Há 35 anos, avião da Varig também sumiu sem deixar rastro

Acidente com aeronave da Malaysia Airlines guarda semelhanças com sumiço de cargueiro que levava seis pessoas. Caso permanece um grande mistério

Por: Jean-Philip Struck - Atualizado em

O boeing 707 da Varig que desapareceu no Oceano Pacífico  em 1979
O boeing 707 da Varig que desapareceu no Oceano Pacífico em 1979(Aviation Safety Network/VEJA)

Um avião a jato sobrevoa o Oceano Pacífico em uma viagem de rotina realizada à noite. Sem qualquer sinal de aviso, ele para de se comunicar com a torre e desaparece sem deixar rastros. Nos dias seguintes as operações de busca não conseguem encontrar qualquer destroço. A descrição, que poderia muito bem se aplicar ao voo MH370 da Malaysia Airlines, que sumiu no fim de semana, já foi usada no voo 967, da antiga Varig.

Neste caso, o desaparecimento envolveu um cargueiro modelo Boeing 707, visto pela última vez em 30 de janeiro de 1979, logo após decolar de Tóquio, no Japão, com destino ao Rio de Janeiro. Até hoje o caso é considerado um dos maiores mistérios da aviação brasileira.

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Seis pessoas viajavam no avião, que transportava uma carga de 20 toneladas, entre ela estavam dezenas de quadros do pintor nipo-brasileiro Manabu Mabe (1924-1997), que acabara de exibi-los em uma exposição no Japão. O comandante do voo era Gilberto Araújo da Silva, de 54 anos, um veterano da companhia, com 23.000 horas de voo. Ele era uma celebridade no meio da aviação, por ter comandado o trágico voo RG820 da Varig, que se incendiou em pleno ar em 1973 quando ia do Rio a Paris. Na ocasião, Araújo conseguiu fazer uma aterrisagem de emergência em um terreno nos arredores de Paris, evitando que o avião pudesse cair sobre áreas habitadas e salvando outros nove tripulantes e um passageiro (outros 123 ocupantes morreram, quase todos por sufocamento causado pela fumaça das chamas).

No caso do voo 967, Araújo deveria comandar a aeronave até uma escala em Los Angeles, onde a tripulação seria trocada. A partir daí o avião prosseguiria para o Rio de Janeiro. Até lá, além de Araújo, viajariam o piloto Erny Peixoto Myllius, os co-pilotos Antônio Brasileiro da Silva Neto e Evan Braga Saunders e os engenheiros de voo Nicola Espósito e Severino Gusmão Araújo.

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O último contato com a torre de Tóquio ocorreu 22 minutos depois da decolagem. Depois,só houve silêncio. Um segundo contato previsto para uma hora depois do início do voo nunca ocorreu. As buscas prosseguiram pelos oito dias seguintes, sem sucesso.

Investigadores acabaram concluindo que uma despressurização, que teria sufocado a tripulação, acabou provocando a queda do 707 no oceano, cerca de 45 minutos após a decolagem. A aeronave teria caído em uma área de mar profundo, dificultando a localização. Seis meses depois do acidente, as famílias dos tripulantes receberam atestados de óbitos.

Apesar da conclusão, a falta de destroços acabou alimentando especulações sobre o que pode ter acontecido, que ainda são debatidas em fóruns de aviação e exploradas em reportagens.O desaparecimento também alimentou teorias conspiratórias. Um ex-rádio operador da Força Aérea Brasileira que era amigo do piloto Araújo chegou a escrever um romance sobre o caso em que aponta a possibilidade de que o avião teria errado a rota e invadido o espaço aéreo da antiga União Soviética, onde acabou sendo abatido.

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