tarja crack
 
12/11/2010 - 22:14
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Drogas

Crack avança na classe média e entra na agenda política

Devastador como nenhuma outra droga no Brasil, ele se espalha pelo país e demanda ações mais contundentes das autoridades

Natalia Cuminale
Jovem de 16 anos acende cachimbo de crack, na rua dos Gusmões, região da nova cracolândia, no centro de São Paulo

Jovem de 16 anos acende cachimbo de crack, na rua dos Gusmões, região da nova cracolândia, no centro de São Paulo (Apu Gomes/Folhapress)

A tragédia do crack não é nova para o Brasil. Há anos, o país convive com o drama de violência e morte. Novo e oportuno, contudo, é o fato de a elite política do país, enfim, reconhecer a emergência do problema. No último dia 31, em seu primeiro discurso como presidente eleita, Dilma Rousseff disse que o governo não deveria descansar enquanto "reinar o crack e as cracolândias". Poderia ter falado genericamente "drogas", mas referiu-se especificamente ao "crack". Não foi à toa. Estima-se que no mínimo 600.000 pessoas sejam dependentes da droga no país - variante devastadora da cocaína que, como nenhuma outra, mata 30% de seus usuários no prazo máximo de cinco anos.

A praga do crack nasceu e grassou entre os miseráveis, a tal ponto que "cracolândia" virou sinônimo de "local onde pobres consomem sua droga". É mais do que tempo de rever esse conceito. Pesquisa da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo divulgada em 2009 constatou que o crack avança rapidamente entre os mais abastados: o crescimento entre pessoas com renda superior a vinte salários mínimos foi de 139,5%. Além dos números, os dramas pessoais confirmam que a química do crack corrói toda a sociedade. Nas clínicas particulares, que custam aos viciados que tentam se livrar da cruz alucinógena milhares de reais ao mês, multiplicam-se universitários, empresários, professores, militares. Todos estão reunidos pelo mesmo mal e almejam idêntico objetivo: tirar a pedra do meio do caminho de suas vidas. Confira os depoimentos.

O crack se espraia pelas classes sociais e pelas paragens brasileiras. "Antes, São Paulo era o reduto. Falava-se do assunto como um fenômeno paulistano. Agora, ele chega com força em outras cidades e estados", diz Dartiu Xavier, coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Embora não haja números precisos sobre consumo, os dados sobre apreensão da droga permitem concluir que cada vez mais gente é ferida pela pedra. Segundo dados da Polícia Federal, em 2009, foram apreendidos 513 quilos da droga - volume 43 vezes superior ao registrado no início da década.

Embora tardias, duas pesquisas em andamento na esfera do governo federal explicitam a preocupação das autoridades com a questão. Uma, a cargo do Ministério da Saúde, vai traçar o perfil do usuário de crack. Outra, nas mãos da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), pretende determinar padrões de consumo, barreiras para o tratamento e histórico social e médico de 22.000 usuários - que farão testes de HIV, hepatites (B e C) e tuberculose. Paulina Duarte, secretária adjunta da Senad e responsável técnica pelo estudo, acredita que será a maior pesquisa já realizada no mundo sobre o crack. "Um estudo dessa magnitude vai produzir um banco de dados gigantesco", diz.

O levantamento pode ser um esforço hercúleo, mas não escapa das críticas dos especialistas. Ronaldo Laranjeira, psiquiatra da Associação Brasileira de Psiquiatria, diz que o governo deveria substituir pesquisas por ações. "Há doze anos, a comunidade científica aponta que o crack é uma droga diferente. Para que gastar dinheiro com um grande levantamento quando o que precisamos é de ação e de propostas?", questiona. O governo contra-ataca. Lembra que, em maio, lançou o Plano Integrado para Enfrentamento do Crack e outras drogas, com investimento estimado em 410 milhões de reais em pesquisa, prevenção, combate e tratamento.

Droga nefasta - "Comparado a outras drogas, o crack é sem dúvida a mais nefasta, porque produz rapidamente a dependência: sob a compulsão pela substância, o usuário desenvolve comportamentos de risco, que podem chegar à atividade criminosa e à prostituição", diz Solange Nappo, da Unifesp. Pablo Roig, psiquiatra e dono de uma clínica de tratamento de dependentes químicos, acrescenta que a dependência chega a tal ponto que "o usuário perde a capacidade de decidir se usará ou não a droga".

