Por: Beatriz Souza - Atualizado em

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Akito Mizuno nasceu no Japão, mas mora no Brasil desde 2003. Dos tempos de escola, lembra bem dos treinamentos sobre como agir em caso de terremotos, que recebia duas ou três vezes por semestre. "Ensinavam a nos esconder embaixo das mesas durante o terremoto e depois sair para o pátio, onde os líderes de cada turma faziam a contagem das crianças e informavam aos professores. Eles falavam também para sairmos com livros na cabeça para proteção". Desde o tremor de 1923, quando 140 mil pessoas morreram na planície de Kuwanto, a população japonesa vive em permanente estado de alerta, consciente de que outros desastres podem acontecer.

O Japão tem hoje um dos sistemas mais avançados de defesa civil e uma moderna tecnologia que reforça a estrutura de construções - fórmula para evitar tragédias ainda maiores do que a que atingiu o país nesta sexta-feira. O tremor de 8,9 graus na escala Richter, seguido de um tsunami, foi o mais violento da história do Japão. O governo informa que há pelo menos 350 mortos e 500 desaparecidos. Devido à freqüência com que ocorrem terremotos na região, toda a população é treinada para agir em situações de emergência.

"Se você trabalha em um prédio de 80 andares, tem que estar preparado pra descer e se encontrar com seu grupo sem entrar em pânico. Descer 80 andares nessas condições não é tão simples. Então, os treinamentos são realizados mais de uma vez ao ano", conta Paulo Yokoda, que foi comissário do governo brasileiro de ciência e tecnologia no Japão em 1985, e visita o país frequentemente.

O dia 1º de setembro, data do terremoto de 1923, foi fixado como a data nacional de prevenção contra desastres naturais no Japão. É quando o governo de Tóquio costuma promover um treinamento de grande escala envolvendo civis e corpos de bombeiros. A população é orientada sobre como sair dos edifícios e como se proteger dentro de casa.

Manual - Para auxiliar na disseminação das informações, o governo de Tóquio criou um manual de sobrevivência em caso de terremotos, ao qual todo cidadão tem acesso. Nele, são dadas instruções sobre o que fazer em diversas situações de emergência: em casa, no escritório, na rua, em transportes públicos. O manual dá uma orientação muito seguida no país: que cada cidadão tenha um kit terremoto (com lanternas,água e comida desidratada) em sua casa e trabalho, para o caso de ficar preso por alguns dias.

Os japoneses já estão tão acostumados com a ocorrência de tremores que os edifícios têm estruturas flexíveis e os armários são todos presos às paredes. A preparação chega às telecomunicações: a TV estatal NHK tem a função de ser a fonte oficial de informações em caso de acidentes e desastres naturais de grande porte, como o terremoto seguido de tsunami de 11 de março.

"Os trabalhos da defesa civil são permanentes, porque a preparação para terremotos tem que fazer parte da cultura das pessoas", afirma Yokoda. Para ele o Japão tem tecnologia e capacidade para superar mais esse terremoto: "Serve como um desafio para essa nova geração. Vai despertar as pessoas para um trabalho muito grande de reconstrução".

Veja abaixo o manual do governo de Tóquio:

Saiba como agir durante um terremoto
1 Proteja-se e proteja a sua família. Esconda-se embaixo de mesas para proteger a cabeça da queda de objetos
  • 2 Desligue o gás e aquecedores de óleo assim que perceber os tremores
  • 3 Não saia correndo de casa. Verifique cuidadosamente a situação e tente agir com calma
  • 4 Abra a porta para assegurar uma saída. Após os tremores a porta pode ficar deformada impossibilitando a saída
  • 5 Do lado de fora, proteja a cabeça e fique longe de objetos perigosos
  • 6 Se você estiver em uma loja, siga as instruções da equipe de funcionários. Evite entrar em pânico e mantenha a calma
  • 7 Estacione o carro do lado esquerdo. Escute ao rádio e tome atitudes adequadas
  • 8 Cuidado com a queda de rochas, deslizamentos de terra e tsunamis
  • 9 Prefira andar a pé em vez de usar o carro e carregue apenas o que precisar
  • 10 Evite ser enganado por falsos rumores e tente agir de acordo com informações corretas
Fonte: Bureau of Citizens and Cultural Affairs, Tokyo Metropolitan Government
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