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Dor na coluna e desânimo. A culpa pode ser do travesseiro

Priscila Zuini

Dores na coluna, no pescoço, torcicolo, cansaço. O travesseiro errado pode ser o culpado por esses e outros incômodos, sobretudo os que aparecem logo depois de despertar. Foi isso que descobriu uma pesquisa recente feita no Hannover Medical School, na Alemanha, e publicada no jornal científico International Journal of Rehabilitation and Research.

Os médicos convidaram 149 pessoas que sofriam com dores na coluna cervical para fazer um teste, divididas em dois grupos: um deles substituiu o travesseiro, o outro continuou com o de costume. Depois de um ano, o primeiro grupo deixou de sentir os tais desconfortos na região do pescoço e passou a acordar mais descansado também.

O acessório errado em alguns casos provoca, também, dormência nas mãos. "Muita gente acorda e acha que aquela formigação súbita é sinal de um infarto ou um derrame, quando não passa de um reflexo de dor no pescoço", explica o ortopedista Sérgio Augusto Xavier, do Hospital do Coração de São Paulo. A longo prazo, o uso inadequado do travesseiro causa até dor crônica nas costas, artrose - pequenos desgastes nas vértebras - e desvio da coluna.

Todo esse desconforto reflete também no dia a dia. Em geral, as dores causadas pelo mau uso do travesseiro fazem com que a pessoa acorde com aquela sensação de que não dormiu nada, que não descansou. É bom lembrar, no entanto, que esses sintomas são também muitas vezes causados por outros fatores como genética, erros de postura, obesidade, falta de atividade física e movimentos repetitivos.

"Todos devem buscar um lugar agradável e confortável para dormir, principalmente quem tem insônia. Isso é parte de uma boa higiene do sono", ensina o neurologista e presidente da Associação Brasileira do Sono, Luciano Ribeiro Pinto Júnior. Além disso, para evitar noites mal dormidas, é bom observar o tipo de colchão, um item que precisa ser trocado a cada cinco anos. "Ele não pode ser nem muito mole, nem muito duro. É preciso enxergar a coluna reta quando a pessoa estiver deitada de lado", diz o ortopedista Alexandre Fogaça, especialista em coluna do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. "O ideal é dormir de lado, pois assim a coluna permanece alinhada. As pernas ficam dobradas, com os joelhos flexionados, em posição fetal, o que ajuda a aliviar a tensão da lordose lombar - aquela curvatura logo acima do quadril", completa Sérgio Augusto Xavier.

Dormir sem o travesseiro é tão ruim quanto usar o errado. Ele força ainda mais a coluna, deixando um vão entre os ombros e o colchão. As pessoas que tem problemas para respirar ou refluxo, por exemplo, devem optar por modelos que mantenham o corpo mais elevado, para evitar um mal estar durante a noite. Basicamente, o mais importante é saber se o modelo escolhido ajuda a relaxar e não força a coluna, mas do que ele é feito também é um dos pontos a ser considerado. Quem tem alergia deve buscar tipos específicos. É preciso que o material permita ventilação, principalmente para quem transpira muito durante a noite. Travesseiro também tem prazo de validade: de um a dois anos.

 

Como escolher o travesseiro

A opção deve ser feita de acordo com a posição durante o sono

 
Quem dorme de lado precisa de um modelo nem muito alto nem muito baixo, que preencha a distância entre o ombro e o rosto
De barriga para cima, o travesseiro deve ser um pouco mais baixo para que a cabeça não fique muito elevada
Não há travesseiro apropriado para os que dormem de bruços. O ideal é tentar policiar-se para dormir em outra posição
Para quem se mexe muito durante o sono, o mais adequado é um travesseiro flexível, que se adapte às várias posições

 

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