A mancha do crack se espalha entre usuários de drogas devido a uma combinação de acesso econômico e potência química. Jairo Werner, psiquiatra da Universidade Federal Fluminense e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, chama a atenção para a relação "custo-efeito" da droga. "A relação entre preço e efeito faz do crack uma droga muito popular, de fácil acesso", diz. Ele explica ainda que os traficantes desenvolveram uma verdadeira estratégia para ampliar o mercado da droga: a "venda casada", de maconha mais crack. "No primeiro momento, a maconha dá um relaxamento e o efeito do crack é mitigado. Depois, o usuário resolve experimentar o crack puro e sente um efeito muito mais poderoso."

Começam, então, as mudanças de comportamento. Além de graves consequências para a saúde, a droga provoca no dependente atitudes violentas. "Ele fica alterado, inquieto, irritado e, em geral, passa a se envolver com a criminalidade como nenhum outro usuário de drogas", diz Laranjeira, da Associação Brasileira de Psiquiatria. "A única prioridade é a droga: a saúde, a família, o trabalho e os amigos ficam de lado. É uma mudança total no esquema de vida e estrutura de valores", acrescenta Roig.

Estimativas americanas apontam que, a cada dólar gasto no combate às drogas, a sociedade economiza até sete dólares em despesas com hospitais, segurança pública e acidentes de carros, entre outros. No caso devastador do crack, fica evidente que a cruzada antidroga pode economizar ainda mais vidas.

Leia mais:

O poder de destruição do crack e seu efeito no organismo

Depoimentos de usuários de classe média que tentam largar a droga

Os desafios para tratar os dependentes da droga

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Comentários


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julio

Agora que a agua bateu na porta deles vao tomar uma medida, enquanto tava matando só os miseraveis tudo bem, menos um para roubar matar e etc: só tem duas medidas para combater as drogas,pena de morte para traficantes e internacão forsada para dependentes,tive um caso na minha familha com crak, depois de duas internação em c(..)

24.01.2012

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Vanderlei Ribeiro

Os politicos sempre com enganação o que deviam fazer é aprovar a pena de morte para traficantes de drogas como na Indonésia ai iria melhorar.

05.11.2011

Ana Catarina Romão

Concordo plenamente com o que Ronaldo Laranjeira, psiquiatra da Associação Brasileira de Psiquiatria diz.O que falta na minha concepção é ação por parte dos governantes, afinal eles não foram eleitos para nos representar?Oque adianta gastar com pesquisas se o que falta é agir ajudando os dependentes e combatendo o tráfico.Já(..)

15.09.2011

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Thalita Mayara Silva Dos Santos

QUe FOTO MARAVILHOSA!!!!PARABENS APU GOMES....

31.08.2011

Thalita Mayara Silva Dos Santos

Infelizmente,não consigo ver uma solução para o problema das drogas! E continuo fazendo parte do grupo que é "CARETA" na questão de liberar a maconha para fins medicinais.... Droga é Droga e pronto!!!

31.08.2011

eliana

a droga e uma destruidora leva tudo que voce tem primeiro seu dinheiro depois sua saude amigos e deixa por ultimo sua vida pensamento meu

23.04.2011

Marleide Dias

Estou fazendo um curso de conselheiro sobre drogas,me interesou essa reportagem sobre crack,como faço para adiquirir essa revista que fala sobre o CRACK .Marleide

30.01.2011

Dilma

Tenho um filho de 28 anos dependente de crack,foi devastador não só na vida dele,mas também de todos os familiares.É preciso urgêngia no combate a essa e outras drogas.Quem usa financia a violência e destroi todos a sua volta. D.P.

02.12.2010

vitor

bom gostei dessa materia bem colocada no rumo do crack! olha que eu estou na escola ! flw

24.11.2010

Carol

Parabéns Veja.com por esta edição, porém apenas gostaria de ressaltar que nada vale investimentos em pesquisa e tratamento se nao for destruidos o foco de produção de toda essa droga, pois de acordo com dados da Polícia Federal foram apreendidos 513 quilos da droga -crack- volume 43 vezes superior ao registrado no início da(..)

21.11.2010

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IVAN PRADO

Muito bem colocado a necessidade de informar as consequencias e a evolução incontrolável do crak conheço muito bem seus efeitos e a dificuldade que foi livrar-me da sua dependencia espero que a sociedade se senssibilize e ajude cada vez mais a combater essa feroz e implacável doença que atinge cada vez mais brasileiros despr(..)

