38º Congresso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular

Cirurgia menos agressiva pode corrigir problema na válvula aórtica em idosos

A estenose da válvula aórtica atinge principalmente a população idosa, mas até hoje, no Brasil, a cirurgia para correção não era indicada para essa faixa etária

Aretha Yarak, de Porto Alegre

Uma das novidades apresentadas no 38˚ Congresso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, que acontece até o dia 2 de abril, em Porto Alegre, pode melhorar a vida dos idosos brasileiros com estenose da válvula aórtica. A doença, que atinge 6% da população com mais de 75 anos, se caracteriza pelo estreitamento da abertura da válvula aórtica, causado pela calcificação, o que faz com que menos sangue vá para a artéria aorta. 

Sem cura, a doença só é tratável com uma cirurgia que abre o peito do paciente para a troca da válvula — procedimento que tem como efeitos negativos o aumento do risco de infecções e o maior tempo de recuperação do paciente. Por isso não era indicada para idosos, justamente quem mais precisa da operação. A técnica apresentada no congresso dispensa essa abertura, e em seu lugar usa uma válvula artificial é inserida por uma pequena incisão, sem a necessidade de abrir o tórax. "Isso significa uma redução drástica no risco da operação para esses pacientes", diz Fernando Lucchese, cirurgião cardíaco e diretor do Hospital São Francisco de Porto. Segundo ele, esse novo procedimento é menos invasivo, menos agressivo e pode melhorar os tratamentos de pessoas idosas que, além da estenose, tenham ainda outras doenças. 

Na verdade, a cirurgia minimamente invasiva para estenose da válvula aórtica não é exatamente uma novidade. Criado há oito anos, o procedimento chegou ao Brasil em 2009. Mas nunca foi popularizado. Apesar de ter ganhado força recentemente, no Brasil essas cirurgias pouco invasivas ainda são feitas apenas em casos particulares e com os poucos cirurgiões que dominam a técnica. A maioria desses profissionais está concentrada em faculdades e em grandes centros de pesquisa. Por isso Lucchese, e outros médicos, como Enio Buffolo, da Universidade Paulista de Medicina, e Eduardo Saadi, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, defendem a popularização da técnica e o acesso a todos os pacientes que têm indicação. 

Apesar de parecer simples, o procedimento ainda está longe de ser implementado. Além da necessidade de realizar treinamentos para preparar os médicos, empecilhos como custos, processos de aprovação de material e de liberação pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são lentos e podem atrasar o andamento em alguns anos.

Um desses entraves, no entanto, pode ser sanado em breve. Uma pesquisa realizada recentemente pela equipe de Lucchese e Buffulo testou uma válvula nacional que poderá reduzir em até quatro vezes o preço que se paga hoje pela similar importada. De acordo com Saadi, o valor médio da válvula importada usada nos procedimentos minimamente invasivos hoje é de R$ 90 mil. Caso a nacional seja aprovada pela Anvisa, esse valor passará a ser quatro vezes menor.

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