Internacional
Honduras
Zelaya cruza a fronteira, mas recua
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, voltou nesta sexta-feira à Nicarágua depois de entrar no território de seu país a pé e lá permanecer por poucos minutos. Zelaya fez uma breve caminhada pela cidade de El Paraíso, na fronteira, e anunciou que não avançaria mais para "respeitar os princípios" dos militares, que prometiam prendê-lo caso voltasse ao país.
O líde deposto havia entrado em território hondurenho a pé cercado por dezenas de simpatizantes. Logo à sua frente, havia uma barreira das forças de segurança de Honduras.
Ele cruzou a fronteira pela localidade nicaraguense de Las Manos, aonde havia chegado horas antes vindo de Manágua, a capital da Nicarágua.
Zelaya falava ao telefone celular cercado por manifestantes hondurenhos que gritavam "Viva Mel" em meio à chuva.
Com a notícia da entrada de Zelaya, o ministro de Segurança do governo de fato, Mario Eduardo Perdomo, afirmou que sua detenção ocorreria "no momento oportuno", de acordo com o jornal hondurenho El heraldo. Ele acrecentou, ainda segundo a publicação, que a ordem era manter a calma na fronteira.
Horas antes, a polícia anunciara ter elaborado um "plano estratégico" para deter Zelaya assim que ele pisasse em território hondurenho, onde é acusado de 18 crimes, entre eles o de traição à pátria.
Viagem - O presidente deposto chegou a Las Manos acompanhado pelo chanceler venezuelano, Ricardo Maduro, constatou a agência France-Presse. A Venezuela tem sido um dos principais defensores do retorno de Zelaya à presidência hondurenha.
Do outro lado da fronteira, em território hondurenho, a 50 metros da linha de separação, estavam posicionados dezenas de agentes da polícia nacional e efetivos militares, vestidos com uniformes de camuflagem, fortemente armados e protegidos por escudos.
Um helicóptero da polícia sobrevoava o espaço aéreo hondurenho.
Antes de Zelaya cruzar a fronteira, a chanceler do presidente deposto, Patricia Rodas, havia dito à France-Presse que se reuniria com setores sociais para "tomar decisões" em relação à entrada em Honduras, onde a justiça ditou ordem de captura contra ela.
Mais além, em El Espino, em Honduras, centenas de seguidores tentavam romper o imponente cerco militar e policial para receber o presidente deposto por um golpe no dia 28 de junho.
As autoridades de fato decretaram nesta sexta-feira toque de recolher a partir do meio-dia nas fronteiras de Honduras.
Derrubado do poder pelos militares e expulso para a Costa Rica, de onde seguiu para a Nicarágua, Zelaya saiu quinta-feira de Manágua com a intenção de regressar a seu país, apesar das ameaças do governo de fato de prendê-lo e levá-lo ante a justiça por traição e corrupção.
A última tentativa de acordo entre as duas partes fracassou na quarta-feira.




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