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Após a onda de revolta contra os Estados Unidos ter alcançado vários países árabes do Oriente Médio e Norte da África nesta quinta-feira, as manifestações contra o filme Innocence of Muslims (A Inocência dos Muçulmanos, em tradução livre do inglês), considerado ofensivo ao Islã, se intensificaram no Egito nesta sexta-feira, dia sagrado para o islamismo. Na véspera, conflitos no país já haviam deixado um saldo de 224 feridos.

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A Irmandade Muçulmana, principal força política do Egito e a qual pertence o presidente Mohamed Mursi, havia feito um apelo por "protestos pacíficos" em todo o país pós as orações de hoje, mas, em razão dos confrontos violentos entre policiais e manifestantes, decidiu cancelar a "convocação geral". Segundo o secretário-geral do movimento, Mahmud Husein, apenas um "ato simbólico" na Praça Tahir está confirmado.

O conflito desta sexta-feira ocorreu nos arredores da embaixada dos Estados Unidos no Cairo. Jovens lançaram pedras contra agentes da polícia andistúrbios, que responderam com gás lacrimogêneo. Homens das forças de segurança prenderam, até o momento, 40 pessoas acusadas de atacar policiais, prédios públicos e a embaixada americana.

Um carro queimado foi derrubado no meio da rua que dá acesso à Praça Tahrir, onde são esperadas milhares de pessoas. Além da Irmandade Muçulmana, grupos radicais, como Gamaa al Islamiya, também convocaram protestos na saída das mesquitas após as orações. Nesta quinta-feira, o secretário de Imprensa dos Estados Unidos, Jay Carney, já havia afirmado que a Casa Branca estava preparada para novos protestos hoje, mas ressaltou que qualquer violência seria injustificada. Desde terça-feira, quando um ataque ao consulado americano em Bengasi, na Líbia, deixou quatro mortos - entre eles o embaixador Christopher Stevens - todos os postos diplomáticos dos Estados Unidos estão em alerta e com a segurança reforçada.

Ashraf Shazly/AFP

No Sudão, milhares de manifestantes incendiaram nesta sexta-feira a embaixada da Alemanha em Cartun
No Sudão, milhares de manifestantes incendiaram nesta sexta-feira a embaixada da Alemanha em Cartun(Ashraf Shazly/AFP/VEJA)

Caricaturas - A violência prosseguiu nesta sexta-feira em outros países árabes. Um dos episódios mais tensos foi registrado no Sudão, onde milhares de manifestantes incendiaram a embaixada da Alemanha em Cartun. A multidão arrancou a bandeira do país do prédio e a substituiu por um símbolo islamita. O ministro alemão de Relações Exteriores, Guido Westerwelle, anunciou que os funcionários estão a salvo.

Segundo a agência Efe, os manifestantes sudaneses, que também bloquearam o tráfego para impedir a aproximação dos bombeiros, protestam contra a recente publicação de caricaturas do profeta Maomé em revistas alemãs. Palavras de ordem também foram entoadas contra os Estados Unidos por causa do vídeo Innocence of Muslims, produzido naquele país e considerado uma afronta aos muçulmanos por ridicularizar Maomé. A agência AFP informou, ainda, que outros manifestantes atacaram a embaixada britânica em Cartum, que fica perto da representação alemã.

Outros países - No Iêmen, onde quatro pessoas morreram durante confronto na quinta-feira, as forças de segurança bloquearam, nesta sexta-feira, ruas nas imediações da embaixada americana em Sanaa, capital do país. Em uma mesquita próxima à missão diplomática, centenas de pessoas carregavam faixas e cartazes contra o filme. Segundo a rede Al Jazeera, policiais deram tiros de advertência e usaram jatos de água para dispersar a multidão. Uma autoridade americana confirmou à rede BBC que os EUA enviaram um esquadrão antiterrorismo da Marinha ao Iêmen para ajudar a proteger a embaixada.

Ainda nesta sexta-feira, cerca de 500 pessoas se reuniram para protestar em frente à embaixada norte-americana em Jacarta, Indonésia. "Esse filme insulta nosso profeta. O condenamos. É uma declaração de guerra", afirmou à agência Reuters um representante do movimento islamita Huzbut Tahrir, organizador do movimento. No Catar, cerca de mil pessoas carregando bandeiras participaram de uma manifestação pacífica pelas ruas da capital, Doha.

No Líbano, país onde o papa Bento XVI chegou hoje para uma visita de três dias, fontes policiais disseram, em depoimento à Agência Associeted Press (AP), que forças de segurança abriram fogo contra os um grupo de pessoas que se manifestava contra o vídeo americano, matando uma pessoa e deixando outras 25 feridas - entre elas 18 oficiais nesta sexta-feira em Trípoli, no Líbano. Os manifestantes incendiaram um restaurante da rede de fast-food americana Kentucky Fried Chicken (KFC).

Em Túnis, capital da Tunísia, a polícia abriu fogo contra os protestantes que escalaram e incendiaram a embaixada dos EUA na cidade. Há fumaça saindo do prédio, e o confronto deixou cinco pessoas feridas. Os protestos também chegaram nesta sexta-feira a Índia e Jordânia. Em Chennai, na Índia, 86 manifestantes foram presos quando 100 islamitas atiraram pedras contra o consulado dos EUA. Na Jordânia, mais de 2.000 islamitas protestam contra o filme anti-islâmico, enquanto o governo pede ao Youtube que retire o trailer do ar.

(Com agências Efe, AFP e Reuters)

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