Direitos Humanos

União Europeia cobra Obama para fechar Guantánamo

'É hora de cumprir com sua promessa', afirmou porta-voz do bloco europeu

Preso em Guantánamo, em imagem de setembro de 2010

Preso em Guantánamo, em imagem de setembro de 2010 (John Moore/Getty Images/VEJA)

O presidente americano, Barack Obama, precisa cumprir a sua promessa de fechar a prisão de Guantánamo, afirmou nesta quarta-feira uma porta-voz da União Europeia que considerou lamentável ainda ocorrer detenções de prisioneiros na base naval americana em Cuba. "Presidente Obama: é hora de cumprir com sua promessa", escreveu a porta-voz Cecilia Malstrom em uma mensagem no Twitter. "É lamentável que os prisioneiros estejam detidos sem terem sido processados pela Justiça", completou a representante do bloco europeu nesta quarta-feira, quando a prisão, criada para receber acusados de terrorismo após os atentados do 11 de Setembro em Nova York , completa dez anos de existência.

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Poucas horas depois de assumir a Presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 2009, Obama declarou que fecharia a prisão no prazo de um ano. Mas ainda restam 171 detidos, de um total de 779 que passaram pelo campo de detenção na última década. Destes, apenas seis foram considerados culpados pelos tribunais militares, de acordo com o Pentágono, e outros sete – incluindo o autoproclamado cérebro dos ataques de 11 de setembro – comparecerão perante estes tribunais nos próximos meses. No total, 89 prisioneiros foram absolvidos de todas as acusações, mas são uma dor de cabeça para o governo de Obama, que afirma não encontrar países dispostos a recebê-los.

Até agora, doze países europeus, entre eles a Irlanda, Albânia e a Espanha, aceitaram conjuntamente receber cerca de 50 presos que não podiam retornar aos seus países de origem por medo de represálias. A Grã-Bretanha acolheu o maior número (14), incluindo o britânico Moazzam Begg, que utiliza sua nova liberdade para percorrer a Europa em busca de um lar para outros presos de Guantánamo. Rob Freer, investigador da Anistia Internacional sobre os Estados Unidos, disse que a contribuição dos europeus para pôr fim a Guantánamo "é positiva, embora poderiam ter feito mais". Na última segunda-feira, a Casa Branca insistiu  que o presidente Obama continua decidido a fechar a prisão de Guantánamo, embora uma nova legislação aprovada pelo Congresso no fim do ano passado tenha deixado ainda mais difícil colocar a promessa em prática. 

(Com agência France-Presse)

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