Dieta

Alimentação

A ciência de perder peso comendo com prazer

Neurocientista americana lança livro explicando como o sistema nervoso reage à alimentação — e como sentir prazer ao se alimentar pode ajudar a emagrecer

Mariana Janjacomo
No livro Foodist, neurocientista ensina como perder peso comendo com prazer — e sem deixar de lado doces e gorduras

No livro Foodist, neurocientista ensina como perder peso comendo com prazer — e sem deixar de lado doces e gorduras (Thinkstock/VEJA)

É possível emagrecer sem fazer dieta. Das saladas aos chocolates, basta que se coma de maneira consciente — mastigando bastante, escolhendo produtos, de preferência, em feiras de rua e começando a refeição pelos itens do prato que lhe dão mais prazer. A nova proposta da neurocientista americana Darya Pino Rose é o que ela chama de uma "não-dieta". "O que precisa ser evitado é o exagero", diz. Darya não conta calorias, nem restringe carboidratos ou evita açúcar. Formada em neurociência pela Universidade da Califórnia, ela acredita que ao pensar a comida como algo prazeroso, que deve ser degustado, acaba-se ingerindo porções menores — e, assim, emagrecendo com saúde. As dicas dela foram lançadas no livro Foodist — Using real food and real science to lose weight without dieting (Foodist – Usando comida e ciência de verdade para emagrecer sem fazer dieta, em tradução livre), ainda sem previsão de lançamento para o Brasil.

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Foodist — Using Real Food and Real Science to Lose Weight Without Dieting

Foodist

'Foodist' é um guia com dicas para quem quer não apenas perder peso, mas fazê-lo de uma maneira prazerosa. Formada em neurociência, a autora do livro usa o conhecimento científico como seu maior aliado na busca por uma vida mais saudável, sem sacrifícios.

Autora: DARYA PINO ROSE
Editora: HARPER ONE.

Depois de tentar diversas dietas e não conseguir sucesso com nenhuma delas, Darya começou a estudar a ciência que existe por trás da nutrição. "Percebi que ser saudável é o melhor jeito para emagrecer", diz. Manter um hábito saudável, recomendação já há muito indicada por médicos, passou a fazer sentido apenas quando o cérebro entrou na jogada. São inúmeras as funções do sistema nervoso na alimentação. Um exemplo é o ato de mastigar. Quando a pessoa come com mais calma, mastigando o número suficiente de vezes, as chances dela prestar atenção naquilo que está comendo, e se controlar, são muito maiores.

Além disso, se alimentar mais lentamente também ajuda a entender melhor o que está acontecendo. Isso porque durante uma refeição o cérebro tem apenas um foco: preencher o estômago — o que, de imediato, não provoca a sensação de saciedade. Entre saciar o estômago e parar de sentir fome, há um processo que envolve liberação de hormônios e sinais visuais de que a refeição terminou. Esse processo demora cerca de 20 minutos, e só depois dele há a sensação de saciedade. "Se você come muito depressa, corre o risco de ingerir mais comida do que seu corpo precisa", diz Darya.

Leia também entrevista com a autora:
"Fazer dieta não é a melhor escolha"

Criando hábitos — Entre as dicas para adotar o modo foodist (como Darya batizou seu método) de comer, uma das mais importantes é a de comer primeiro os alimentos mais saborosos do prato. Só o cheiro da comida já é o suficiente para que o metabolismo comece a agir. Segundo Darya, o pedaço de comida mais apreciado na hora da refeição é aquele que se come primeiro. "Se você começar pelo que mais gosta, fica muito mais fácil parar de comer. Você tem a certeza de que já comeu a melhor parte", explica. 

Esse truque, no entanto, precisa se tornar um hábito automático. De acordo com a neurocientista, para evitar um fenômeno conhecido como "fadiga de decisões", em que o cérebro precisa usar um grande estoque de energia para tomar muitas decisões em um dia, o órgão ativa um mecanismo por meio do qual 90% das decisões diárias ligadas à comida são resultantes de hábitos, e não de ações conscientes. 

A necessidade de se criar hábitos também explica a razão pela qual Darya acredita que só é possível emagrecer quando a pessoa come o que gosta. Mas isso não significa, no entanto, que aos apaixonados por fritura, o bacon deva ser uma constante no prato. Segundo Darya, é preciso que se encontre quais são os alimentos preferidos entre aqueles considerados saudáveis. Em seguida, reforçar o gosto por essa comida. Isso por que o cérebro tem um sistema de recompensa que usa um neurotransmissor chamado dopamina. Quando fazemos coisas que gostamos — e isso inclui comer alimentos que gostamos — nosso cérebro recebe uma descarga de dopamina. "Isso reforça nosso desejo de repetir aquela ação sempre que possível. É assim que nasce um hábito", explica.

Dieta na rede — As dicas mais valiosas de Darya estão também publicadas no blog Summer Tomato, criado em 2009. "Depois que comecei a comer melhor, me senti mais disposta. E eu nem estava fazendo dieta, aí pensei: todo mundo precisa saber disso". Nos textos publicados em seu blog, a neurocientista não compartilha regras de alimentação, mas tenta estimular as leitoras a terem uma rotina alimentar mais saudável. Darya ensina a fugir das dietas porque, diz, embarcar em um regime pode virar um tiro no pé, já que o sinal que a dieta manda ao cérebro é de que, obviamente, algo é proibido. "Fazer isso é praticamente se programar para, mais cedo ou mais tarde, ter uma overdose daquilo que era tão proibido."

Dicas de um foodist

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Coma três vezes ao dia

A neurocientista contraria a regra ditada por grande parte dos especialistas em emagrecimento de fazer várias pequenas refeições ao longo do dia. “Comer mais do que três vezes por dia não tem mostrado nenhum benefício e pode ser até pior para você aprender a controlar seu apetite”, afirma no livro. “Coma quando você deve comer, e você não vai precisar de nenhuma refeição extra.”

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