Saúde
Ética
Facebook coloca novo dilema ético a médicos
Pesquisadores sustentam que profissionais que mantêm perfis na rede não estão preparados para lidar com pacientes no ambiente virtual
(AFP)
Um em cada sete médicos disseram que decidiriam caso por caso se adicionariam um paciente como amigo no Facebook.
A adesão de médicos à rede social Facebook abriu um novo debate sobre a ética desses profissionais. Estudo realizado por pesquisadores do Hospital Lariboisièreque, na França, que ouviu 400 médicos em formação na Universidade Hospital Rouen mostrou que 73% dos entrevistados mantêm perfis na rede com dados que permitem facilmente sua identificação - caso de nome real, data de nascimento e foto (91%). Um em cada sete médicos acrescentou ainda que poderia adicionar pacientes em seu grupo de amigos do Facebook.
"Essa nova interação entre paciente e médico resulta em uma situação eticamente problemática, porque não está relacionada à assistência direta ao paciente”, defenderam os autores do estudo no Journal of Medical Ethics. "Além disso, a disponibilidade pública de informações sobre a vida privada de um médico pode ameaçar a confiança mútua entre ele e seu paciente. Comentários e fotos postados on-line podem ser mal interpretados fora do seu contexto original e podem não refletir com precisão as suas opiniões e comportamentos da vida real.”
Por ora, a preocupação dos estudiosos pode ser exagerada. Poucos pacientes de fato pediram a seus médicos que os aceitassem entre seus grupos de amigos. Segundo o estudo, só 6% dos médicos entrevistados haviam recebido tal solicitação; 4% aceitaram.
Porém, os autores da pesquisa preveem que esses números vão aumentar com o tempo e apostam que os médicos não estão preparados para isso. Só 61% haviam mudado suas configurações de privacidade, mas 17% não lembravam que alterações haviam promovido. Profissionais com menos de um ano de cadastro na rede se mostraram mais suscetíveis a erros nessas configurações. Além disso, 55% davam informações profissionais no perfil e 59%, dados sobre sua formação.
A grande maioria, contudo, ainda diz que recusaria imediatamente um pedido de amizade de um paciente (85%). As razões mais citadas para isso são o medo de interesse romântico e a necessidade de manter uma distância profissional. Só no fim da lista apareceu a suspeita de que a relação on-line fosse antiética. O Facebook se recusou a comentar a pesquisa.
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Comentários
Alexsandro
Não vi nada demais disso. Será que se o Paciente ver uma foto de um médico se divertindo, mesmo que seja excêntrico, isso já é sinômino de incredibilidade na proissão? Acho isso um exagero... Médico e paciente, como o tempo, pode criar um laço de amizade, não pode? Achei Exagero isso.
19.12.2010
Marcio Candiani
Interessanttíssimaa Pesquisa. Concordo plenamente com o estudo. Sites ou blogs não expõe a vida privada do médico. No facebook, eu, que mantenho uma conta, tento controlar minha privacidade ao máximo e evito colocar fotos de famiiia- tenho apenas uma foto. Já adicionei pacientes, mas não o faço mais. Médico deve ter sua vida(..)
17.12.2010
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