDOS NO SUS. MEMÓRIAS DO BRASIL DO PT.
21.04.2011
MRT
Quando se tem $$$$ tudo fica mais fácil, agora o duro é ter que esperar vaga em Hospitais que atendem pelo SUS. Viajar por estradas cheia de buracos em ambulância caindo aos pedaços. E além disso esperar por uma vaga. Um verdadeiro martírio para quem não tem acesso aos hospitais classe AAAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!
18.04.2011
Pedro Antosko
Tudo que for feito pela saúde da populaçao tera que ser muito bem aceito parabéns á direçao desse Hospital
17.04.2011
Pablo J.
No RJ tem o INCA, que é pra todos, de A a Z! A saúde tem que ser pra todos, não pra uma minoria incubada em suas mansões!
14.04.2011
ro duran
Otimizar e humanizar o tratamento dessa terrível doença é louvável. Entretanto, é preciso que sejam alcançadas todas as classes sociais, indistintamente. De A a Z, o sofrimento é o mesmo, implacável, atroz...
12.04.2011
DIRLEIA
Q boooooooom!!! A minoria burguesa tem mais um centro de atendimento de altissíma qualidade enqto a maioria de pacientes oncológicos pobres, flagelados e desesperados esperam por 3, 4, 12 meses ou mais pra um exame ou atendimento num hospital público!!! Isso, se não morrerem antes da consulta ou do resultado do exame!! Parab(..)
12.04.2011
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Borges
Concordo com o Luiz Fernando... em muitos aspectos o hospital de Barretos não perde em nada para os da reportagem... ainda mais se comparar com o A.C. Camargo... Dizem que atendem SUS... mas desafio alguém ir lá e tentar receber todo tratamento pelo SUS... vamos ver se conseguem pronto atendimento... lá quem paga tem preferê(..)
11.04.2011
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Robson Chiaroti
Realmente uma bela reportagem. Desses hospitais citados, gostaria de destacar o A.C Camargo, que evidentemente é o hospital com menos poder financeiro e mesmo assim possui os melhores números em relação a consultas e números de salas de quimioterapia. Parabéns Irlau Machado (Superintendente do Hosp A.C Camargo) e a todos col(..)
11.04.2011
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rubens
... enquanto as classes c.d.e ficam no SUS
10.04.2011
cleber oliveira
Bem, realmente e a associação entre luxo e câncer é algo no mínimo inusitado, ainda mais quando pensamos que essa doença seja capaz de deteriorar o doente tanto no aspecto físico como no emocional. Parece estranho, mas notícias como essas, me remeteram ao filme "Titanic", onde retrata os músicos reunidos no convés do navio t(..)
10.04.2011
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wilson
é falso a afirmaçao de que a vida não tem preço..pelo menos para os que sofrem do mal do cancer ela tem e custa alguns milhares de reais. quem tem dinheiro dependendo do tipo de cancer ,sobrevive, quem nao tem apenas espera a morte chegar em uma fila de exames no sus.
10.04.2011
wisney martins
O Brasil precisa, cada vez mais, de hospitais com qualidade para todos os tratamentos. Quando o País conseguir atender de AAA a ZZZZZZZ, assim teremos muito a comemorar. Parabéns.
09.04.2011
luiz fernando
bela reportagem, porem tem o hospital do cancer de barretos, que atende 100% sus e para mim, é como c fosse um hotel 5 estrelas, deveria estar ai no meu desses outros hospitais
09.04.2011