Drogas

Consumo de cocaína, mesmo pouco frequente, eleva risco de infarto

Equipe de pesquisadores australianos observou que usuários da droga apresentam uma série de condições ligadas ao ataque cardíaco

Cocaína:

Cocaína: Consumo da droga está associado a ataques cardíacos (Thinkstock/VEJA)

O consumo 'social' de cocaína, ou seja, ao menos uma vez ao mês, já é o suficiente para aumentar o risco de um ataque cardíaco. Mesmo esporádico, o consumo provoca o enrijecimento das artérias e causa pressão alta. "É a droga perfeita para um infarto", afirmou Gemma Figtree, coordenadora da pesquisa apresentada nesta segunda-feira em um encontro da Associação Americana do Coração, em Los Angeles.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Recreational cocaine use linked to conditions that cause heart attack

Onde foi divulgada: Encontro da Associação Americana do Coração, Los Angeles

Quem fez: Gemma Figtree, Stefan Buchholz, Shane Darke, Stuart Grieve, Sharlene Kaye e Rebecca Kozor

Instituição: Universidade de Sidney, Austrália

Dados de amostragem: 40 pessoas

Resultado: Mesmo após pelo menos dois dias depois de consumirem cocaína, usuários da droga apresentam pressão arterial mais alta, maior espessura das paredes do coração e artérias mais rígidas em comparação com pessoas que não consumiram cocaína

No estudo, Figtree e sua equipe, da Universidade de Sidney, na Austrália, recrutaram 20 pessoas que consumiam cocaína pelo menos uma vez ao mês e outros 20 indivíduos que não eram usuários da droga. Os participantes tinham, em média, 37 anos. Os pesquisadores realizaram exames de ressonância magnética, mediram a pressão sanguínea e o funcionamento das artérias de todos os participantes — no caso dos usuários de cocaína, ao menos  48 horas após eles terem consumido a droga. 

Os resultados mostraram que os consumidores de cocaína apresentaram um aumento de até 35% na rigidez das artérias — ou seja, quando elas ficam mais espessas e menos elásticas, quadro que está intimamente ligado a doenças cardiovasculares, como arteriosclerose e hipertensão. Esses participantes também tinham as paredes do coração cerca de 18% mais espessas, o que compromete o bombeamento do sangue para o resto do corpo, e pressão arterial mais elevada do que os participantes que não eram usuários da droga.

"A combinação de todos esses efeitos coloca os usuários de cocaína em um alto risco de sofrer um ataque cardíaco", disse Figtree. Ela explica que esses resultados mostram que os efeitos da droga persistem mesmo dias depois de ela ser consumida, um dado que preocupa ainda mais os especialistas. "Estamos vendo repetidamente casos de jovens que sofrem ataques cardíacos em decorrência do uso de cocaína." Para a pesquisadora, os resultados do estudo ressaltam a necessidade de programas de educação sobre os efeitos da droga a curto prazo e entre pessoas que consomem a droga 'socialmente'.

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