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Epidemia

Casos de dengue crescem 190% no Brasil em um ano

De acordo com levantamento do Ministério da Saúde, até 16 de fevereiro foram registrados 204.650 casos da doença, contra 70.489 no mesmo período de 2012

Marcela Mattos, de Brasília
'Aedes aegypti'

Aedes aegypti, o mosquito transmissor do vírus da dengue: pesquisa constatou que em janeiro deste ano 267 municípios estavam com risco de epidemia, 487 em alerta e 238 em situação satisfatória (Thinkstock)

"Nós temos, sim, epidemia em alguns estados no país" — Alexandre Padilha, ministro da saúde

O número de casos de dengue no Brasil apresentou um aumento de 190% em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com levantamento do Ministério da Saúde divulgado nesta segunda-feira, até 16 de fevereiro foram registrados 204.650 casos da doença, contra 70.489 no mesmo período de 2012. Apesar da maior incidência, houve redução de 20% na quantidade de óbitos e de 44% nos casos graves.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que atualmente "nós temos, sim ,epidemia em alguns estados no país". Oito deles concentram 84% dos casos: Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Mato Grosso e Espírito Santo. 

O boletim constatou o aumento da dengue em quase todo o Brasil, com destaque para a região Sul (2.836%) e Centro Oeste (801%). Somente a região Nordeste registrou uma queda nas ocorrências: caiu 51% em relação a 2012. Ainda assim, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, alerta que a região apresenta tendência diferente das demais. "Tradicionalmente, o número de casos no Nordeste aumenta a partir de março. Tivemos um período forte de seca e as chuvas devem vir. Está claro qual deve ser o alvo das ações", afirmou o ministro.  

Alguns estados merecem um alerta específico. Mato Grosso do Sul destaca-se como o maior número de casos por 100.000 habitantes: a média foi de 1.677,2, o que representa um aumento de 4.757% em relação ao ano passado. Padilha ressaltou que apesar de não haver transmissão autóctone (quando se contrai a doença na própria cidade) no Sul do país, todas as cidades em situação de risco são do Paraná. Neste ano, subiu de 361 para 12.040 casos. Segundo o ministro, a explicação é motivada pelas condições climáticas da região, bastante parecidas com as do Centro-Oeste. São Paulo também mereceu destaque. De acordo com o ministro, o local historicamente registra baixa transmissão, mas agora evidencia um número que merece atenção: foram 21.691 registros da doença, um aumento de 526%. 

O boletim constatou que o DENV-4, um dos quatro sorotipos no Brasil, corresponde à maioria dos casos: 52,6%. Esse novo tipo da doença, que chegou ao país no final de 2010, apresenta os mesmos sintomas, profilaxia e tratamento. No entanto, por ainda ser relativamente novo, encontra maior vulnerabilidade entre a população, o que pode explicar o índice maior de ocorrências. O secretário de vigilância do MS, Jarbas Barbosa, afirma que o DENV-4 chegou a praticamente todos os estados, e que a tendência é que a disseminação seja mantida.

Redução de mortes — Apesar de já se falar em epidemia, o ministério da Saúde comemorou a redução do número de mortes e de casos graves. De acordo com a pasta, a redução deve-se às medidas adotadas para este ano, entre elas, principalmente, um maior investimento. Em 2012, o foram repassados 1,73 bilhão de reais para custear as ações de vigilâncias dos estados e municípios. O montante recebeu um acréscimo de 173,3 milhões de reais neste ano, destinados às secretarias municipais e estaduais de saúde. 

"Mas não podemos relaxar. Estamos apenas no início do enfrentamento da dengue, que se estenderá até maio. Temos de agir para evitar mais casos”, pondera Padilha. O ministro explicou ainda o perfil dos casos de óbito. Normalmente, são pessoas idosas e já com debilidades decorrentes de outras doenças, como hipertensão e diabetes.   

Infestação — O ministério da Saúde também mapeou onde estão concentrados os focos de reprodução do mosquito da dengue. De acordo com o Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (Lira), realizado em 983 municípios, a maior incidência de larvas em reservatórios de água ocorreu no Nordeste, com 76,2% do motivo dos registros. Já a região Sudeste destaca-se por concentrar o maior foco em depósitos domiciliares: 63,6%. A pesquisa constatou que em janeiro deste ano 267 municípios estavam com risco de epidemia, 487 em alerta e 238 em situação satisfatória. 

 

Stefan Cunha Ujvari, médico infectologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e autor do livro A história da humanidade contada pelos vírus
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Como a dengue é transmitida?


*O conteúdo destes vídeos é um serviço de informação e não pode substituir uma consulta médica. Em caso de problemas de saúde, procure um médico.

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