16/01/2010 - 11:19
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Terremoto no Haiti

Após despedida emocionada, Zilda Arns é sepultada em Curitiba

A médica Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança morta no terremoto no Haiti, foi sepultada por volta das 17h deste sábado no cemitério da Água Verde, em Curitiba, após uma despedida emocionada da multidão nas ruas. A cerimônia do enterro, restrita a familiares, foi realizada depois de uma missa de corpo presente acompanhada por cerca de 400 pessoas no Palácio das Araucárias, sede do governo do Paraná, onde ocorreu o velório.

A missa, celebrada pelo presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Geraldo Lyrio, foi exibida em telões na praça Nossa Senhora de Sallete. Após a celebração, no cortejo pelas ruas, o corpo de Zilda foi aplaudido. Pessoas exibiram faixas com mensagens de carinho ao longo do trajeto de sete quilômetros até o cemitério. 

O presidente Lula no velório de Zilda Arns (Reuters)

Velório - Entre dezenas de personalidades que compareceram ao velório de Zilda na sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a médica lutou pela conquista da democracia e dos direitos humanos, pelas crianças e pelos idosos.

"Qualquer brasileiro hoje que fechar os olhos vai ver o rosto de dona Zilda. Foi uma grande perda para o Brasil e para o mundo. Uma pessoa que dedicou sua vida a cuidar dos necessitados e praticar solidariedade. Morreu cumprindo uma das coisas mais sagradas que sabia fazer, visitar pessoas pobres no Brasil ou no mundo".

Morte - Zilda morreu instantaneamente ao ser ferida por escombros após o terremoto. Ela foi atingida na cabeça por destroços da igreja onde proferia uma palestra. A médica brasileira já havia terminado sua explanação no momento do tremor, mas permaneceu na igreja para responder às dúvidas de um dos padres presentes ao evento.

A palestra era destinada a padres e seminaristas que se preparavam para receber o trabalho da Pastoral da Criança no Haiti. Segundo a embaixatriz brasileira no Haiti, Roseana Kipman, padres que estavam no evento foram soterrados.

Nascida na cidade de Forquilhinha, em Santa Catarina, no dia 25 de agosto de 1934, Zilda fundou nos anos 80 a Pastoral da Criança, por meio da qual ajudou a combater a mortalidade infantil no país. Era também fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa, representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Nacional de Saúde e membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

Zilda, indicada ao Prêmio Nobel da Paz em 2006, era irmã de Dom Paulo Evaristo Arns, cardeal arcebispo emérito de São Paulo, e vivia em Curitiba.

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