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'Hoje é o primeiro passo para a cura da aids', diz Nobel

Grupo de cientistas apresentou uma agenda de pesquisa para vencer a doença

A virologista Françoise Barre-Sinoussi, Nobel de Medicina: aposta na cura da aids

A virologista Françoise Barre-Sinoussi, Nobel de Medicina: aposta na cura da aids (Thibault Camus/AFP)

"Hoje é o primeiro passo para a cura da aids". Com esta declaração, a virologista francesa Françoise Barre-Sinoussi, que ganhou o prêmio Nobel de Medicina em 2008 por identificar o vírus HIV, anunciou nesta quinta-feira o início de uma coalizão internacional para finalmente derrotar o vírus que provoca a doença.

Durante uma entrevista prévia da Conferência da Sociedade Internacional de Aids deste ano, que começa sábado em Washington (EUA),  Barre-Sinoussi afirmou que, após as últimas descobertas relacionadas à aids, a cura para a doença está à vista e um time de cientistas do mundo todo se uniu em torno de uma agenda de pesquisa para encontrá-la.

O esforço é inspirado na história do paciente americano Timothy Ray Brown, que se curou da aids após passar por um tratamento em Berlim em 2007.  Brown foi submetido a um transplante de células-tronco doadas por um homem com uma rara mutação genética que impede a contaminação pelo HIV. Todo seu sistema imunológico foi substituído por um novo.

"Isso prova que encontrar uma maneira de eliminar o vírus do corpo é realista", disse a virologista francesa. Nos últimos anos, o bem sucedido tratamento de Brown se tornou uma espécie de mantra para os cientistas, que buscaram repeti-lo apesar do alto custo e das dificuldades para reprodução em grande escala.

A partir de agora, ao invés de procurar copiar o tratamento de Brown, os pesquisadores irão se concentrar em como chegar a uma reação semelhante de forma mais barata e fácil de replicar. 

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Otimismo – O otimismo dos pesquisadores, porém, se deve também a outras conquistas recentes. Segundo Barre-Sinoussi, agora existe a certeza de que uma minoria de pacientes, cerca de 0,3%, não apresentam sintomas da doenças mesmo sem nunca ter recebido qualquer tratamento e um pequeno grupo que recebeu medicamentos antirretrovirais na França passou a viver sem os sintomas da doença. "Há esperança, mas não me pergunte para uma data porque não sabemos", ponderou.

Apesar de evitar estabelecer um prazo para a descoberta da cura da aids, a virologista disse que é possível, "em princípio", eliminar a pandemia até 2050 se as barreiras ao acesso a medicamentos forem eliminadas.

Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA e um dos principais colaboradores da iniciativa, ponderou que é cedo para avaliar as chances de sucesso. Mas ele virá, acredita. "Posso dizer que estou confiante de que teremos uma vacina, só não posso lhe dizer quando. Com a cura, ainda estamos em uma fase muito nascente da descoberta".

Redução – O número de mortes pela infecção por HIV está em queda em várias partes do mundo. De 2005 a 2011, a redução foi de 24%. Já o número de pessoas em tratamento subiu 20% entre 2010 e 2011, alcançando 8 milhões de pessoas, a maioria nos países mais pobres.

Mais que 34 milhões de pessoas no mundo todo estão vivendo com o vírus HIV, e 30 milhões morreram de doenças relacionadas à aids desde a década de 1980, quando a doença foi descoberta, de acordo com a Agência das Nações Unidas de Luta contra a Aids (Unaids).

Brasil – No país, a incidência da doença, que é de 18 pessoas infectadas para cada 100.000 habitantes, permanece estável há 12 anos. Entre 1980 e junho de 2011 foram notificados 608.230 novos casos de aids, dos quais 56,4% concentram-se no sudeste.

Em 2010, foram 34.218 novos casos no país. Nesse período, oito estados apresentaram índices de incidência maiores que a média nacional: Amazonas, Roraima, Pará, Espirito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

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*O conteúdo destes vídeos é um serviço de informação e não pode substituir uma consulta médica. Em caso de problemas de saúde, procure um médico.

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