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Cardeal está entre os que vazaram documentos do Vaticano

Imprensa italiana diz que assistente do papa foi manipulado por um superior

- Atualizado em

Bento XVI com seu assistente responsável pelos vazamentos, Paolo Gabriele, sentado à frente
Bento XVI com seu assistente responsável pelos vazamentos, Paolo Gabriele, sentado à frente(Alessandro Bianchi/Reuters/VEJA)

Um cardeal figura entre as pessoas que vazaram documentos secretos da Santa Sé e teria sido o responsável por manipular Paolo Gabriele, o assistente do Papa Bento XVI detido na quarta-feira, que seria apenas um executor, informou nesta segunda-feira a imprensa italiana. A manchete do jornal romano Il Messaggero era "um cardeal guiou o 'corvo' (apelido de Gabriele na Itália)", enquanto o jornal milanês Corriere della Sera afirmou que havia "um cardeal entre os informantes anônimos".

A guarda do Vaticano encontrou documentos confidenciais na casa de Gabriele e o prendeu na sexta-feira, cerca de um mês depois de criada uma comissão investigativa para esclarecer as indiscrições que desde janeiro afetam o pequeno Estado.

Um livro publicado recentemente na Itália contém um número sem precedentes de documentos confidenciais sobre numerosos debates internos do Vaticano, como a situação fiscal da Igreja ou os escândalos de pedofilia dentro do movimento dos Legionários de Cristo. Os documentos revelam as disputas e rancores que existem entre diversos cardeais e autoridades, que acusam uns aos outros e depois recorrem ao Papa para amenizar os conflitos.

Corrupção - Um dos informantes anônimos, interrogado pelo periódico La Repubblica, considera que a pessoa que organizou os vazamentos "atua a favor do Papa". "O objetivo dos autores anônimos é revelar a corrupção que exise na Igreja nos últimos anos", disse a fonte. "Os verdadeiros cérebros são os cardeais. E depois há monsenhores, secretários e peixes menores", acrescentou.

"Entre os infiltrados, estão os que se opõem ao cardeal secretário de Estado Tarcisio Bertone, os que pensam que Bento XVI é muito fraco para dirigir a Igreja, e os que acham que é o momento oportuno para se destacar", disse a mesma fonte anônima.

Segundo esta pessoa, citada pelo La Repubblica, o Papa sentiu muito a destituição na quinta-feira do presidente do banco do Vaticano IOR, Ettore Gotti Tedeschi, que ele gostava muito, até o ponto de começar a chorar, passando a reagir com raiva, dizendo que "a verdade virá à tona". Gotti Tedeschi foi destituído por sua gestão, mas também, segundo fontes vaticanas, porque havia divulgado fora do Santa Sé alguns documentos relativos ao banco.

Segundo os especialistas italianos em assuntos do Vaticano citados pela imprensa, Paolo Gabriele, um homem que sempre se mostrou muito apegado ao Papa, não parece ser capaz de organizar sozinho o vazamento coordenado de documentos, batizado de "Vatileaks".

(Com agência France-Presse)

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