18/11/2009 10:53
O Congresso hondurenho decidirá numa sessão realizada no dia 2 de dezembro se devolve ou não o poder ao presidente deposto Manuel Zelaya. Isso significa que a definição ficará para depois das eleições gerais marcadas para o próximo dia 29, confirmou o presidente do Congresso, José Saavedra.
Um acordo mediado pelos EUA, em outubro, prevê que o Congresso, depois de consultada a Corte Suprema, decida se Zelaya deve ou não voltar ao poder, mas não marca data para essa votação. Esse acordo já foi abandonado, já que as partes rivais não chegaram a um acordo sobre a formação de um governo de unidade nacional.
"Decidimos convocar sessões para o próximo 2 de dezembro", disse Saavedra a jornalistas, acrescentando que a Suprema Corte do paÃs deve opinar na semana que vem se Zelaya deve retornar ao poder para dar posse ao presidente eleito.
Zelaya, que irritou a elite hondurenha ao estabelecer laços próximos com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, foi deposto e enviado de pijamas para o exÃlio, em 28 de junho, por soldados e pelo governo interino liderado por Roberto Micheletti, que assumiu o poder no paÃs.
Refugiado desde setembro na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, o presidente deposto já disse que o acordo está morto e que não aceitará outra fórmula para devolvê-lo ao poder, pois isso equivaleria a acobertar o golpe militar.
Para ele, a eleição do dia 29 legitimaria o golpe, e, por isso, conclama seus seguidores a boicotar o pleito. "O diálogo com Micheletti acabou. Está morto, porque não se tem um diálogo com alguém que não quer", disse Zelaya a uma rádio.
Eleições - A menos de duas semanas da eleição, o Congresso adia ao máximo uma decisão sobre a volta de Zelaya. Muitos parlamentares concorrem à reeleição, e analistas dizem que eles não querem se posicionar sobre um tema que divide a nação. "Nenhum deles deseja ser punido de uma forma ou de outra por causa da restituição de Zelaya", disse o consultor polÃtico Patrick Ahern, radicado em Honduras.
O adiamento, no entanto, pode manter aberta a porta para novas negociações, enquanto um "não" antes da eleição poderia ampliar a rejeição internacional ao resultado da eleição presidencial. LÃderes sul-americanos pedem a restituição imediata de Zelaya, enquanto EUA parecem ter atenuado sua posição ao dizer que a mera assinatura do acordo já garantia o reconhecimento do resultado eleitoral.
(Com agência Reuters)