16.11.2010

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Joaquim

Para acabar com o tráfico apenas adotar o que é feito na Grécia,seja o traficante anonimo ou famoso, rico ou pobre.Se os marginais criaram falenge vermelha,comando vermelho,pcc e outras denominações o Pove deve criar o E.T.

15.11.2010

yuri

o poder púlblico têm que tomar uma providencia o mais rapido pissivel.

15.11.2010

liza hyster

A luta contra as drogas, principalmente o crack, deve ter vontade política e para isso, nós, a própria sociedade que se mantem alerta, deve pressionar, pois a pressão deve ir junto com o voto. Se o voto da população é obrigatório, a meu ver, a pressão da sociedade em fazer o governo eleito gerir a favor de sua sociedade. Dev(..)

15.11.2010

| Ler Mais

ELIO NEPOMUCENO ANDRADE

Como assinante da Veja fico feliz pela coragem jornalista deste empresa que sempe esta na frente apontando os desatinos de nossa sociedade, mas mostrando o lado da recuperação. Sou Coordenador do Programa Terapeutico da comunidade Imaculada Conceição - Gravatai/RS. Temos 42 jovens em tratamento em nossa "fazemda" sendo 92% u(..)

14.11.2010

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Joao Alberto Deuschle

Boa tarde Ate hoje nao vi medidas concretas contra as drogas.A questao gira sempre em torno de "recursos".Eu acho que o governo deveria insvestir na Escola.O exemplo esta em um programa no RS, o PROERD(Programa Educacional de Resistencia as Drogas e Violencia)que deveria ser curricular.A familia tem que participar da vida de(..)

14.11.2010

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Lala

Falar do crack,eu acredito que é só quem vive como eu ,que temos uma noção real do problema,meu filho é piloto,estava cursando ciências Aeronaúticas...enfim...primeiro ele começou como outros,maconha,cocaina,e crack,e é compulsivo.Logo percebemos mas não aceitamos,veio a primeira prisão,depois a segunda e agora está preso po(..)

14.11.2010

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TOUPEIRA

É PRECISO RADICALIZAR COM QUEM PASSA A DROGA. CANA PERPÉTUA, COM TRABALHOS FORÇADOS, ESTARIA DE BOM TAMANHO. COM A PALAVRA, DONA DILMA; E, NOSSOS POLÍTICOS QUE FAZEM AS LEIS; E, AS REPAGINAM, QUANDO PRECISO; ALIÁS, JÁ PASSOU DA HORA, DE DAR TURBINADA, NAS NOSSAS MOLES LEIS. TOLERÂNCIA ZERO, É O QUE O POVO PEDE.

14.11.2010

Marco Antonio da Cruz

NÃO ADIANTA O ASSUNTO FICAR EM PAUTA NA AGENDO DOS POLITICOS SE O ASSUNTO ERA PARA O SECULO PASSADO, O AGRAVANTE DA SINTUAÇÃO E TOTAL PARA FICAREM DE BRINCADEIRA ENQUANTO VIDAS E MAIS VIDAS VÃO SE PERDEANDO,FAMILIAS SE DESTRUINDO E UM BANDO DE SEM VERGONHAS BRINCANDO DE SER POLITICO, CONCORDO QUE É UM ASSUNTO,POLICIAL,MAS É (..)

14.11.2010

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walter

Pode parecer pedagógico: "de todos os atos, colhem-se experiência, mesmo dos atos falhos".Pois bem, a curiosidade me levou a consumir crak e após um tempo de consumo, decidi estampar na minha testa a forte palavra OPNIÃO, para evitar a morte precoce. Deixei de lado a opção de suicídio como usuário e dei volta por cima, sem q(..)

14.11.2010

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SERGIO GOMES

O crack é fruto de uma politica de segurança voltada para a violençia se fumar maconha ezala um cheiro e nao pode ser consumida em qualquer lugar já o crake pode-se fumar que nao deixa rastro no ar mais tambem destroi o homes muito mais rapido ,e a politica do baixa o pau no maconheiro levou muita gente a mudar para o crack (..)

14.11.2010

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rosa tereza rodrigues

..espero de coração, que a Sra. Presidente eleita Dilma,como mãe e avó que é, de verdade seja tocada pelas bençãos de Nossa Mãe Maria Santíssima, e faça reverter esta situação deplorável em que se encontra nosso AMADO BRASIL, de norte a sul, neste item tão malígno...crack.Que Deus nos livre disso para sempre.

13.11.2010

 

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